Com programa de cashback, startup Méliuz devolveu R$ 28 milhões a usuários

Por Carla Matsu
18 de abril de 2017 - 10h00
Programa de recompensas criado pela startup brasileira agora mira no varejo físico para ampliar rede de parceiros

Programas de fidelidade não são tão convenientes como eles prometem ser. A prática de acumular pontos com compras é quase sempre superada pelo avanço dos dias. Quando você se lembra de resgatá-los, há uma grande chance de os mesmos já terem expirado. É frustrante. Pelo menos, sob o ponto de vista do usuário. Foi pensando nesse incômodo sistema que os empreendedores Israel Salmen, 28, e Ofli Guimarães, 31, decidiram lançar a startup Méliuz.

"A ideia veio de uma insatisfação pessoal nossa com programas de pontos e milhas daquela época. Começamos a estudar uma forma de fazer isso melhor e achamos o cashback. Nos Estados Unidos e na Europa, o modelo estava consolidado, mas no Brasil ainda não existia”, lembra Guimarães. 

Em resumo, os dois criaram um programa de recompensas que devolve aos usuários uma parte do dinheiro de cada compra efetuada através de uma rede de parceiros da Méliuz. Era 2011 quando os dois fundaram a startup em Belo Horizonte e lançaram a primeira versão do site exclusivamente com parceiros do e-commerce. 

Seis anos depois, a empresa conta com números que surpreendem a começar pelo montante que a companhia conseguiu devolver aos seus usuários. Segundo Guimarães, o cashback total da Méliuz, até então, é de cerca de R$ 28 milhões. No primeiro ano de operação, em 2012, a plataforma movimentou 720 mil reais em vendas. No seguinte, com o modelo já validado, o saldo pulou para 30 milhões de reais. Em 2016, a companhia fechou o balanço com R$ 547 milhões movimentados em vendas, diz Guimarães. 

Atualmente, a Méliuz conta com cerca de 2 milhões de usuários e duas mil lojas virtuais parceiras, incluindo grandes nomes como Submarino, Americanas.com, O Boticário, Casas Bahia, Lenovo e Fast Shop. 

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Benefícios estratégicos

Do ponto de vista do usuário, as vantagens são um tanto óbvias. Para resgatar dinheiro das ofertas, o cliente precisa realizar um cadastro, que inclui informar dados como telefone e CPF. Por meio do site ou do aplicativo Méliuz, o usuário verá a relação das lojas parceiras e as porcentagens do cashback, que variam de 0,5% a 20%. Em seu perfil, é possível acompanhar o extrato dos descontos. Quando o usuário acumular R$ 20 ou mais, é possível, então, resgatar o valor para a conta bancária e de forma gratuita. 

Para lojas parceiras, o benefício é estratégico. Varejistas podem investir em parcerias com a Méliuz para aumentar o volume de vendas. Guimarães explica que a Méliuz funciona, de certa forma, como uma vitrine para as lojas virtuais. "Funciona como uma publicidade. Isso porque ele só terá a despesa se as pessoas consumirem o produto por meio da Méliuz. Ao contrário de outras plataformas, a Méliuz só recebe por performance e pegamos uma comissão, dividindo o desconto com a pessoa que comprou. Se não geramos a venda, o varejista não tem nenhum custo", define o empreendedor. A comissão, base do modelo de negócios da startup, varia de cada contrato com parceiros. 

Para além do online

A startup conquistou em 2016 prêmios importantes, como a "Startup do Ano" e "Melhor equipe fundadora" no Startup Awards durante a CASE 2016. No mesmo ano, Guimarães e Salmen foram convidados para integrar o time de empreendedores da Endeavor, agência global que promove o empreendedorismo e inovação. 

O time de funcionários da startup também ganhou novos rostos nos últimos anos. O principal escritório tem endereço em Belo Horizonte, mas há operação em São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. No total, a startup emprega 180 pessoas.

Em 2017, a companhia inaugurou uma nova fase, ampliando a sua rede de parceiros para o varejo físico. Em março, a Méliuz anunciou a parceria com 500 estabelecimentos em Belo Horizonte e na semana passada estabeleceu o mesmo número de parceiros na capital paulista. A expectativa é ampliar esse número nas duas cidades, além de outras capitais.

Entre as metas da Méliuz para 2017 está ampliar o número de parceiros, incluindo aí redes de supermercados algo que para Guimarães é fundamental para conquistar aquilo que a startup almeja: “Queremos fazer parte do dia a dia das pessoas”, resume.