Em novo relatório, governo Obama pede mais investimentos em IA

PC World / EUA
22 de dezembro de 2016 - 17h31
Em último relatório sobre tecnologia, administração do atual presidente pede também mais investimentos em educação para acompanhar avanço da IA.

Uma das coisas mais importantes que os EUA podem fazer para melhorar o crescimento econômico é investir em Inteligência Artificial (IA), afirmou a Casa Branca, em um novo relatório. Mas também há um lado negro nesta avaliação.

Sistemas inteligentes impulsionados pela Inteligência Artificial possuem potencial para substituir milhões em seus empregos, como caminhoneiros. Mas os potenciais negativos podem ser recompensados por investimentos em educação assim como assegurar de que exista uma rede de segurança para ajudar as pessoas afetadas, apontou a Casa Branca, no que provavelmente será o último relatório da administração Obama sobre políticas de tecnologia.

Algumas das recomendações do relatório, que incluem uma maior ajuda ao desemprego e acesso a serviços de saúde, podem ser uma maldição para um Congresso controlado por Republicanos com um foco em redução de impostos e cortes de gastos.

Mas o relatório, intitulado "Artificial Intelligence, Automation, and the Economy", que estava sendo desenvolvido bem antes do dia da eleição, também descreve mudanças mais amplas impulsionadas pela tecnologia que impactarão empregos e podem trazer problemas para o novo presidente dos EUA, Donald Trump.

A “maior preocupação” sobre a IA “é que não teremos o bastante dela - e não teremos crescimento de produtividade suficiente”, afirmou o diretor do White House Council of Economic Advisers, Jason Furman. “Qualquer coisa que pudermos fazer para ter mais IA vai contribuir para um maior crescimento de produtividade e ajudará a aumentar o crescimento de renda e salários.”

O relatório aponta que “avanços em tecnologia IA trazem um potencial incrível de ajudar os EUA a continuarem à frente em termos de inovação” e que o governo “possui um papel importante para desempenhar no avanço da IA ao investir em pesquisa e desenvolvimento”.

Furman antes coloca os investimentos do governo dos EUA em IA em torno de 200 milhões de dólares por ano, mas os investimentos privados em 2,4 bilhões de dólares por ano.

Mas se você ler o relatório de forma mais profunda, a sociedade futura que ele descreve pode ser um pouco hostil e desesperada. Será uma sociedade em que as máquinas inteligentes avançam na ocupação e os benefícios econômicos vão para aqueles com mais habilidades - os “poucos afortunados”, e os donos do capital, ou os 0,01% mais ricos. Neste cenário, a desigualdade cresce.

Evitar um futuro sombrio como esse exigirá investimentos, especialmente em educação, aponta Furman. Em mudanças econômicas anteriores relacionadas à manufatura, “estávamos realmente fazendo um grande investimento para ter certeza que as pessoas poderiam aproveitar os novos tipos de empregos”.

No entanto, o crescimento da produtividade desacelerou nos últimos anos, apesar da revolução da tecnologia. A taxa de crescimento de produtividade era de 2,5% após 1995, mas caiu para 1% depois de 2005, aponta o documento.

Para Furman, essa desaceleração na produtividade foi causada, em parte, por um declínio nos gastos com educação.

“Não aumentamos os nossos investimentos em educação como fizemos nas décadas de 1930, 1940 e 1950”, aponta. Essa é uma das razões pelas quais “temos visto um aumento da desigualdade nas últimas duas décadas”.