Uber anuncia comitê independente para investigar acusações de assédio

Da Redação
21/02/2017 - 11h36
Comitê inclui o ex-Procurador Geral dos EUA, Eric Holder; Arianna Huffington; a diretora jurídica Angela Padilha e a advogada Tammy Albarran

A Uber Technologies está correndo contra o tempo para gerenciar o estrago em sua reputação provocado pela denúncia de assédio sexual e sexismo entre funcionários que foi publicada pela engenheira Susan Fowler, ex-funcionária da empresa, em seu blog pessoal no domingo.

O CEO da Uber, Travis Kalanick, repudiou o suposto comportamento sexista denunciado por Fowler em um comunicado para a mídia no domingo, e anunciou que abriria uma investigação profunda interna. A empresa comunicou nesta segunda-feira (20/02) ter contratado o ex-Procurador Geral dos EUA,  Eric Holder, para liderar o comitê independente que vai investigar as acusações da engenheira, de que a empresa teria falhado em endereçar corretamente as denúncias de assédio sexual que ela e outras funcionárias teriam levado ao departamento de Recursos Humanos.

O comitê também vai incluir a sócia de Holder no escritório de advocacia Covington & Burling, Tammy Albarran, a jornalista e empreendedora Arianna Huffington, que faz parte do board da companhia; e Angela Padilla, diretora jurídica da Uber. Segundo Kalanick, a missão do grupo será "produzir uma revisão independente para questões específicas relacionadas ao ambiente de trabalho". Mas o Uber vai ter de trabalhar duro para convencer a opinião pública, pois nas redes sociais circulava a discussão sobre o quão independente esse comitê conseguiria ser.

Menos de 20% são mulheres

Além de criar o comitê independente de investigação, a empresa também liberou na segunda-feira o percentual de mulheres de fazem parte do seu quadro de engenheiros, gerentes de produto e cientistas: 15,1%, um número que não sofreu grandes mudanças desde o ano passado. Em um email aos funcionários, que também circulou pela mídia, Travis Kalanick escreveu que ele e a chefe de recursos humanos, Liane Hornsey, vão trabalhar para publicar um relatório de diversidade mais amplo sobre o Uber nos próximos meses.

No seu post, a engenheira Susan J. Fowler afirmou que teria havido um êxodo de mulheres no grupo em que ela trabalhava por causa da discriminação contra mulheres e a política da gestão superior, fazendo com que a fatia de mulheres na divisão caísse de 25%, em novembro de 2015, quando ela entrou na empresa, para apenas 3% quando ela pediu demissão, em dezembro de 2016. Isso dentro de um total de 150 funcionários do grupo.