Jogar Tetris ajuda a controlar ansiedade e comportamento compulsivo

Da Redação
18/08/2015 - 14h40
Segundo estudo, "terapia" com Tetris foi responsável por diminuir em 70% o desejo dos participantes por comidas, drogas e outras atividades.

Psicólogos da Plymouth University e Queensland University of Technology, na Australia, chegaram a uma conclusão que talvez você possa usá-la no dia a dia: jogar Tetris ajuda a controlar certas compulsões e desejos por comida, álcool, drogas e até mesmo sexo.

Segundo Jackie Andrade, professora da School of Psychology e Cognition Institute na Plymouth University, o efeito Tetris acontece porque esses desejos envolvem imaginar a experiência de consumir uma substância específica ou realizar uma atividade. “Jogar um game visual como Tetris ocupa o processo mental que suporta a criação de imagens”, explica. Resumindo, é difícil projetar qualquer ideia de consumo enquanto você está entretido jogando Tetris.

Para comparar o efeito, os psicólogos observaram durante sete dias um grupo de 31 jovens - de 18 a 27 anos - e em seu habitat natural, ou seja, fora dos limites de um laboratório. Eles foram solicitados a enviar mensagens quando suas vontades apareciam. No grupo-controle, 15 estudantes receberam a posologia: jogar por três minutos antes de reportar seus níveis de ansiedade por um vício. 

De acordo com a pesquisa, 30% dos jovens reportaram que seus desejos pediam por comidas e bebidas não alcoólicas. 21% dos comportamentos viciantes diziam a respeito de substâncias como drogas, café, álcool e cigarros enquanto atividades como sexo e, ironicamente, o desejo por videogames representavam a vontade de 16% das pessoas. 

O estudo, publicado no jornal especializado Addictive Behaviors (em tradução livre, Comportamentos Viciantes), indicou que a “terapia” foi responsável por diminuir em 70% o desejo dos participantes por comidas, drogas e outras atividades. O impacto do jogo também foi consistente ao longo da semana e em todos os tipos de desejo. 

O experimento foi o primeiro de seu tipo fora de um laboratório que obteve tais resultados, indicou Jackie Andrade em comunicado à imprensa. Os resultados do estudo devem levar os autores a também aplicarem o teste em usuários dependentes de drogas.