Google é processado por supostas práticas abusivas de confidencialidade

John Ribeiro, IDG News Service
21/12/2016 - 11h32
Ex-Googler ainda alega que sua demissão foi usada de exemplo para que funcionários sejam forçados a concordar com políticas da empresa

Um gerente de produto do Google processou a companhia por seus supostamente acordos, políticas e práticas de confidencialidade que entre outras coisas proíbem seus funcionários de falarem internamente sobre conduta ilegal e defeitos de produtos por medo de que tais declarações possam ser usadas durante litígio ou possíveis solicitações do governo. 

As supostas políticas, que violariam as leis da Califórnia, restringem o direito de expressão de funcionários, trabalho ou denúncia e inclui restrições sobre comunicar com o governo, advogados ou imprensa sobre falhas no Google ou mesmo “falar com esposa ou amigos sobre se eles acreditam que seus chefes poderiam fazer um trabalho melhor”, de acordo com uma queixa entrega na quinta-feira (20) ao Tribunal Superior da Califórnia para a cidade e condado de São Francisco.

“As políticas proíbem os Googlers de usar ou abrir suas habilidades, conhecimento e, sobretudo experiência no Google quando trabalharem para um novo empregador”, segundo a queixa,que alega que as políticas de confidencialidade da companhia são contrárias ao código de trabalho da Califórnia, políticas públicas e os interesses do estado.

O Time de Investigação Global do Google também confia em “voluntários” para reportarem outros funcionários que possam ter divulgado qualquer informação sobre a companhia, algo que ilustra uma imagem contrastante daquela que o mundo está acostumado em enxergar como o ambiente positivo de trabalho do Google. 

Ainda de acordo com o processo, sob um programa chamado “Stopleaks”, algo como “Pare vazamentos”, o Google também pede que funcionários reportem sobre “coisas estranhas” ao seu redor como alguém perguntar coisas detalhadas sobre um projeto de um funcionário ou um cargo. Funcionários também são impedidos de escreverem histórias de ficção como “romances sobre alguém trabalhar em uma empresa de tecnologia no Vale do Silício”, sem a aprovação do Google sobre o roteiro e o rascunho final. 

A queixa ainda ressalta que o caso não diz respeito aos segredos comerciais do Google, privacidade do consumidor ou informações que não devem ser divulgadas sob a lei, mas reflete a confidencialidade e outras políticas de uso da empresa para fins ilegais e impróprios.

Na ação, relatada primeiramente pelo The Information, o empregado que se apresentou anonimamente como John Doe, alega que Brian Katz, diretor de investigações globais, serviços de inteligência e de proteção do Google, informou falsamente a cerca de 65 mil funcionários do Google que o autor do processo foi demitido por vazamento de informações para a imprensa, sem nomeá-lo. De acordo com a queixa, Katz e Google usaram-no como bode expiatório para garantir que outros funcionários continuassem a cair em conformidade com as políticas de confidencialidade da empresa.

O Google não pode ser imediatamente alcançado para comentar o processo após o horário comercial. Alguns meios de comunicação publicaram comunicado enviado pela empresa que declara que os seus requisitos de confidencialidade são projetados para proteger informações comerciais proprietárias, sem impedir que funcionários divulguem informações sobre termos e condições de emprego ou preocupações no local de trabalho.