Médicos usarão corações impressos no preparatório de cirurgias pediátricas

Da Redação
18/04/2017 - 17h01
Estudo clínico usará impressoras 3D da Stratasys. Tecnologia permitirá a criação de réplicas do órgão de pacientes com doença cardíaca congênita

O avanço da impressão 3D promete impactar uma série de indústrias, que vão desde a automotiva a aeroespacial, mas há um nicho em especial onde a tecnologia pode ajudar a salvar vidas: na medicina. 

Nesta terça-feira (18/04), a Stratasys - nome de peso na fabricação de impressoras 3D e de manufatura aditiva - anunciou que um estudo que investigará o uso de modelos de órgãos impressos em cirurgias complexas do coração de pacientes pediátricos inaugurou uma nova fase. As inscrições para a pesquisa clínica do “3D Hearts Enabling A Randomized Trial” (3DHEART) estão abertas para pacientes voluntários nos Estados Unidos.

Ao usar uma impressora 3D, médicos conseguirão fabricar uma réplica do coração dos pacientes, algo que possibilita uma avaliação e interação mais apurada do órgão quando comparado às imagens 2D.

O estudo clínico é aprovado pelo Programa de Responsabilidade Social da Stratasys, que por sua vez oferece apoio à pesquisa com equipamentos e materiais para produção dos modelos em 3D.

Administrado pela OpHeart, organização sem fins lucrativos, o estudo tem como foco pacientes pediátricos com doença cardíaca congênita que necessitam de reparação complexa de dois ventrículos. 

"Este estudo é extremamente importante para finalmente quantificar o que é possível saber em primeira mão sobre a experiência de impressão 3D de modelos específicos de pacientes, com o objetivo de melhorar os processos cirúrgicos, seus resultados, além de proporcionar tratamentos com custos menores", explica o Dr. Yoav Dori, cardiologista pediátrico do Children's Hospital de Filadélfia. Segundo ele, se isso puder ser demonstrado empiricamente, será um marco da transformação no tratamento não só de crianças com defeitos cardíacos congênitos, mas dos pacientes em geral.

A amostra do estudo abrange 400 pacientes. A Stratasys teve sua impressora 3D Stratasys Connex utilizada para a impressão de modelos cardíacos para 200 desses pacientes. 

Esses biomodelos se baseiam nos exames de ressonância magnética ou tomografia computadorizada dos pacientes e permitem que o cirurgião avalie e pratique uma réplica precisa do coração antes da cirurgia. Assim, o estudo possibilita um comparativo dos benefícios do uso de biomodelos junto a estes 200 pacientes com os resultados de outros 200 indivíduos, que estão sendo tratados apenas com base nos resultados dos exames tradicionais em 2D. 

Nesta fase, o 3DHEART está sendo conduzido por médicos do Hospital Morgan Stanley para Crianças, instituição ligada ao Hospital New York-Presbyterian, do Children's Hospital de Filadélfia, do Children's National Medical Center e do Phoenix Children's Hospital, com até 20 localidades adicionais nos Estados Unidos.