IPv6 vai ter um grande impulso a partir do iOS 9, garante Facebook

Stephen Lawson, IDG News Service
15/09/2015 - 15h57
E a Apple vai impulsionar o IPv6 mais uma vez no início do próximo ano, quando começar a exigir que todos os aplicativos submetidos à sua App Store passem a suportar o protocolo

O próxima versão do sistema operacional da Apple, o iOS 9, com lançamento previsto para esta quarta-feira, deve causar um boom no uso do IPv6, o novo protocolo da Internet. 

O iOS9 irá tratar o novo protocolo como trata o IPv4, em vez de favorecer o sistema mais antigo. Isso fará com que dispositivos iOS passem a usar muito mais o IPv6, forçando aplicativos, sites e redes de operadoras a suportá-lo, prevê Paul Saab, engenheiro do Facebook, que coordenou um painel de discussão sobre IPv6 na conferência Scale, realizada esta semana.

Mesmo suportando o IPv6, o iOS 8 só faz conexões IPv6 cerca de metade do tempo, ou menos, por causa da forma como trata o protocolo. Com iOS 9 a conexão IPv6 vai acontecer de 99 por cento do tempo, segundo Saab.

Pano de fundo
A disponibilidade de endereços IPv4 está se esgotando no mundo. A quantidade de dispositivos conectados à Internet já ultrapassou há muito tempo o número de endereços em uso. Com o IPv6, será possível dispor de 340 undecilhões de novas possibilidades de endereço. Mais do que suficiente para todas as utilizações do futuro da rede, por um bom tempo. 

Para se ter uma ideia, a Internet das coisas não será possível sem o IPv6, afirma Axel Clauberg, vice-presidente de agregação e transporte IP da Deutsche Telekom.

Mas a adoção do novo protocolo tem sido lenta. E o lançamento do iOS 9 pode dar a ela um grande impulso.

"Já a partir do dia 16, espero ver um tráfego IPv6 maior e crescente", diz Samir Vaidya, diretor de tecnologia do dispositivo na Verizon Wireless. Cerca de 50 por cento do tráfego Verizon Wireless utiliza IPv6, e Vaidya acha que pode passar para 70 por cento em setembro do próximo ano, com assinantes migrando para o iPhone 6s, com iOS 9.

O mesmo deve ocorrer na rede da Comcast. Cerca de 25 por cento do tráfego da operadora, hoje, é em IPv6. Esse número pode ultrapassar 50 por cento no início do próximo ano, segundo John Brzozowski, arquiteto-chefe IPv6 da Comcast Cable.

Mais rápido
Entre as vantagens do IPv6 está o fato de que o seu uso massivo pode simplificar as redes, por permitir que empresas e prestadores de serviços atribuam um endereço Internet único para cada dispositivo. Hoje, eles normalmente reciclam uma oferta limitada de endereços IPv4 e usam o NAT (Network Address Translation) para gerenciar esse processo.

O uso do NAT quebra princípios básicos da Internet. É um trabalho extra para arquitetos e administradores de rede, e pode gerar problemas para os usuários. Além disso, torna o tráfego mais lento. Testes realizados pelo Facebook no início deste ano mostram que as conexões IPv6 são 40 por cento mais rápidas do que as IPv4. A Verizon confirma.

O novo protocolo terá um impacto maior à medida que novos tipos de dispositivos e serviços começarem entrar se conectar às redes móveis. "Redes 5G, que deverão servir aplicações sensíveis a atrasos, como os veículos autônomos, não funcionarão com IPv4, nem que queiramos", comenta Yoon Mingeun, gerente de projeto de tecnologia emergente da SK Telecom.

Olho no código
A Apple vai impulsionar o IPv6 mais uma vez no início do próximo ano, quando começar a exigir que todos os aplicativos submetidos à sua App Store passem a suportar o protocolo. Isso vai ajudar a promover operações IPv6-only, reduzindo eventualmente a necessidade de uso de IPv4.

Isso poderia significar um monte de codificação para aplicativos que ainda não suportam IPv6, de acordo com Haroon Khan, engenheiro da HealthExpense, provedor de SaaS. Muitos elementos de back-end teriam de ser modificados para adicionar capacidade IPv6 ao software.

O IPv6 também vai mudar a maneira como os desenvolvedores trabalham, já que tudo poderá ter seu próprio endereço, exclusivo. 

No Brasil
A Anatel deve exigir o endereçamento em IPv6 para novos dispositivos fabricados e vendidos no país a partir de 2016, o que facilitará o término previsto da transição entre o antigo e o novo modelo por aqui.

Isso significa que, em breve, os provedores de acesso entregarão endereços IPv6 para seus clientes. Hoje muitos site web e serviços já estão operando com IPv4 e IPv6, simultaneamente, como o GoogleYoutubeGmailFacebookYahoo,Netflix e milhares de outros.