Relembre os maiores erros, acertos e momentos WTF do Google em 2016

PC World / EUA
28 de dezembro de 2016 - 11h00
Gigante de buscas acertou em cheio com os novos smartphones Pixel e o renovado Google Photos, mas também cometeu algumas mancadas que valem ser lembradas.

Com a reestruturação corporativa fora do caminho, 2016 foi um ano de reconstrução para o Google e sua empresa mãe, a Alphabet.

Neste ano, o Google ficou muito mais sério sobre hardware, enquanto também apostou alto na Inteligência Artificial como o coração do seu software. Os produtos que se encaixaram nesta missão foram renovados, mas aqueles que não acabaram sendo ignorados ou finalizados.

Confira abaixo nossa retrospectiva sobre o que o Google fez de certo e errado em 2016.

Acerto: hardware

A partir de 2016, o Google não está mais apenas no banco do passageiro no mercado de hardware para consumidores finais. Os novos smartphones Pixel são os primeiros a trazer apenas o logo do Google - sem mais compartilhar o espaço com outra fabricante - e são uma clara mudança em relação aos Nexus dos anos anteriores. A empresa também mirou o rival Amazon Echo com o impressionante alto-falante inteligente Google Home, além de outros aparelhos interessantes como o roteador Google WiFi e o headset de realidade virtual Daydream View.

E esses não são apenas esforços únicos, mas fazem parte de um novo impulso por hardware que provavelmente trará novas versões com uma periodicidade básica, e o Google já começou com o pé direito.

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Erro: Hangout com Allo e Duo

Uma das iniciativas mais confusas do Google neste ano foi o lançamento de dois novos apps de comunicação, o Allo para mensagens de texto e o Duo para videochamadas. Os apps em si são legais, mas eles se sobrepõe com os já existentes Google Hangouts e o app de mensagens padrão do Android.

E o Google também não conseguiu convencer muita gente a mudar para o Allo e o Duo, o que pode explicar por estão apenas no 152º lugar e 265º lugar, respectivamente, na Google Play Store. A empresa terá de se mexer em 2017 para mudar isso.

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Acerto: Google Assistant

Apesar de os novos aparelhos do Google serem impressionantes pelo lado de fora, o que importa mesmo é a Inteligência Artificial que está dentro. Os smartphones Pixel e o alto-falante Home são vitrines para o Assistant, que efetivamente transformam a engine de buscas do Google em uma IA que conversa com o usuário. O Google já derrota o Siri, da Apple, e a Alexa, da Amazon, em buscas básicas na Internet, mas a empresa também está dando passos bem pensados para uma integração com terceiros, para que você possa chamar um Uber ou controlar seu termostato de maneira ainda mais simples.

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Erro: para onde foram Wear e Android TV?

Os wearables e os aparelhos de streaming parecem ter sido deixados de escanteio pelo Google em 2016, uma vez que a empresa focou mais em IA para smartphones e casas inteligentes. O Android Wear 2.0, um grande upgrade para o sistema de smartwatches da empresa foi anunciado em maio, mas acabou sendo adiado até 2017 - e a parceira de hardware de longa data, a Motorola, afirmou que não planeja novos smartwatches em meio a apatia dos consumidores.

Quanto à Android TV, o Google ainda parece pouco interessado no projeto. Não foram liberados grandes updates de sistema neste ano, e a única set-top box nova que chegou ao mercado, Xiaomi Mi Box, não recebeu muita atenção por parte do Google em seu lançamento.

Acerto: apps Android no Chrome OS

Como máquinas leves para navegar pela web, os Chromebooks fazem um ótimo trabalho, mas os esforços para estabelecer um ecossistema para web apps nativos nunca ganhou muita força. Então o Google adotou uma estratégia diferente em 2016, levando todo o catálogo de apps Android. 

Apesar de nem todos os Chromebooks possuírem suporte para os apps Android ainda, os que possuem parecem aparelhos totalmente diferentes. Esses aplicativos também podem representar o primeiro passo em direção a uma fusão mais ampla entre o Chrome OS e o Android, abrindo caminho para híbridos de laptop-tablet mais úteis do Google.

