Como o Google pretende avançar a próxima geração da inteligência artificial

Sharon Gaudin, Computerworld (EUA)
20 de maio de 2016 - 10h00
Anúncios de inteligência artificial e aprendizado de máquina marcaram conferência para desenvolvedores do Google

Muito do que o Google anunciou no primeiro dia de sua conferência para desenvolvedores, a I/O 2016, tem como foco ajudar usuários a responderem perguntas das quais eles nem pensaram em fazer ainda. Com isso, a inteligência artificial tem se provado uma estratégia chave no avanço da companhia. 

“O Google está apostando alto na inteligência artificial e eles precisam disso por que a Microsoft e o Facebook não estão muito atrás”, ressalta Patrick Moorhead, analista na empresa de consultoria Moor Insights & Strategy.

"A inteligência artificial determinará a experiência da próxima geração com todos os eletrônicos. Ela essencialmente prevê o que usuários querem antes de eles saberem disso. A I.A. é a próxima grande fronteira e o Google sempre foi pioneiro na área”.

Durante o keynote na última quarta-feira (18), a companhia revelou vários produtos que estão por vir, incluindo o Google Assistant, Google Home, os aplicativos Allo e Duo. E o que todos esses produtos têm em comum? Todos são alimentados pela inteligência artificial. 

“Esse é um momento crucial para a companhia”, disse o CEO do Google, Sundar Pichai, durante o keynote. “Simplesmente não é o bastante dar links às pessoas. Nós precisamos ajudá-las a resolver as coisas no mundo real. Nós estamos construindo as bases para isso por muitos, muitos anos”.

O que o Google está fazendo é estender toda a ideia e vocação de um motor de busca. 

Enquanto a companhia, que agora opera sob o guarda-chuva da holding Alphabet, ganha atenção por desenvolver carros autônomos, óculos e lentes de contato inteligentes e balões conectados, no final das contas, quem paga as contas do Google é o seu motor de buscas.

A companhia também teve seu início na I.A. com as buscas. Agora, ela tenta avançar a inteligência artificial para levar o motor de busca ao próximo nível – com um dispositivo para casa que consegue te oferecer opções de rota para fugir do trânsito e um aplicativo de chat que oferece sugestões em como responder a um amigo quando este te mostra fotos do seu novo cachorro, só para citar dois exemplos.

“Nós investimos a última década construindo a próxima geração”, disse Pichai. 

O Google, com sua legião de desenvolvedores e engenheiros, está levando adiante a inteligência artificial. Mas isso não seria nenhuma surpresa, diz Ezra Gottheil, analista na Technology Business Research.

“Esse não é um novo foco repentino em I.A.”, diz Gottheil. “Na verdade, você poderia dizer que o Google foi fundado sobre a I.A., se você adota a definição moderna, que está usando dados e algoritmos para tornar produtos inteligentes. Eles já o fizeram desde o início no motor de busca ao torná-lo mais inteligente do que o dos seus competidores”. 

Agora o Google está usando I.A. assim como aprendizado de máquina para melhorar uma gama maior de produtos. 

“E por que eles não fariam?”, pergunta Gottheil. "O Google possui mais dados sobre interações humanas em computação do que qualquer um no universo. O Google, de certa forma, começou usando inteligência artificial, mas agora está a usando para encontrar coisas que você necessariamente não pediu, como se alguém te oferecesse uma toalha quando você sai da piscina. Isso é inteligente”.

Com essa tecnologia, o Google também pode ajudar empresas na inundação de dados que elas estão levantando em suas nuvens. Elas possuem enormes quantidades de dados, mas ainda não descobriram o que fazer com eles. 

“Com aprendizado de máquina, nós estamos apenas arranhando a superfície do que pode ser possível”, disse Rajen Sheth, gerente de produto no Google Enterprise. 

"Pense nos dados que empresas têm e o que elas precisam fazer com isso para se tornarem efetivas. É sobre fazer sentido com dados e padrões que pessoas não podem ver. Aprendizado de máquina permite você fazer isso. Ele pode encontrar relevância onde nenhuma pessoa consegue ver”.

Com tanto foco em inteligência artificial, o Google mostrou que está focado no futuro, disse Brian Blau, analista do Gartner.

“Eu penso que eles estão se posicionando como um competidor chave”, acrescentou. “O Google tem avançado o aprendizado de máquina e a I.A. por um bom tempo. Eu não estou surpreso em ver que eles avançam em mais um passo tais tecnologias. Essa, talvez, tenha sido a notícia mais esperada hoje por que eles têm mantido um histórico de quererem ser líderes no mercado”. 

Mas e então o Google é líder nesse mercado? De acordo com Moorhead, sim. Porém, sem muitas grandes vantagens na competição.

“O Google está ligeiramente dominando a Microsoft, que está a frente do Facebook”, disse Moorhead. "O Google tem o TensorFlow, a ferramenta de inteligência artificial mais usada, mas a Microsoft desenvolveu melhores APIs de I.A. O Facebook está em um mundo próprio, mas atrás”.