5 tecnologias reais da Nasa que estão no filme 'Perdido em Marte'

Sharon Gaudin, Computerworld (EUA)
01/10/2015 - 11h00
Dirigido por Ridley Scott, filme combina ficção científica com ciência de verdade. Confira algumas das tecnologias mostradas que já se tornaram realidade

A ciência sempre encontra a ficção. Pois, imagine agora estar sozinho e isolado por mais de um ano - para uns a ideia até pode soar interessante. Mas agora imagine essas mesmas condições tendo Marte como cenário. 

Essa é a premissa para o filme "Perdido em Marte" (The Martian), ficção científica baseada no best-seller de Andy Weir e que estreia nesta quinta (1º), nos cinemas. 

O filme conta a história de um astronauta da Nasa, Mark Watney, que precisa improvisar com ferramentas e tecnologias que tem ao seu alcance até - e se - a agência espacial conseguir enviar uma outra nave para resgatá-lo. 

Ao abordar nosso planeta vizinho, "Perdido em Marte" combina ficção científica com ciência de verdade, tecnologia que a Nasa está trabalhando, além dos planos concretos da agência de enviar astronautas para o planeta vermelho em 2030.

Jim Adams, chefe de tecnologia adjunto da NASA, que leu o livro, disse que ficou impressionado com a forma que o autor representa a ciência e a sobrevivência em Marte. “Estimulou muito do meu pensamento sobre o que estamos fazendo e nossos planos de chegar com humanos em Marte a partir de 2030”, revelou. 

De acordo com os cientistas da Nasa, eles já estão desenvolvendo muitas das tecnologias que aparecem no filme. 

Bem, aqui vão algumas delas. 

1. O habitat

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No filme, a casa do astronauta Watney é uma espécie de módulo de habitação, também conhecido como Hab. 

Trata-se de uma “casa” inflável que dá ao astronauta a proteção das condições extremas de Marte, mas também faz com ele se sinta conectado com a Terra e menos sozinho. 

No filme, ele não apenas come e dorme no Hab, como também o usa para começar sua própria plantação, assim como um laboratório de engenharia. 

“Eu não tenho como contactar a Nasa ou os meus colegas de equipe”, diz no filme. “E mesmo se eu conseguisse, levaria quatro anos para outra missão humana me alcançar. E eu estou no Hab desenhado para durar 31 dias, então em face das circunstâncias, eu só tenho uma opção: eu terei de fazer ciência com essa coisa aqui”.

O habit da Nasa

A Nasa está trabalhando não apenas naquele se tornará um habitat real para seus astronautas quando eles atingirem Marte. Eles também estão trabalhando em como construí-lo antes de humanos chegarem ao planeta vizinho. 

Parte da pesquisa da Nasa tem sido focada no que chamam de Pesquisa de Exploração Humana Análoga, chamada de HERA (Human Exploration Research Analog), que fica localizada no Johnson Space Center da própria Nasa. 

O HERA é uma espécie de redoma que permite a Nasa estudar como humanos possam reagir ao compartilharem os 148 metros cúbicos, simulando as condições do distante planeta. 

A Nasa também trabalha em robôs que possam ir para Marte antes de astronautas para construir o habitat e fontes que humanos possam precisar. 

De acordo com Jeff Sheehy, do Space Technology Mission Directorate da Nasa, alguns dos robôs usados em Marte serão máquinas autônomas.

“O sistema terá a habilidade de se administrar sozinho e detectar quando algo está fora do normal... e como trabalhar ao redor disso para consertá-lo”.

Muito foco no habitat é sobre o material com o qual será feito. “A questão que criou uma visão para mim foi onde nosso investimento em materiais está indo”, ele diz. “Se você leu o livro, muito depende da tenda e dos tecidos e sua capacidade de costurá-los. Ganhei uma nova visão para o que a NASA poderia estar fazendo com tecidos e como isso poderia nos permitir criar habitats”, disse o cientista.

2. Plantação 

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Em uma cena de Perdido em Marte, o astronauta Mark Watney planta batatas em uma fazenda sustentável no modulo de habitação. 

