Brasil vive sua fase de ouro dos quadrinhos, diz CEO da Netflix dos HQs

Por Carla Matsu
01/03/2016 - 09h30
Com 6 meses de lançamento, Social Comics conta com cerca de 2 mil títulos, entre editoras consagradas e artistas independentes e se prepara para expansão

Para João Paulo Sette, um dos fundadores da Social Comics, o Brasil tem visto sua “fase de ouro dos quadrinhos”. Algo que ele diz com propriedade, tendo em vista que a plataforma brasileira conhecida como a “Netflix dos quadrinhos” recebe diariamente um volume considerável de artistas independentes que buscam nela publicar seus trabalhos. Até então, cerca de mil autores brasileiros têm suas HQs originais na Social Comics.

“Apesar da crise, nunca se produziu tanto quanto agora. Tem muito artista novo que está lançando conteúdo”, diz Sette em entrevista ao IDG Now. “Temos que saber aproveitar esse momento único no mercado nacional de quadrinhos e potencializar isso, não deixar a coisa ficar no limbo. O mercado aqui pode decolar e ficar tão bom quanto o dos Estados Unidos. Temos potencial”, acredita Sette, também CEO da startup.

Por meio de um serviço de assinatura, usuários da Social Comics pagam uma mensalidade de R$19,90 e tem acesso ilimitado a um acervo de cerca de dois mil títulos. Além dos trabalhos de autores independentes, a plataforma oferece obras de editoras consagradas como a Devir, Valiant e Dark Horse Comics. Uma versão aplicativo é compatível com aparelhos Android e iOS e novos assinantes podem experimentar o serviço por 14 dias gratuitamente.

Mercado nacional

Um dos grandes trunfos da Social Comics é seu modelo de publicação voltado para novos artistas que podem submeter de forma gratuita suas HQs pelo próprio aplicativo. Uma vez publicado, o autor poderá acompanhar o acesso e as quantidade de páginas lidas de seus títulos.  O sistema de monetização é baseado em páginas lidas e não por título. Segundo Sette, o ticket médio da página lida em 2015 foi de 11 centavos. 

“Quando fizemos uma pesquisa com artistas, eles falavam que na época a melhor opção para eles criarem e divulgarem seus trabalhos era o Catarse [plataforma de financiamento coletivo]. Só que esse modelo ajuda a mídia física e mesmo assim limita o artista, por que ele não vai conseguir fazer uma tiragem de 5 milhões. No digital, ele não tem limites. O modelo de assinatura foi pensado nisso, ele pode divulgar e ampliar sua rede”, defende Sette.

Uma empresa é responsável por fazer a curadoria dos trabalhos que chegam até a plataforma, algo que segundo Sette visa manter a qualidade dos títulos para os leitores. Artistas precisam seguir algumas regras para publicarem, entre elas o compromisso de publicar algo original. “Precisamos prezar pelo conteúdo. Quando abrimos para artistas subirem, enviaram fanfic, sketchbook  e até poema”, lembra o CEO. 

Para publicar, o autor passa por dois processos: o de cadastro e envio da arte. Uma vez aprovado, ele poderá subir o conteúdo. No entanto, Sette salienta que quando um artista é reprovado ele recebe uma espécie de avaliação de seu trabalho. “Ao mesmo tempo, é uma chance de ele aprimorar o trabalho dele”, avalia.

Expansão

Poucos meses após o lançamento oficial da Social Comics, a startup recebeu investimento de R$ 2 milhões do Grupo Omelete. O investimento será usado para consolidação e expansão do serviço. Há planos de lançar, no futuro, a plataforma em países da América Latina e nos Estados Unidos.

Segundo Sette, um dos diferenciais da Social Comics é uma ferramenta de business intelligence que a startup oferece para editoras, pois permite coletar, reunir e analisar informações detalhadas do comportamento de leitura dos usuários, permitindo às empresas e artistas tomarem decisões estratégicas.

Até então, a Social Comics conta com uma base de cerca de 3 mil assinantes. A expectativa é conquistar 30 mil assinantes em 2016.

“Nosso objetivo é fomentar o mercado de quadrinhos inicialmente no Brasil. Sabemos que estamos vivendo um momento diferenciado no mercado nacional de cultura pop e quereoms potencializar isso. Tem muito cara aqui que tem potencial e não sabe como explorar. Chegamos para ajudar”, diz Sette.