EUA agora pedem dados de redes sociais para turistas estrangeiros

PC World / EUA
23 de dezembro de 2016 - 16h48
Medida foi criticada por diversos grupos de proteção dos direitos civis, que preveem que comunidades árabe e muçulmana serão prejudicadas.

Os visitantes dos EUA por meio de um programa sem visto estão recebendo pedidos do Departamento de Segurança dos EUA por informações sobre as suas contas em redes sociais, uma iniciativa que vem recebendo críticas de grupos de proteção aos direitos civis por seu potencial ataque contra a privacidade.

A unidade de Customs and Border Protection, do departamento, pediu por comentários escritos neste ano em sua proposta que adicionaria ao Electronic System for Travel Authorization (ESTA) e a um formulário chamado I-94W a seguinte declaração: “Por favor, insira informações associadas com a sua presença online – Provedor/Plataforma – Identificador de Redes Sociais”, que os turistas podem preencher de maneira opcional.

A agência afirmou em junho deste ano que coletar dados de redes sociais ajudaria a fornecer ferramentas adicionais para “melhorar o processo investigativo existente e fornecer ao Departamento de Segurança mais clareza e visibildade a possíveis atividades e conexões abomináveis”. Apesar de o fornecimento de informações sobre sua presença em redes sociais estar listado como opcional, críticos da iniciativa dos EUA afirmam que o não preenchimento desses dados por um turista pode também ser interpretado como algo que exige uma maior análise pelas autoridades.

O atual formulário ESTA pede por informações no “Provedor/Plataforma”, e por nome de usuário, nickname ou outro identificador associado com o perfil em uma rede social.

O novo campo entrou em vigor nesta semana, segundo o site especializado Politico, que cita uma fonte anônima dentro do governo.

O programa que dispensa visto permite que grande parte dos moradores dos países participantes viajem para os EUA a turismo ou trabalho com estadia de até 90 dias sem precisar obter um visto, desde que atendam determinadas condições.

Organizações como American Civil Liberties Union, Center for Democracy & Technology e Electronic Frontier Foundation criticaram a proposta do Departamento de Segurança, alegando que as pessoas que representam uma ameaça para os EUA provavelmente não fornecerão identificadores online que pudessem levantar questões sobre a sua possibilidade de entrar nos EUA. Os grupos também alertaram que a medida mais provavelmente vai afetar pessoas das comunidades árabe e muçulmana. 

A iniciativa do Departamento de Segurança acontece em meio a preocupações de que a administração do recém-eleito Donald Trump vá aumentar a análise sobre os visitantes dos EUA, com um foco em muçulmanos.