Com Spaces, Facebook parece não ter entendido o aspecto social da realidade virtual

Hayden Dingman, IDG News Service
19/04/2017 - 17h35
App soa corporativo e frio e demonstra que Facebook ou não entendeu ainda que usuários de VR formam um grupo pequeno ou que a companhia simplesmente não se importa com isso

O Facebook não manteve nenhum segredo sobre suas intenções quando comprou a Oculus VR, a companhia que deu início a toda essa "nova realidade" virtual.

Mark Zuckerberg e companhia viam na realidade virtual uma nova plataforma para interações sociais em algum futuro não muito distante. Bem, não consegue reunir toda a sua família na mesma sala? Não tem problema, basta colocar todos em realidade virtual. Soa como um sonho cyberpunk, certo?

Mas o Facebook está avançando aqui com passos pequenos. Na terça-feira (18/04), a companhia lançou o Facebook Spaces, sua primeira tentativa de criar um hub de realidade virtual dentro da Oculus Store. 

Eu gastei talvez 30 minutos brincando com o aplicativo Spaces. Então, acredito que é uma premissa segura dizer que o Spaces é tecnicamente um acesso de principiante para o Oculus. Bem principiante. 

Ele é basicamente um watercooler virtual ou talvez uma sala de conferências. A ideia é que você possa reunir amigos ou familiares - ou, mais provavelmente, qualquer conhecido aleatório que também possua um Oculus Rift - em uma sala virtual e realizar reuniões, bate-papo, olhar fotos de alguém quando criança e por aí vai. "Socialização" para a era digital. Facebook, mas em sua versão tridimensional. Ah, e você pode tirar selfies de sua versão digital.

Para começar, você precisa fazer o seu próprio avatar no Facebook Spaces, o que parece um tanto desnecessário considerando que o Oculus Touch já leva você a fazer isso. Parece-me que essas duas divisões, uma no Facebook e uma no Oculus, provavelmente poderiam estar ligadas uma a outra, o que pouparia você da metade do trabalho. Não há, na verdade, recursos realmente novos, no sentido de que você não ganha aqui a habilidade de colocar asas no seu avatar ou mesmo uma cor neon para o seu cabelo. Mas eu suponho que isso se deve ao fato de que o Facebook é um negócio sério.

Mas esse problema se estende ao Spaces como um todo. A plataforma soa fria e entediante. Uma vez que você termina de esculpir a sua versão 3D digital, você é levado a uma sala com uma única mesa, algumas ferramentas e uma imagem esticada de um acampamento em torno das bordas.

Esse acampamento e uma fogueira que o acompanha é um toque aconchegante no que seria, caso contrário, um ambiente exclusivamente empresarial.

O restante dos recursos são coisas que você já viu ou fez com óculos de realidade virtual. O que temos aqui está bom, claro, bem acabado, mas nada muito surpreendente. 

Um recurso realmente original do Facebook resulta da integração com sua própria plataforma - você consegue pegar imagens da sua própria timeline no Facebook e exibi-las em tamanho de poster para qualquer pessoa na sala. É algo muito simples de se fazer e a integração social é algo legal se você pensou que o Facebook precisa de outra forma para amigos e colegas entendiá-lo com fotografias de seus filhos. 

A realidade virtual social já começou e parece que ela é mais próxima da vida real do que o Facebook está disposto a admitir - são pessoas fazendo coisas, enquanto ocupam o mesmo espaço (virtual) juntas. O foco aqui é mais no ambiente e no que você pode fazer. É o que faz com que as pessoas queiram estar lá, em primeiro lugar.

O Spaces soa mais como um video chat. Uma novidade, mas menos conveniente que um telefone e mais constrangedor e afetado do que a interação na vida real. 

E em relação ao próprio Oculus, eu não consigo deixar de pensar que o Facebook definiu suas prioridades ao contrário. Ambas as companhias estão agindo como se a realidade virtual já fosse algo popular e estão construindo experiências de realidade virtual para uma audiência ampla. Algo que, convenhamos não existe no cenário atual. O problema aqui é que o Spaces demonstra que o Facebook ou não entendeu ainda que usuários da realidade virtual são os entusiastas early adopters que formam um grupo realmente pequeno ou a companhia simplesmente não se importa com isso.

Ou pior que isso, demonstra uma compreensão tênue do que "social" realmente significa fora de um feed do Facebook. Algo que não é bom, quando ser social é o negócio principal da companhia.