LinkdedIn quer ajudar pessoas com menos habilidades a encontrarem emprego

John Ribeiro, IDG News Service
22/02/2017 - 16h03
Rede social comprada pela Microsoft está endereçando mercado de empregos que exigem poucas qualificações com o seu novo Projeto Sangam

A Microsoft lançou o Projeto Sangam, um serviço em nuvem integrado com o LinkedIn, que ajudará a treinar e a gerar empregos para trabalhadores de média e baixa qualificação.

A rede profissional, adquirida pela Microsoft em dezembro, tem sido geralmente associada com profissionais urbanos, mas a empresa está planejando agora estender seu alcance a pessoas não, necessariamente, tão qualificadas na Índia. 

Tendo conectado profissionais qualificados a oportunidades de trabalho e treinamento ao redor do mundo por meio do LinkedIn Learning, a plataforma está agora desenvolvendo um novo conjunto de produtos que estende este serviço para trabalhadores de baixa e semi-qualificação, disse o CEO da Microsoft Satya Nadella em um evento sobre transformação digital em Mumbai nesta quarta-feira (22).

O Projeto Sangam, que se encontra ainda em preview privado, é o “primeiro projeto resultado da união do LinkedIn e a Microsoft, onde estamos construindo este serviço em nuvem com profunda integração com o LinkedIn, para que possamos começar a lidar com esse enorme desafio de como fornecer a cada pessoa na Índia a oportunidade de elas se profissionalizarem para os trabalhos que estarão disponíveis”.

O LinkedIn também planeja um produto para colocação de universitários no mercado de trabalho, acrescentou Nadella.

Ainda nesta quarta-feira, a Microsoft anunciou o Skype Lite, uma versão do Skype que consome menos dados. A empresa também está oferecendo uma versão 'lite' do LinkedIn, uma estratégia que reconhece que fornecedores em países como a Índia não ofertam internet rápida. 

Segundo Nadella, o LinkedIn Lite trabalha em redes 2G e é quatro vezes mais rápido do que o original;

Um grande número de trabalhadores pouco qualificados e semi-qualificados ainda usa celulares básicos, o que provavelmente será um desafio à medida que a Microsoft tenta popularizar o serviço.

Nadella também apoiou um controverso projeto patrocinado pelo governo indiano para usar dados biométricos coletados de mais de 1 bilhão de pessoas como um mecanismo de autenticação para uma variedade de serviços oferecidos pelo governo e pelo setor privado.

O projeto, chamado Índia Stack, visa usar um sistema biométrico, chamado Aadhaar, para facilitar a troca digital de informações. Na terça-feira, a Microsoft disse que o Skype Lite suporta a autenticação Aadhaar, apontando para potenciais usos da tecnologia, como para verificar a identidade de um candidato para uma entrevista de trabalho em vídeo. 

O Projeto Sangam também oferece autenticação usando Aadhaar. O Skype Lite é outro exemplo de como a India Stack está impulsionando a agenda de inovação da empresa, disse o executivo em Mumbai. Ele anunciou em Bangalore que os produtos de usuários finais da empresa, incluindo o Windows, seriam "grandes participantes na India Stack".

O projeto Aadhaar foi criticado devido a sua coleta de informações biométricas, como as impressões digitais e as varreduras de íris de pessoas em um banco de dados central, algo que poderia ser usado indevidamente por governos e hackers que poderiam ter acesso aos dados. O governo tem tentado ampliar o uso do Aadhaar, inicialmente concebido para a distribuição de benefícios e subsídios do governo, para uma variedade de serviços financeiros e outros.

"É realmente vergonhoso que a Microsoft esteja apoiando o projeto de vigilância centralizada do governo indiano, que aumentou dramaticamente a fragilidade da sociedade indiana da informação", disse Sunil Abraham, diretor executivo do Center for Internet and Society, organização de pesquisa baseada em Bangalore.

"Como cidadãos indianos, devemos perceber que a Microsoft terá a nossa biometria ou nossos fatores de autenticação que podem ser usados para nos enquadrar em crimes ou limpar nossas contas bancárias", acrescentou.