Engenheira alega assédio sexual e CEO do Uber abre investigação urgente

Silvia Bassi
20/02/2017 - 09h04
Depoimento publicado neste domingo (19/02) pela ex-funcionária da Uber, Susan Fowler, recebeu resposta imediata do CEO Travis Kalanick

A engenheira de computação Susan Fowler, que deixou o Uber em dezembro de 2016 para trabalhar na startup Stripe, colocou a internet em polvorosa neste domingo, 19/02, ao publicar em seu blog na internet um depoimento detalhado do seu ano trabalhando na Uber e os enfrentamentos de sexismo e assédio sexual que teria sofrido na empresa durante esse período.

Susan Fowler alega no documento que a empresa (o departamento de Recursos Humanos e a gestão superior) teria se recusado a tomar providências drásticas contra seu chefe, mesmo depois de ela e outra mulheres, também funcionárias da Uber, terem reclamado de assédio sexual e de comportamento sexista da parte dele. 

Em seu texto a engenheira escreve que teria recebido da empresa a informação de que seu chefe era um funcionário "de alta performance" e que a empresa não se sentia confortável em dar mais do que uma advertência a ele, por conta do que poderia ser "um erro inocente de sua parte".

O CEO da Uber, Travis Kalanick, reagiu rapidamente ao post e liberou para a mídia uma declaração horas depois dizendo que Fowler descrevia "uma aberração que vai contra tudo o que o Uber defende e acredita". Ele alegou que não tinha conhecimento das reclamações de Susan Fowler e que instruiu o diretor de recursos humanos da empresa a "conduzir uma investigação urgente sobre as alegações".

"Buscamos fazer do Uber um lugar de trabalho justo e não há lugar para esse tipo de comportamento no Uber. Se alguém se comportar dessa forma ou achar que isso está ok, será demitido", escreveu Kalanick.

O post de Susan Fowler, batizado de Reflecting On One Very, Very Strange Year At Uber (Reflexões sobre um ano muito, muito estranho no Uber), causou barulho e irritou investidores famosos do Uber como Chris Sacca e Jason Calacanics, e Arianna Huffington, que faz parte do board da companhia, e informou via Twitter que vai pedir uma investigação independente sobre o fato.