Como a Under Armour se tornou a empresa que um dia poderá salvar vidas

Caitlin McGarry, Macworld (EUA)
15/03/2016 - 11h39
Empresa de material esportivo detém 4 apps e mantém parceria com IBM Watson para analisar milhões de dados de clientes com o objetivo de prevenir doenças

Há dez anos, quando perguntaram ao fundador da Under Armour e CEO Kevin Plank se a sua companhia era uma companhia de tecnologia, ele respondeu: “bem, nós temos um site. Isso conta?”. Hoje, a companhia mundialmente conhecida por sua linha de vestuário esportivo é uma plataforma com quatro aplicativos, um par de tênis inteligentes e uma HealthBox que inclui uma cinta que mede batimentos cardíacos, uma pulseira fitness e uma balança que combina todas essas funções. Plank a define como uma espécie de painel da saúde que, talvez, um dia possa salvar sua vida. No Brasil, a companhia é, desde o ano passado, patrocinadora do time São Paulo. 

Mas claro, levou tempo para a companhia atingir esse ponto. No caso, duas décadas. Mas depois de passar seis frustrantes anos no desenvolvimento de uma camiseta biométrica, Plank decidiu que nunca veria a luz do dia quando a Under Armour precisou de alguém que pudesse ser uma espécie de tradutor de tecnologia para a Under Armour. Foi quando Plank firmou uma parceria com a MapMyFitness, um aplicativo que usa o GPS do seu telefone para rastrear seus exercícios físicos. E depois, adquiriu o app europeu Endomondo e o app de alimentação saudável MyFitnessPal.

Para se ter uma ideia, três anos atrás, a Under Armour empregou pouco mais de 20 engenheiros. Hoje, há 350 engenheiros e desenvolvedores trabalhando na próxima grande aposta da companhia: uma plataforma fitness conectada que consegue prever quando você ficará doente e até mesmo quando você poderá ter um ataque cardíaco. 

“Se nós fomos de uma camiseta em 1996 para uma HealthBox em 2016, eu vejo isso como uma evolução”, disse Plank durante painel no South by Southwest Interactive, nessa segunda-feira (14/03). O evento de tecnologia e empreendedorismo acontece anualmente em Austin, Texas. “O consumidor pediu para que nós fossemos para esse caminho”.

Como seu telefone pode prever doenças

A Under Armour não é a única companhia a quantificar cada detalhe do seu corpo. A Nike abandonou seus esforços para a FuelBand quando ficou claro que a Apple estava planejando entrar no universo dos wearables com o Apple Watch enquanto a Fitbit atualmente domina o mercado de wearables fitness, apesar de tentar competir com a Apple com o novo relógio inteligente Blaze. Mas Plank não parece desanimado com a competição, porque Fitbt e Apple não oferecem o pacote completo. 

“Se você quiser usar uma Fitbit, ou uma cinta para monitorar seus batimentos cardíacos da Garmin e uma balança da Withings, vá em frente”, disse o CEO, mas conectá-las é um processo complexo.

“A plataforma da Under Armour atua cruzando os quatro aplicativos que nós temos e eles são completamente agnósticos. Nós acreditamos que temos o melhor painel para sua saúde”. 

A companhia conta também com toneladas de dados. Mais de 2 bilhões de atividades físicas e 8 bilhões de alimentos foram cadastrados nos aplicativos da Under Armour no ano passado.

“É aqui onde nós entramos com uma parceria do Watson IBM para pegar esses dados e fazer algo pró-ativo com isso”, disse Plank.

Com os produtos da UA cadastrando dados e o Watson os analisando, um dia nós poderemos saber tudo sobre a prevenção de doenças. A Apple está no mesmo caminho com seu ResearchKit, uma iniciativa que torna seu iPhone e Apple Watch em uma ferramenta de pesquisa médica. 

“Imagine os números absolutos de pessoas entregando tais dados voluntariamente pelas razões certas”, disse Plank. “É por isso que o sistema que nós temos com o HealthBox em parceria com HTC e IBM, nós  estamos reunindo as melhores marcas do mundo para dar as pessoas um painel para sua saúde que poderia salvar a sua vida um dia”.