Bill Gates apoia governo americano em briga do FBI com a Apple

Da Redação, com IDG News Service
23/02/2016 - 10h13
Executivo disse que se trata de pedido específico do FBI. Apple se recusou a criar brecha na criptografia de aparelho de suspeito de ataque terrorista nos EUA

O embate entre a Apple e o FBI a respeito das investigações sobre o ataque terrorista de San Bernardino, do qual uma das peças centrais é um iPhone 5C (pertencente a um dos autores do ataque) ganhou um novo aliado peso. Mas nesse caso, Bill Gates contraria a tendência de outros líderes de tecnologia e disse apoiar o governo americano em seus esforços para acessar o conteúdo do aparelho.

Gates disse que apoia a decisão do governo, uma vez que é um pedido estritamente específico. “É um caso específico onde o governo está pedindo por acesso a informação”, disse Gates ao Financial Times em uma matéria publicada nessa segunda-feira. “Eles não estão pedindo por uma coisa geral, eles estão pedindo para um caso particular." 

Por que isso importa: A questão diz respeito aos dados armazenados no iPhone que pode ou não ter implicações de segurança nacional. O FBI originalmente confiscou o iPhone 5c tido como sendo do atirador de San Bernardino, Syed Rizwan Farook, por seu empregador, o Departamento de Saúde Pública de San Bernardino. 

O FBI então pediu ao governo uma ordem judicial que obrigaria a Apple a romper com as barreiras de segurança do hardware criando uma brecha, conhecida como “backdoor”, para acessar o conteúdo do aparelho. Caso contrário, o iPhone automaticamente deletaria todo seu conteúdo após 10 tentativas para adivinhar a senha. 

Entretanto, a Apple se recusou a acatar o pedido e disse que o caso envolve a liberdade e privacidade de seus clientes. A companhia, inclusive, pediu ao governo para formar uma comissão para conduzir o tema. Legalmente, o caso deve seguir até março, quando os advogados de ambos lados apresentarem seus argumentos. 

Gates se posiciona do lado da maioria dos americanos, que aparentemente estão do lado do governo. Entretanto, Mark Zuckerberg do Facebook, ao lado de Sundar Pichai, CEO do Google e o CEO do Twitter, Jack Dorsey, se pronunciaram a favor da Apple e da privacidade do usuário.