Sem nome e sem CEO? O que muda no Yahoo com a venda para a Verizon

PC World / EUA
10/01/2017 - 18h11
Quando o negócio de US$4,8 bilhões for finalizado, empresa será dividida em duas partes. No entanto, marca Yahoo deve continuar sob a comando da operadora.

A CEO do Yahoo, Marissa Mayer, está se preparando para dizer adeus ao conselho da empresa, mas não necessariamente para a marca Yahoo.

Em um novo documento registrado junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), a empresa afirma que vai se livrar de quase tudo que compõe o Yahoo, incluindo seu nome, quando o negócio de venda para a operadora americana Verizon for finalizado.

Caso você seja um acionista do Yahoo, então vai notar a diferença. Mas as consequências desse anúncio serão mínimas para os usuários do Yahoo.

Isso porque o Yahoo possui duas propriedades principais: uma rede mundial de portais de Internet, e 15% de participação na gigante chinesa de e-commerce Alibaba, que vale muitas a anterior. Quando um plano para vender sua fatia do Alibaba esbarrou em complicações fiscais, a empresa decidiu vender sua marca, em vez de seus portais – na verdade, quase tudo com exceção da fatia da Alibaba – para a Verizon. É esperado que a Verizon junte as atividades do portal do Yahoo com o AOL, que a operadora comprou em 2015.

Em julho, logo após a Verizon anunciar a compra do Yahoo, o CEO da AOL, Tim Armstrong, disse ao TechCrunch: “A marca Yahoo vai continuar conosco por muito tempo, vamos investir nela”, afirmou o executivo, que possui uma boa relação com Marissa Mayer. “Penso que poderemos trabalhar muito bem juntos.” Na época, a CEO do Yahoo afirmou que “ama” a empresa e que quer “ver o Yahoo em seu próximo capítulo”.

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Nos meses seguintes, o Yahoo admitiu dois vazamentos gigantes de dados, provavelmente os maiores da história. Em setembro, a empresa reconheceu que detalhes de 500 milhões de contas tinham sido roubados em 2014. Em dezembro, foi a vez da companhia revelar que os detalhes de 1 bilhão de contas foram roubados em um outro ataque, realizado em 2013.

As notícias sobre os vazamentos mancharam a marca do Yahoo e a reputação da sua equipe de gerenciamento e fizeram surgir rumores de que a Verizon estaria buscando renegociar ou até mesmo abandonar o negócio. No entanto, a publicação do documento à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos indica que tudo está de pé.

Para nos poupar de possíveis confusões para diferenciar a marca Yahoo de um lado e a empresa Yahoo do outro, a companhia planeja mudar seu nome para Altaba assim que o negócio for finalizado.

Assim que a Verizon assumir o controle dos portais e da marca Yahoo, o principal objetivo da nova Altaba será funcionar como um veículo de investimentos para as fatias que possui do Alibaba e do Yahoo Japan, uma empresa independente da qual o Yahoo possui apenas 35,6% - o restante é da companhia japonesa Softbank, que comprou recentemente a ARM.

As regras para empresas de investimentos significam que a Altaba poderá operar com um conselho de diretores menor após a compra pela Verizon. Por isso, “imediatamente após o negócio ser finalizado, o tamanho do conselho será reduzido de 11 para 5 diretores”, segundo afirmou o Yahoo no documento publicado nesta semana junto à SEC. Neste caso, Marissa e outros cinco diretores vão sair do conselho.

A Verizon se recusou a comentar o documento do Yahoo na SEC e o próprio Yahoo não estava disponível para responder as perguntas da PC World dos EUA até o fechamento da reportagem.

Vale notar que o CEO da AOL, Tim Armstrong, ainda parece positivo sobre trabalhar com Marissa Mayer. Em dezembro, o executivo disse à Business Insider que, apesar de não poder falar pela CEO do Yahoo, ele gostaria que ela continuasse desenvolvendo as atividades do Yahoo na Verizon. “Espero que, à medida que a gente avance, Marissa tenha um papel em levar o Yahoo para a próxima geração do que será o Yahoo”. 

Por isso, Marissa Mayer vai deixar a Altaba e não o Yahoo. E vai levar a maior parte do Yahoo com ela.