Como operadoras e fornecedores planejam acelerar o 5G

Stephen Lawson, IDG News Service
17 de março de 2017 - 18h49
3GPP aprovou, com apoio de operadoras de telefonia móvel e fornecedores de rede, plano de trabalho para criação de especificação provisória para 5G antes da conclusão do padrão

O 3GPP, organização internacional responsável pela definição das especificações do padrão 5G, aprovou o roteiro para testes em larga escala e implantações da tecnologia já em 2019, em vez de 2020, conforme previsto anteriormente.

Encontro realizado na semana passada em Dubrovnik, na Croácia, do qual participaram várias operadoras de telefonia móvel e fornecedores de rede, o 3GPP aprovou um plano de trabalho para criação de uma especificação provisória para 5G antes da conclusão do padrão.

“É importante para o desenvolvimento da próxima geração de rede móvel ter uma especificação em breve porque os usuários continuam a aumentar o consumo de dados”, defendeu Lorenzo Casaccia, vice-presidente de normas técnicas da Qualcomm, em um post publicado no blog da empresa. Isso explica o apoio da empresa à especificação provisória, que está prevista para ser concluída até o fim deste ano e o software estar disponível cerca de três meses depois.

A Qualcomm e outros grandes players aprovaram o plano antes da realização do Mobile World Congress, ocorrido entre 27 de fevereiro e 2 de março, em Barcelona, na Espanha. A Nokia e a Verizon, dois dos maiores nomes que ainda não haviam endossado o projeto, acabaram aderindo. Mais de 40 empresas, incluindo Intel, Ericsson, Huawei e Samsung, se juntaram à iniciativa.

O padrão interino (ou provisório), chamado Non-Standalone 5G NR (New Radio, vai permitir que os fornecedores desenvolvam equipamentos e software ainda baseados em rádio e núcleo de rede 4G para gerenciamento de cobertura e mobilidade. O padrão final, o Standalone 5G NR, terá um núcleo de rede de 5G. A expectativa é que até meados de 2018 o draft do padrão esteja disponível e o software, no fim daquele ano. O padrão Non-Standalone 5G NR será projetado de modo a ter total compatibilidade com as redes das carriers para que não precisem trocar equipamentos quando migrarem em larga escala para 5G, disse Casaccia.

Peças para encaixar

O 3GPP tem várias decisões a tomar antes que as especificações sejam concluídas, e várias peças ainda terão que se encaixar, antes que os consumidores possam colher os benefícios da 5G. Ao contrário do 4G, o padrão 5G terá endereço de coisas como baixa latência para realidade virtual e veículos autônomos, além de como conectar milhões de dispositivos de IoT que não têm energia suficiente para rádios celulares convencionais.

Dezenas de testes de tecnologia já estão em andamento e haverá mais. Um marco fundamental será o teste da operadora sul-coreana da KT durante a Olimpíada de Inverno no próximo ano em PyeongChang. Isso porque a rede 5G usará muitas bandas de frequências novas para celulares, incluindo um bloco de 3,5 GHz compartilhado nos EUA e bandas milimétricas como 28 GHz e 39 GHz em muitos países.

No lado dos dispositivos, a Qualcomm e a Intel anunciaram testes com modems 5G, inclusive modelos que podem trabalhar com frequências milimétricas e bandas inferiores.

Operadoras e fornecedores têm motivos para acelerar a 5G, devido principalmente ao fato de as redes LTE em grande parte já construídas não atenderem a demanda atual e o negócio de celulares estar atravessando uma crise histórica, de acordo com o grupo Dell'Oro. O período que vai de agora e 2021 serão os piores cinco anos no mercado de RAN (rede de acesso por rádio), desde que a consultoria começou a analisado em 2000. A Dell'Oro não espera uma recuperação do mercado até que a implantação das redes 5G comece pra valer.

Para as operadoras, a 5G é uma oportunidade de expandir seus negócios em novas áreas.