Uber força motoristas em Seattle a ouvir propaganda contra sindicalização

Da Redação
13/03/2017 - 16h52
Segundo reportagem do WSJ, motoristas são obrigados a ouvir podcasts anti-sindicalização todos os dias antes de aceitar corridas

O Uber tem lutado nos últimos anos para evitar o reconhecimento de seus motoristas como funcionários,  já que ao fazê-lo a companhia teria de assumir custos com direitos trabalhistas.

Segundo reportagem do Wall Street Journal, a companhia tem recorrido agora a podcasts para tentar persuadir motoristas em Seattle de que vínculos empregatícios não seriam a melhor saída para os mesmos. Na cidade, motoristas estão muito próximos de formar um sindicato. 

O jornal reporta que motoristas precisam ouvir os áudios todos os dias antes mesmo de aceitarem as primeiras corridas.

Em dezembro de 2015, o Conselho da Cidade de Seattle votou anonimamente para dar aos motoristas do Uber o direito de sindicalizarem. Isso permite a eles se reunirem para exigir condições de trabalho e direitos trabalhistas. 

O Uber, por sua vez, já chegou a veicular anúncios anteriormente tentando convencer motoristas a evitar a sindicalização, indicando que ao fazê-lo, perderiam a flexibilidade de horas de trabalho.  

Em abril passado, o Uber pagou US$ 84 milhões para concluir processos nos estados da Califórnia e Massachusetts para ações coletivas movidas contra a companhia em 2013. 

As ações defendiam que seus motoristas deveriam ser classificados como funcionários e, portanto, receber benefícios como combustível e custos como manutenção dos veículos.

O Uber tem se envolvido em uma série de polêmicas, incluindo desde comportamentos de seu CEO, Travis Kalanick, a acusações de assédio sexual. Em fevereiro, Kalanick apareceu em um vídeo discutindo com um motorista do seu próprio aplicativo após uma corrida. 

Também em fevereiro, a engenheira de computação Susan Fowler alegou em post publicado em seu blog pessoal que sofreu assédio sexual enquanto trabalhou na companhia. Susan deixou o Uber em dezembro de 2016 para trabalhar na startup Stripe.

Segundo Susan, o departamento de Recursos Humanos e a gestão superior da empresa teriam se recusado a tomar providências drásticas contra seu chefe, mesmo depois de ela e outra mulheres, também funcionárias do Uber, terem reclamado de assédio sexual e de comportamento sexista da parte dele.