Twitter é processado por familiares de vítimas do Estado Islâmico

Sharon Gaudin, Computerworld (EUA)
11/01/2017 - 11h24
Familiares de três americanos mortos em atentados distintos alegam que rede social atua como "arma para o terrorismo"

As famílias de três americanos mortos em ataques terroristas pelo grupo que se autoproclama Estado Islâmico (ISIS) estão processando o Twitter, alegando que a rede social oferece suporte para o grupo e atua como uma “poderosa arma para o terrorismo”. 

O processo foi entregue no último final de semana no tribunal federal em Nova York em nome dos familiares de três cidadãos americanos, que foram mortos em atentados no dia 22 de março, de 2016, no ataque em Bruxelas, e no dia 13 de novembro, 2015, nos ataques em Paris. Ao menos, 32 pessoas morreram no ataque em Bruxelas e 130 nos ataques em Paris. 

“O Twitter e seus serviços oferecem enorme utilidade e valor para o ISIS como uma ferramenta para conectar seus membros e facilitar a habilidade do grupo terrorista se comunicar, recrutar membros, planejar e efetuar ataques, e incitar medo em seus inimigos”, alega o processo. 

No ano passado, o Twitter também foi alvo de um processo similar. O pai de Nohemi Gonzalez, morta no atentado em Paris, entrou com processo contra o microblog, além do Facebook e YouTube por supostamente permitir que o grupo ISIS usasse suas redes como uma ferramenta para espalhar propaganda extremista, levantar fundos e atrair novos membros.  

Em dezembro, as famílias de três vítimas do atentado à boate Pulse, na Flórida, processaram o Facebook, Twitter e Google pela mesma razão. Quarenta e nove pessoas foram mortas no ataque. 

A questão, se o caso for a julgamento, é se uma rede social pode ser responsabilizada pelas ações de qualquer um de seus usuários.  

“Enquanto eu certamente me compadeço com as famílias, é difícil para eu ver como o Twitter pode ser responsabilizado pela ascensão do ISIS e outras atividades de extremismo”, disse Dan Olds, analista da OrionX. “Vamos imaginar o mundo há algumas décadas, antes da Internet. Alguém culparia a AT&T pelas atividades criminosas que foram planejadas por telefones?”.

Em resposta aos ataques, o Twitter tomou algumas ações para prevenir que terroristas usem sua rede. 

Em agosto, a companhia reportou que nos seis meses anteriores, suspendeu 235 mil contas por violar suas políticas relacionadas a promoção do terrorismo. 

O balanço é uma adição às 125 mil contas que já tinham sido suspensas em meados de 2015, levando o número total de contas suspensas a 360 mil. 

Olds diz que seria impossível o Twitter barrar 100% dos terroristas a todo tempo, mas diz que a companhia poderia fazer um trabalho melhor nesse processo. 

"Mensagens de terroristas deveriam ser capazes de serem erradicadas com algum software sólido de processamento de linguagem", disse Olds. "Eu gostaria de vê-los fazer mais nesse sentido. A tecnologia está lá, eles só precisam adaptá-la às tarefas anti-terroristas".

Se o Twitter perder a ação, o impacto em outras redes sociais seria grande. 

“Redes sociais seriam forçadas a manter-se muito mais atentas em outras atividades de usuários e reprimir tudo aquilo que poderia ser interpretado como “mau”, diz Olds. “O resultado final poderia ser uma censura auto-imposta por parte das redes, o que poderia aborrecer muito usuários. Mas não vejo isso acontecendo, pelo menos não com este caso”.