Waymo teme que Uber tenha acesso a segredos comerciais em processo judicial

IDG News Service
17 de março de 2017 - 15h14
Unidade para carros autônomos do Google alega que Uber teve vantagem inicial roubando sua tecnologia para a criação de um sistema LiDAR

A unidade parra carros autônomos da Alphabet, a Waymo, está preocupada em dar ao conselho interno do Uber acesso extensivo aos documentos arquivados referente ao processo em que alega roubo de segredos comerciais e violação de patentes por parte da empresa de transporte individual.

Mas na quinta-feira (16), o juiz William Alsup, da Corte Distrital dos Estados Unidos da Califórnia, decidiu que Nicole Bartow, advogada interna do Uber, pode rever o material até mesmo no mais "alto nível de confidencialidade", uma vez que ela concordou que o material seja vinculado pela ordem de proteção e é obrigado a fazê-lo.

A disputa entre Waymo e Uber reflete a competição feroz no emergente mercado automotivo autônomo e a desconfiança particular entre as duas companhias. 

A unidade do Google entrou com uma ação no tribunal da Califórnia no mês passado, alegando que um ex-empregado roubou segredos comerciais relativos aos carros autônomos antes de sair para iniciar a startup Otto, que foi adquirida posteriormente pela Uber. 

Outros ex-funcionários da Waymo que saíram para o Uber e Otto também foram encontrados fazendo download de arquivos sensíveis, afirmou a companhia do Google. 

O Uber já está testando seus carros autônomos em dois locais nos EUA e também possui uma licença para testar os mesmos na Califórnia.

A Waymo também acusou o Uber de infringir duas patentes. Na semana passada, deu uma notificação de uma moção de uma liminar pedindo que o Uber fosse proibido de "acessar, usar, imitar, copiar, divulgar ou disponibilizar a qualquer pessoa ou entidade" os segredos comerciais da Waymo, ou fazer, usar,  vender ou ofertar dispositivos que infrinjam suas patentes.

No início desta semana, os advogados externos do Uber, do escritório Morrison & Foerster, escreveram ao juiz que a Waymo não fornecerá documentos sem "acordo com uma forma de medida cautelar provisória que impediria o acesso de advogados internos do Uber, mesmo aqueles que não estão envolvidos na tomada de decisões de concorrência".

A Waymo alegou ter arquivado um documento de 69 páginas com mais de 120 segredos comerciais, de acordo com a carta do escritório de advocacia. "Não vimos esse documento", escreveu o advogado do Uber.

O escritório de advocacia disse que não poderia concordar com o pedido da Waymo porque antecipou que o advogado interno proporcionaria assistência essencial em litigar a proposta para liminar.

Em resposta à carta do Morrison & Foerster, a empresa tinha respondido ao tribunal que não se opunha a qualquer divulgação de seus materiais de litígio de segredo comercial para um advogado interno do Uber. "Em vez disso, a Waymo pede que esse acesso seja concedido com parcimônia, e somente depois que as responsabilidades do advogado forem suficientemente divulgadas para garantir que não haverá possibilidade de (mais) uso indevido de segredos comerciais da Waymo pelos réus", acrescentou.

A Waymo disse ainda que, desde o início, deixou claro que estava disposta a fornecer "papéis de injunção preliminar sob uma base de consultoria externa exclusiva."

Numa tentativa de ordem na última quarta-feira (15) sobre o acesso ao material sigiloso, o juiz Alsup disse que a condição imposta pela Waymo era irracional. 

"Se as alegações na queixa são verdadeiras, então os réus já sabem as informações sensíveis", escreveu o juiz Alsup. O juiz também reduziu para 48 horas o período de 14 dias para que as partes se oponham à divulgação de material protegido a especialistas.