Quem é Ahmed Mohamed, o estudante que cativou a Casa Branca e o Vale do Silício

Carla Matsu
18 de setembro de 2015 - 16h32
Relógio construído por jovem foi confundido com bomba na escola que frequenta. Mark Zuckerberg e Barack Obama demonstraram apoio a Ahmed nas redes sociais

A última semana tem sido um tanto incomum para o estudante Ahmed Mohamed, de 14 anos. Na segunda-feira (14), ele foi detido e algemado no colégio MacArthur High School, situado na cidade de Irving, no estado do Texas. Dias depois foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos a visitar a Casa Branca e para conhecer o Facebook e bater um papo com Mark Zuckerberg.

Mas tudo que Ahmed queria era impressionar sua professora e colegas com um relógio feito por ele em casa. Ao invés disso seu dispositivo foi confundido com uma bomba-relógio. Detalhe, Ahmed e sua família são muçulmanos.

Segundo informações do New York Times, Ahmed construiu o relógio em casa e o levou para escola na segunda-feira. Ao mostrar para sua professora de engenharia, ela teria apreciado o projeto, mas o aconselhou a não mostrar a outros professores.

No entanto, o dispositivo emitiu certo barulho durante a aula de Inglês, que levou Ahmed a revelar o relógio para a sala. A professora de inglês então teria comentado que este se parecia com uma bomba. Na sequência, o estudante seria detido e algemado por oficiais locais, questionado pela polícia e eventualmente solto e entregue aos seus pais.

“Ele é um garoto muito inteligente, um rapaz brilhante e pensou que poderia se mostrar para o mundo", disse o pai do menino, Mohamed Elhassan Mohamed. Ele acredita que o “mal-entendido” só pode ter acontecido por causa da religião deles. Por sua vez, a polícia local negou que esse seria o caso. 

A escola chegou a suspender Ahmed por três dias. O departamento de polícia local informou que o caso foi encerrado e que nenhuma queixa foi preenchida.
 
A um canal de televisão de Dallas, TX, o pai do adolescente informou que ele não iria mais estudar em sua escola e que a família iria explorar outras opções de educação, incluindo aí a possibilidade do rapaz estudar em casa.

Em uma foto tirada pela irmã de Ahmed, o garoto aparece algemado. Vale destacar que a camiseta que Ahmed usa – da NASA – já seria um claro indicativo de que o menino, na verdade, é um apaixonado por ciências. 

AhmedNasa 

Repercussão

O caso de Ahmed logo cativou as redes sociais e a atenção de empreendedores famosos, incluindo aí Mark Zuckerberg. 

Por meio de seu perfil na rede social, Zuckerberg mostrou apoio ao menino: “Vocês provavelmente devem ter visto a história sobre Ahmed, o estudante de 14 anos no Texas que construiu um relógio e foi preso na escola", escreveu. 

"Tendo a habilidade e ambição para construir algo legal deveria levar a aplausos, não à prisão. O futuro pertence a pessoas como Ahmed. Ahmed, se você quiser qualquer dia vir ao Facebook, eu adoraria conhecê-lo”.

Zuckerberg.Ahmed

Já o Google convidou o jovem para visitar a feira de ciências organizada pela empresa. Carl Bass, CEO da Autodesk, incentivou Ahmed a continuar criativo e o fundador da startup Box chamou o rapaz para visitar a sede da companhia.

O garoto também foi convidado a comparecer à Casa Branca para o evento de astronomia que será realizado no dia 19 de outubro pelo próprio presidente dos Estados Unidos.

Por meio de sua conta no Twitter, Barack Obama fez as honras. "Relógio legal, Ahmed. Quer trazê-lo para a Casa Branca? Nós deveríamos inspirar mais jovens como você a gostar de ciências", escreveu.

ObamaAhmed

 

Grupos muçulmanos que residem nos Estados Unidos se pronunciaram sobre o caso, indicando que era um claro exemplo de discriminação que muçulmanos enfrentam no país. 

O governador do Texas, Greg Abbott, também se pronunciou, adjetivando a situação como “trágica”. 

“A última coisa que queremos é colocar algemas em uma criança sem justificativa”, disse nesta quinta-feira (17), segundo o Dallas Morning News. “Apenas chame isso de uma situação trágica. Parece que o compromisso com a lei pode ter ido longe demais e não se ponderou todos os fatos”.