Erro: fim do Project Ara

O Google tinha objetivos nobres com o Project Ara, um smartphone que queria acabar com o desperdício de componentes eletrônicos ao permitir que os usuários trocassem determinadas partes do aparelho. Mas, após quase três anos de desenvolvimento, com inúmeros atrasos e mudanças de estratégia, o Google abandonou o projeto sem muito alarde. 

Apesar do Google não ter dado uma razão oficial para o cancelamento, o Ara não se encaixava nesta nova estratégia de hardware com IA do Google, e ainda não está claro qual o tamanho da demanda que existia pelo conceito para começo de conversa. Mas o licenciamento da tecnologia para outras fabricantes continua sendo uma possibilidade.

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Acerto: segunda onda do Google Keep

O Google Keep costumava ter um ar de um produto negligenciado, com poucos updates significativos que ajudariam o app a competir com outros serviços de anotações como o Evernote e o Microsoft OneDrive. Mas isso mudou em 2016, à medida que o Google entregou muitos novos recursos como etiquetagem automática, notas destacadas, atalhos para iOS, maior integração com o Chrome, conversão de letra de mão para texto. Entre essas novidades e o app para iOS que saiu no fim de 2015, o Google Keeper parece cada vez mais interessante.

Erro: confusão da Alphabet

Em 2015, o Google criou uma empresa holding chamada Alphabet, cujo objetivo era criar empresas sustentáveis a partir de esforços experimentais como direção autônoma, acesso à Internet e ciências da vida. A Alphabet ainda não fez muito progresso, com os negócios que não incluem o Google perdendo 3,6 bilhões de dólares no ano passado, e outros 2,5 bilhões de dólares nos três primeiros trimestres de 2016.

Essas perdas foram pontuadas pela saída do CEO da Nest, Tony Fadell, após o drama da empresa tornar-se público, e uma grande redução do Google Fiber. Talvez os cortes e mudanças coloquem a Alphabet em uma posição melhor no próximo ano, mas há poucas evidências até o momento de que as apostas arriscadas da companhia estão valendo a pena.

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Acerto: Google Photos brilha

O Google Photos já era um destaque em 2015 graça ao armazenamento ilimitado e reconhecimento facial impressionante. Neste ano, o app ficou ainda melhor com novas opções de classificação, animações baseadas em vídeos, suporte para as Live Photos (do iOS), melhorias em compartilhamento com os usuários, e - provavelmente o melhor de tudo - uma maneira fácil de digitalizar fotos impressas. 

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Erro: a perpétua obscuridade da privacidade

O que seria um ano na vida do Google sem cruzar algumas barreiras de privacidade? A transgressão de 2016 envolveu uma atualização da política de privacidade que permite ao Google combinar informações de cookies do DoubleClick – essencialmente, dados sobre a sua navegação – com informações pessoalmente identificáveis de outros serviços do Google.

Como o ProPublica afirmou em outubro, a mudança poderia permitir ao Google “construir um retrato completo de um usuário por nome, com base em tudo que já escreveram em e-mails, todos os sites que visitaram, e as buscas que realizaram”. O fundador do Google, Sergey Brin, uma vez jurou não combinar esses dados. O impulso por analisar mais dados de usuários também pode explicar a razão pela qual o Google retrocedeu neste ano na criptografia de ponta a ponta para o seu novo app de mensagens Allo. Se você precisava de motivos para não confiar na gigante de buscas, 2016 forneceu vários e vários deles.

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Momento WTF: Fuchsia OS

Apesar de o Google já possuir dois sistemas operacionais (Android e Chrome OS), alguns funcionários da gigante agora estão trabalhando em um terceiro, chamado Fuchsia. O projeto ainda está no seu início, e é bastante misterioso, mas chama a atenção por começar com um kernel de sistema totalmente novo, em vez de se basear em kernels mais antigos como Linux e Unix. 

O objetivo, pelo que parece, é criar um novo sistema do zero que seja melhor em lidar com aparelhos conectados em menor escala. Quanto a virar algo grande ou permanecer apenas uma curiosidade, teremos de esperar mais um pouco para saber.