Como a realidade virtual levou a pornografia de volta para a CES

Luiz Mazetto, de Las Vegas*
06 de janeiro de 2017 - 18h00
Presença da produtora Naughty America quebra um tabu de quase 20 anos sem companhias de conteúdo adulto na tradicional feira de tecnologia em Las Vegas.

A presença da produtora de conteúdo adulto Naughty America na CES 2017 pode parecer algo normal, mas representa a quebra um tabu de quase 20 anos sem a participação de uma empresa ligada à pornografia na tradicional feira realizada em Las Vegas até o dia 8 de janeiro. E foi justamente a tecnologia, no caso a realidade virtual, que fez com que essa história mudasse.

Apesar de estar um tanto escondida e tímida, com pouca sinalização e localizada no fundo de um dos galpões do Centro de Convenções de Las Vegas, a sala da Naughty America está lá, com direito a diversas estações de demonstração com óculos de realidade virtual que passam clipes de filmes da produtora, uma das maiores do ramo.

Desde que a empresa de conteúdo adulto entrou no segmento de realidade virtual, em julho de 2015, o interesse (e os acessos) por esse tipo de conteúdo só aumentou, sendo que atualmente são centenas de milhares de downloads por mês, aponta o CIO da Naughty America, Ian Paul.

naughtyamericavr_625.jpg

Segundo o executivo, os vídeos em realidade virtual já respondem por algo entre 10% e 12% da audiência da plataforma. Não por acaso, a receita com esse tipo de conteúdo cresceu 350% apenas em 2016 no site. É preciso ser assinante do serviço para assistir aos vídeos, que são compatíveis com os principais headsets do mercado, incluindo modelos da Samsung, Oculus, HTC, Google e Sony.

Penthouse

E a Naughty America não é a única representante do mercado de conteúdo adulto na CES 2017. Isso porque a dona e CEO da Penthouse, Kelly Holland, esteve no stand do site de tecnologia Engadget nesta quinta-feira, 05/01, para falar sobre o futuro da pornografia.

Para Kelly, que já frequenta a CES há mais de 20 anos, uma coisa que não muda “é a fascinação das pessoas pelo sexo”. Por outro lado, aponta a executiva, o que muda “é como nós, os produtores de conteúdo, fornecmos isso. Por isso, é importante para mim vir até a CES para poder ver como as pessoas estão consumindo mídia”.

Com conteúdo em realidade virtual sendo produzido há dois anos e já em quantidade suficiente para lançar um canal apenas para o segmento, a Penthouse destaca que sempre apostou em diferentes tecnologias para se destacar no mercado, tanto que mantém até hoje canais em 3D em alguns países da Europa.

penthouseengadget_625.jpg

Para Kelly, que considera que o 3D foi mais um ponto de transição, um passo na evolução, a realidade virtual “é algo que muda tudo”. No entanto, ela alerta que “as pessoas que produzem esses vídeos em VR às vezes ficam tão vidradas na tecnologia que esquecem do conteúdo”.

Questionada se a pornografia em realidade virtual não poderia contribuir para um maior isolamento e distanciamento nas relações entre as pessoas, a CEO da Penthouse disse que “isso já acontece hoje em dia com o Facebook, estamos em mundo muito desconectado”. Entretanto, ela admite que a realidade virtual pode sim ter implicações negativas, tanto no conteúdo adulto quanto nos games. “O importante é saber gerenciar isso de forma responsável.”

*o jornalista viajou para Las Vegas a convite da organização da CES