O astronauta precisa descobrir uma forma de não morrer de fome. “Eu preciso descobrir como crescer comida suficiente para quatro anos aqui, em um planeta onde nada cresce”, diz. 

Esse é um desafio, mas ajuda o fato de que o astronauta é um botânico e um engenheiro mecânico. 

Para sobreviver, Watney descobre como plantar algumas batatas que levou para a missão.  

Bem, vale lembrar  que plantar no espaço já se tornou uma realidade. 

Para sobreviver em missões no espaço profundo, astronautas terão de plantar sua própria comida e a Nasa começou o trabalho descobrindo como cultivar no espaço. 

No início de agosto, a Nasa reportou que astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional plantaram e comeram alface. O alimento cresceu sem solo, usando um sistema de luzes a LED e uma base almofadada que continha sementes que os astronautas regavam.

As primeiras plantas que cresceram na estação espacial datam do ano passado, mas a equipe não as comeu. Ao invés disso, as plantas voltaram a Terra onde foram estudadas para garantir a segurança alimentar. 

3. Água?

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No início desta semana, a Nasa revelou ter encontrado evidências de que o planeta vermelho abriga água em certos períodos do ano. Cientistas defendem que tais descobertas podem ajudar na colonização do planeta.

No filme, Watney toma a difícil e perigosa tarefa de queimar hidrazina para fazer água, porém ela é altamente tóxica e extremamente instável. 

A Nasa ressalta que na Estação Espacial, nada é desperdiçado. Suor, urina, água usada para escovar os dentes – tudo pode ser reciclado e se tornar água própria para consumo ao usar o Water Recovery System. 

Jeff Sheehy, da Space Technology Mission Directorate, disse que cientistas estão buscando como podem usar a água que pode ser encontrada em Marte.  

“Os elementos para fazer água já se encontram em Marte, então nós poderíamos fazer um processo químico para extraí-los e fazer água”, ele diz. “Em locais já explorados em Marte há evidência de água cristalizada no subsolo e evidências sugerem também de que há certa abundância de gelo nos pólos”. 

4. O que vestir: o spacesuit

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Para explorar a superfície marciana, astronautas precisarão de seus próprios habitats individuais, ou em outras palavras, roupas especiais espaciais.  

No filme, o astronauta “perdido em marte” se mantém fora de seu abrigo para consertar seu veículo e mover equipamentos. Ele não conseguiria fazer nada disso sem usar o seu spacesuit. Como a Nasa ressaltou, o traje espacial precisa ser flexível, confortável e confiável. 

Já a Nasa  está desenvolvendo trajes que ajudar astronautas a terem mais liberdade de movimento enquanto os mantém seguros de certos elementos como areia enquanto oferecem oxigênio. O protótipo deste traje pode ser visto na imagem acima. 

E a agência espacial americana não é a única a trabalhar em trajes espaciais. Pesquisadores do MIT disseram no ano passado que estão trabalhando em um traje leve que poderia ser como uma segunda pele em comparação aos tradicionais trajes, feitos sob medida para os astronautas.

5. Rover

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Se astronautas vão gastar um ano ou mais vivendo em Marte, eles precisarão de um veículo para transportá-los. 

Em Perdido em Marte,  Watney precisa fazer longas viagens no seu rover, até mesmo adicionando células solares e uma bateria adicional para melhorar a máquina. 

Sem um rover confiável, Watney não conseguiria viajar longe o suficiente para explorar e buscar uma forma de subsistência. 

Os rovers da Nasa têm sido uma parte fundamental da exploração do planeta vizinho, com o rover Opportunity explorando a região por mais de dez anos.

Mas vale ressaltar que por mais bem sucedidos que esses rovers têm sido, eles não foram feitos para transportar humanos e oferecer proteção necessária. 

Jim Adams, cientista da NASA disse que engenheiros estão trabalhando na tecnologia que astronautas podem precisar para um veículo motorizado quando humanos de fato chegarem a Marte. 

“A ideia é que algum dia tenhamos um modo de habitação sob rodas”, disse.