FBI admite investigar conexões entre hackers russos e eleições americanas

Da Redação, com IDG News Service
20/03/2017 - 17h25
Diretor do FBI admitiu nesta segunda que a eventual interferência russa na eleição dos EUA em 2016 e cooperação à campanha do presidente Donald Trump estão sendo investigadas

O diretor do FBI, James Comey, confirmou nesta segunda-feira, 20, que a eventual interferência da Rússia na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016 e a possível cooperação à campanha do presidente Donald Trump estão sendo investigadas. Esta é a primeira vez que o FBI admite essas investigações.

O FBI normalmente não faz comentários sobre investigações em andamento, mas as suspeitas sobre a interferência da Rússia na eleição norte-americana representam um caso de "incomum", disse Comey aos deputados que compõem o Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos EUA.

Comey disse aos deputados que não poderia comentar mais sobre a investigação, mas admitiu que o FBI está investigando possíveis contatos e cooperação entre a campanha de Trump e o governo russo. O FBI está investigando "a natureza de todas as ligações" entre a campanha de Trump e o governo russo, disse ele.

Durante a audiência, Comey negou, no entanto, que o ex-presidente Barack Obama tenha grampeado o escritório do atual presidente na Trump Tower, em Nova York, durante a campanha presidencial. "O FBI e o Departamento de Justiça não tem nenhuma informação que apoiam esses tuítes", disse Comey. "Buscamos cuidadosamente dentro do FBI evidências de um grampo de Obama contra a campanha de Trump e não encontraram nada”, acrescentou.

O diretor da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA, Michael Rogers, também negou que o governo Obama tenha pedido à inteligência britânica que realizasse qualquer tipo escuta sobre Trump. "Nunca vi na NSA alguém envolvido em uma atividade assim", afirmou.

As agências de inteligência dos EUA estão certas de que o governo russo é o responsável pelo “hacking” aos e-mails dos funcionários do Comitê Nacional Democrata e da candidata democrata Hillary Clinton. Os e-mails foram vazados pelo WikiLeaks e outros sites durante a campanha presidencial norte-americana de 2016.

Mas Rogers e Comey permaneceram em silêncio quando questionados sobre se a campanha de Trump contou com a ajuda da Rússia para prejudicar a campanha de Hillary Clinton. Porém, em uma declaração extraordinária de 17 minutos, o deputado pelo Partido Democrata Adam Schiff revelou um cronograma de reuniões entre membros da campanha de Trump e o governo russo durante a campanha eleitoral.

O conselheiro de segurança nacional de Trump, Michael Flynn, e Jeff Sessions, procurador-geral do presidente, negaram contato com funcionários russos. Mas o deputado Schiff afirma que o operador de campanha de Trump, Roger Stone teve contato com o WikiLeaks e o suposto hacker Guccifer 2.0 que hacekou o Comitê Nacional Democrata.

"É possível que todos esses eventos e relatórios são completamente alheios e nada mais do que uma coincidência totalmente infeliz?" Schiff, disse. "Sim, é possível, mas é também possível, talvez mais do que possível, que eles não sejam uma coincidência, não sejam desconectados e não sejam independentes."