Jeff Jones deixa o cargo de presidente do Uber após 6 meses no comando

Da Redação
20/03/2017 - 08h12
Executivo deixa a companhia alegando que suas "crenças e estilo de liderança era inconsistentes com o que vi e experimentei no Uber"

Jeff Jones, que vinha atuando como presidente do Uber há seis meses, pediu demissão do cargo neste final de semana, alegando incompatibilidade entre seu estilo de liderança e gestão e a cultura da empresa de compartilhamento de carros. Segundo o site Recode, a saída do segundo homem mais importante do comando da Uber deve-se às múltiplas controvérsias em que a empresa está envolvida, incluindo acusações de assédio sexual e sexismo.

A história vazou primeiro para a mídia e só depois a Uber confirmou oficialmente a saída de Jones. O CEO da companhia, Travis Kalanick, deu sua versão sobre a saída de Jeff Jones em um memorando distribuído aos funcionários: “Depois que anunciamos nossa intenção de contratar um COO, Jeff chegou à conclusão de que ele não vê seu futuro no Uber. É uma pena que isso foi anunciado [primeiro] através da imprensa, mas eu achei que seria importante enviar esse email a vocês antes de divulgar um comentário público".

O comentário de Jones confirmando sua saída ao site Recode tinha outro tom: “Agora está claro que as crenças e o estilo de liderança que guiaram minha carreira são inconsistentes com o que vi e experimentei no Uber e eu não posso mais continuar como presidente". Segundo as fontes da Recode, o anúncio de Kalanick de que estaria procurando um COO para ajudá-lo a colocar ordem na bagunça da casa teria também contribuído para a saída de Jones, mas não seria o principal motivo. Segundo uma das fontes citadas pelo site, "Jeff não gosta de conflitos".

Jeff Jones foi contratado como presidente do Uber há pouco mais de seis meses e antes era CMO da rede de lojas Target, nos EUA. Seu trabalho seria, entre outras coisas, revitalizar a imagem da companhia, manchada pelas confusões, enquanto tocava o trabalho de presidente. 

Ele assumiu o cargo na época substituindo Ryan Graves, que tinha atuado como CEO da Uber até 2010, quando passou o cargo para Travis Kalanick. Graves atualmente lidera o serviço de entregas da companhia, o UberEverything. 

A saída de Jeff Jones do cargo de presidente com tão pouco tempo coloca mais lenha na fogueira da crise de identidade e confiança do Uber e deixa Travis Kalanick com mais um problema para resolver.