Zuckerberg é pressionado para deixar presidência do conselho do Facebook

Da Computerworld
08/02/2017 - 09h52
Grupo de acionistas querem a substituição do CEO do conselho, que também é formado por membros de uma associação de defesa do consumidor nos EUA

O Facebook está sendo pressionado por um grupo de acionistas que querem a remoção do CEO Mark Zuckerberg do conselho de administração. Os acionistas alegam que um presidente independente seria melhor para "supervisionar os executivos da empresa, melhorar a governança corporativa e definir uma agenda mais responsável, pró-acionistas", segundo o site VentureBeat, que teve acesso à carta com o pedido dos acionistas.

O grupo que quer a saída de Zuckerberg do conselho é formado por acionistas que também são membros da associação de defesa do consumidor SumOfUs. A entidade é composta por uma comunidade online que realiza campanhas para denunciar empresas envolvendo várias questões globais, tais como mudanças climáticas, direitos dos trabalhadores, discriminação, direitos humanos, corrupção e disputas de poder no âmbito corporativo.

Procurado pelo site, o Facebook se recusou a comentar sobre a carta, mas provavelmente deve emitir uma declaração quando a procuração com a proposta dos acionistas for arquivada em abril, como é norma no mercado.

Lisa Lindsley, consultora de mercado de capitais para SumOfUs, disse a VentureBeat que 333 mil pessoas assinaram a petição solicitando que o Facebook melhore sua “cidadania” corporativa, embora apenas 1,5 mil sejam acionistas da empresa. "As ações detidas por quatro membros da SumOfUs nos permitiram apresentar esta proposta", disse ela.

A proposta cita a nova estrutura de capital aprovada pelo Facebook no ano passado como exemplo de desequilíbrio de poder. Durante assembleia de acionistas da empresa realizada em junho, os participantes foram convidados a votar sobre uma proposta de emissão de ações, de classe C, numa clara tentativa de manter Zuckerberg no controle. Apesar de aprovada, Facebook agora terá de se defender devido ao litígio provocado por um acionista o qual afirma que o negócio é injusto.

A emissão de ações classe C teve como objetivo ajudar Zuckerberg continuar no comando e "incentivar" os que continuam envolvidos com a empresa no longo prazo. O plano veio depois que o CEO do Facebook em 2015 anunciou que ele e sua esposa, Priscilla Chan, doariam 99% das ações da família a vários grupos, para promover principalmente a igualdade de crianças.

A carta afirma que valor para o acionista será reforçado com um conselho independente, "que pode fornecer um equilíbrio de poder entre o CEO e o presidente do board." O documento ressalta que que este "indivíduo seria muito construtivo" num momento em que o Facebook "enfrenta crescentes críticas sobre o seu papel na promoção de notícias falsas, censura, discursos de ódio e supostas inconsistências na aplicação das diretrizes de comunidade da rede social e políticas de conteúdo, bem como a colaboração com agências de inteligências de governos, entre outras práticas.