Fora da prisão, VP do Facebook diz que respeita as leis do Brasil

Da Redação
03/03/2016 - 09h13
Em post na rede social, executivo argentino Diego Dzodan diz que empresa sempre quis ter "diálogo construtivo com as autoridades".

Após ser libertado por meio de um habeas corpus na manhã desta quarta-feira, 2/3, o VP do Facebook para a América Latina, Diego Dzodan, fez um post em sua página na rede social para comentar o caso.

Entre outras coisas, o executivo argentino que foi preso pela Polícia Federal em São Paulo na terça-feira, 1/3, afirmou que tem “o maior respeito pelo Brasil e suas leis” e que o Facebook sempre procurou ter um “diálogo construtivo com as autoridades do país”.

Confira abaixo a mensagem completa publicada por Dzodan em seu perfil no Facebook.

“Estou de volta à minha mesa e queria agradecer vocês todos pela imensa demonstração de apoio que eu recebi nas últimas 24 horas. Minha caixa de entrada ficou lotada de mensagens calorosas do mundo todo – cada uma das suas mensagens fez uma grande diferença e as li com o meu coração.

As pessoas no Brasil se importam profundamente com serviços como o Facebook, e nós nos importamos profundamente com as pessoas no Brasil. Temos o maior respeito pelo Brasil e suas leis, e sempre foi nosso objetivo ter um diálogo construtivo com as autoridades. O diálogo traz entendimento e ajuda todos a se beneficiarem das oportunidades que a Internet fornece.

Agora é voltar ao trabalho – ajudando as pessoas a se conectarem e compartilharem, e ajudar empresas a criar valor e oportunidades. Vocês podem contar comigo.” 

Para entender o caso
Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes/SP da Polícia Federal prenderam Diego Dzodan quando o executivo saía de casa, no bairro de Itaim Bibi, na terça-feira, 1 de março. O pedido de prisão foi expedido pelo juiz Marcel Maia Montalvão, da Vara Criminal de Lagarto, em Sergipe, motivado pelo descumprimento de uma ordem judicial. Após prestar depoimento, Dzodan foi levado para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista.

De acordo com a PF, a prisão preventiva do executivo argentino aconteceu por conta de “reiterado descumprimento de ordens judiciais em investigações que tramitam em segredo de justiça e que envolvem o crime organizado e o tráfico de drogas”. A investigação em questão tramita em segredo de justiça no Juízo Criminal da Comarca de Lagarto, em Sergipe.

Em comunicado, o WhatsApp informou que discorda dessa “medida extrema”. Segundo o app, é impossível fornecer as informações exigidas pela Justiça.

“Estamos desapontados pela Justiça ter tomado esta medida extrema”, declarou a empresa. “O WhatsApp não pode fornecer informações que não tem. Nós cooperamos com toda nossa capacidade neste caso, e enquanto respeitamos o trabalho importante da aplicação da lei, nós discordamos fortemente desta decisão”. Segundo a nota, o aplicativo não armazena as mensagens dos usuários, apenas as mantém até que sejam entregues. “A partir da entrega, elas existem apenas nos dispositivos dos usuários que as receberam”.

Vale lembrar que o WhatsApp chegou a ser bloqueado no Brasil por cerca de um dia em dezembro de 2015 por não cumprir ordens judiciais parecidas. Relembre o caso aqui. 

Em setembro de 2012, o então diretor-geral do Google Brasil, Fábio Coelho, foi detido pela PF após a empresa se negar a retirar do YouTube vídeo que trazia acusações contra um candidato à prefeitura de Campo Grande (MS).