Como a Lego pretende contribuir com a próxima geração de roboticistas

Por Carla Matsu
23/03/2016 - 17h44
Designer da LEGO Education, Lee Magpili esteve recentemente no Brasil para falar sobre kit de iniciação em robótica da companhia dinamarquesa

Um dos efeitos colaterais do trabalho de Lee Magpili, 35, é que constantemente ele se vê rodeado de inúmeros tijolinhos de plástico, algo que desde a infância reconhecemos como Lego. E não só. Seu trabalho carrega uma consequência mais ampla - a de contribuir na formação das próximas gerações de engenheiros, matemáticos e roboticistas. Minha pergunta a Lee vem como em tom de afirmação: “você tem um emprego bem legal, certo?”. Ele responde “sim”, aos risos.

“Desde que eu me lembre, eu gostava de construir robôs e fazer minhas próprias naves espaciais com as peças e eu estou fazendo isso até hoje. Posso fazer robôs de verdade para ganhar a vida”, diz Lee em entrevista ao IDG Now! durante visita recente ao Brasil. 

Nascido nas Filipinas, Lee se tornou residente de Nova York, EUA, aos 5 anos. De lá saiu para assumir o posto de designer na Lego Education, divisão da companhia situada na pequena cidade de Billund, Dinamarca, conhecida turisticamente por sediar a “Legoland”. 

Formado em Engenharia Mecânica e Engenharia Aeroespacial pela Universidade de Buffalo, em NY, Lee é um dos responsáveis pelo principal produto da Lego Education, o Mindstorms EV3. 

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Com cara de brinquedo, o EV3 é uma espécie de kit de iniciação em robótica e vem com 601 peças para montá-lo. Ele é indicado a crianças acima de 8-10 anos. Para fazer o robô funcionar, usuários precisam aprender a programar no software oferecido pela própria Lego. A linguagem do EV3 é simples e didática, com instruções sobre cada etapa. Além dos blocos de construção, o kit vem com processador, sensores e motores e se comunica com aparelhos Android e iOS. 

No Brasil, cerca de 3 mil escolas, entre públicas e privadas, contam com kits do EV3. A expectativa é ter 10 mil escolas com os kits até 2018, informou a Lego Brasil.

“Uma coisa sobre o Lego Mindstorms é que a maioria das crianças que tem acesso a ele já conheciam o Lego. Então, elas se identificam instantaneamente. Mas o fato de que se trata de robótica, elas conseguem ver de fato o trabalho acontecendo em tempo real. Acho que isso é muito cativante para crianças em qualquer atmosfera”, avalia Lee. 

Ao ensinar linguagem de programação, matemática e métodos de pesquisa por meio do EV3, a ideia é inspirar jovens estudantes para disciplinas em ciências.

“Nós esperamos que isso desperte crianças para a indústria. E aqui estamos falando de robôs industriais, de todas as formas de usar a robótica como uma forma de expressão. Queremos que a tecnologia e as habilidade que eles obtiveram ao usar o Mindstorms sigam nas suas vidas. É ainda um programa novo, então nós estamos engajando novas e mais pessoas, mas há o sentimento de que essas crianças adquiriram tais habilidades usando o kit”, completa.

Outra iniciativa global do grupo Lego é o Torneio de Robótica First Lego League. No Brasil, ele é promovido em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi). Com etapas regionais, grupo de estudantes são incentivados a usarem os kits de robótica da Lego para propor soluções para problemas reais, como por exemplo, o tratamento dado ao lixo e resíduos.

No último final de semana, 77 equipes finalistas se reuniram em Brasília para apresentar seus projetos. As 12 equipes vencedoras terão a oportunidade de participar de torneios internacionais na Austrália, Estados Unidos, Espanha e Filipinas.

Além de visitar escolas em São Paulo, Lee veio ao Brasil para conversar com as equipes do torneio, um trabalho que ele diz assumir como uma espécie de mentoria.

“Crianças são levadas a sonharem em ser rockstars, homens de negócios milionários, atletas, trabalhos que tendem a ser associados a um estilo de vida luxuoso. Mas para mim, eu quero que crianças sonhem em ser designers quando crescerem, que desejem construir carros, aeronaves, robôs. Acho que esse é o grande objetivo para mim. E a medida que as crianças tentarem evoluir essas habilidades, acho que o programa terá dado certo”, pontua Lee para depois focar sua atenção em uma gravata-borboleta feita com Legos.