O que esperar do Bitcoin em 2017

Da Redação
09/01/2017 - 12h09
CEO do MercadoBitcoin.com.br, Rodrigo Batista, analisa o cenário internacional para moeda digital em 2017

A moeda digital bitcoin teve grandes conquistas em 2016, tendo atingido o valor de  R$3.699 no dia 28 de Dezembro, o maior preço da história, segundo o MercadoBitcoin.com.br, empresa que opera moedas digitais no Brasil.

No fim do ano passado, o valor de todos os Bitcoins somados chegou a 16 bilhões de dólares. Existem hoje 16 milhões de moedas em circulação no mercado, e elas chegarão a um total emitido de 21 milhões em 2033, avalia a casa de câmbio. 

A principal característica que gera valor ao Bitcoin é sua escassez. Assim, a vontade das pessoas de comprar ou vender Bitcoins é o que determina seu preço.

O CEO da companhia, Rodrigo Batista, avalia algumas das principais variáveis que podem afetar a procura e, por consequência, o preço da moeda em 2017. Confira a seguir:

1 – Donald Trump na presidência dos EUA

Em dezembro, quando o Bitcoin estava na casa dos 700 dólares o banco de investimento Saxos publicou um artigo em que diz que as medidas econômicas sinalizadas por Donald Trump podem aumentar o déficit e a inflação nos EUA. Como o Bitcoin é imune a políticas monetárias de países, ele seria visto como uma alternativa de proteção. Segundo o banco, este fator poderia elevar o Bitcoin para 2100 dólares até o fim de 2017. No início deste ano ele já está sendo negociado a mais de 1000 dólares.

2 – Avanços técnicos na tecnologia do Bitcoin

No dia 3 de janeiro, os programas que formam o bitcoin completaram oito anos. Ou seja, ele é uma tecnologia ainda bem nova e em evolução. Pela novidade, ele ainda enfrenta diversos desafios técnicos, sendo que o principal deles é a capacidade limitada de processamento de pagamentos. Hoje a tecnologia consegue processar sete transações por segundo na melhor das hipóteses. A título de comparação a Visa pode processar mais de 50 mil transações por segundo.

Neste ano são esperados dois avanços técnicos no bitcoin. Um chamado SegWit, que visa diminuir o tamanho das informações trocadas nos pagamentos e, por consequência, aumentar o número de pagamentos possíveis por segundo. O outro é chamado Lightning Network, que é mais ambicioso e pretende remover o limite de transações.

3 – Índia, China e Venezuela

Populações de países cujas políticas econômicas e monetárias afetaram a moeda em circulação, estão tendo uma alta demanda na procura por bitcoins. Em novembro último a Índia proibiu e retirou do mercado as suas cédulas de valores mais altos, a China vem impondo nos últimos anos regras mais rígidas de controles de capitais e a Venezuela despedaçou sua economia. Nos três casos houve uma corrida intensa por bitcoins que pode se intensificar em 2017.

4 – Bitcoin negociado em Bolsa de Valores

Os irmãos Winklevoss, que ficaram famosos por terem processado o criador do Facebook, Mark Zuckeberg em briga pela paternidade da rede social, são dois dos maiores entusiastas de bitcoin. Ao ponto de há dois anos terem solicitado a criação de um produto de investimento para ser negociado em bolsas de valores, o chamado Bitcoin ETF. Espera-se que a CVM dos EUA dê sua resposta neste ano de 2017. Caso aprovado, o resultado prático deste produto é que será possível investir em bitcoins via Bolsa de valores nos EUA. O impacto potencial da aprovação deste produto sobre o preço do bitcoin e sobre a legitimidade da moeda é visto como enorme.