"É uma necessidade financeira", diz Mozilla sobre anúncios no Firefox

Gregg Keizer, Computerworld / EUA
18 de fevereiro de 2014 - 15h52
A ideia não é "arriscar" a privacidade do usuário, mas sim "diversificar" a fonte de dinheiro para manter a Fundação.

Na semana passada, a presidente da Mozilla Foundation, organização sem fins lucrativos que financia o desenvolvimento do Firefox, defendeu a decisão de prosseguir com os anúncios incorporados ao browser, justificando a novidade como sendo algo importante para gerar receita.

"Para abordar explicitamente a questão de saber se nós nos preocupamos com a geração de receita e sustentar o trabalho da Mozilla, a resposta é sim", disse Mitchell Baker, ex-CEO da Mozilla e atual presidente, escreveu em um blog na quinta-feira. "Na verdade, muitos de nós se sentem responsáveis ​​por exatamente fazer isso."

Mitchell respondeu às questões e preocupações levantadas na semana em que a Fundação anunciou o "Directory Tiles", um recurso ainda em desenvolvimento que permite exibir publicidade nas janelinhas ao abrir uma nova aba no Firefox.

Mas ela argumentou o ponto óbvio de que o dinheiro é necessário para financiar a Fundação, e, portanto, o Firefox e outros projetos do grupo. E ela disse que o dinheiro podia ser levantado sem prejudicar a posição da organização sobre a privacidade do usuário ou prejudicar sua reputação com seus usuários.

"Quando temos ideias sobre como o conteúdo pode ser útil para as pessoas, observamos se há uma possibilidade de receita, e se isso iria irritar as pessoas ou trazer algo potencialmente útil", disse Mitchell. "Anúncios em buscas vieram a ser úteis."

Publicidade e thumbnails

O conceito do Directory Tiles apresentado na semana passada foi direto ao ponto: quando os novos usuários abriam o Firefox, eles veriam pequenas janelas - algumas com anúncios. Para antigos usuários do Firefox, a página, que tem espaço para nove miniaturas, mostra os sites mais frequentemente visitados.

Duas ou três dessas janelas devem ser dedicadas aos anúncios, disse Mitchell, e sob circunstâncias normais, elas desapareceriam dentro de 30 dias, à medida que o novo usuário teria usado o navegador por tempo suficiente para que o Firefox substitua essa publicidade pelas URLs mais visitadas.

Suporte

Outros executivos da Mozilla ajudaram a promover a ideia por trás do Directory Tiles, fornecendo mais detalhes sobre como o programa iria funcionar.

Darren Herman, um ex-executivo de publicidade e venture capitalist contratado pela Mozilla no ano passado para comandar uma nova equipe de conteúdo designada especificamente para encontrar novas fontes de receita, deu a sua contribuição com uma FAQ que delineou os parâmetros do Directory Tiles.

Herman apontou, como fez Mitchell, que os anúncios seriam servidos independente de qualquer monitoramento dos movimentos de um usuário pela Internet. Em vez disso, os anúncios só iriam examinar a localização física do usuário para, por exemplo, fornecer publicidade relevante para essa localidade ou em sua linguagem.

Denelle Dixon-Thayer, vice-presidente de negócios e assuntos legais da Mozilla, também se juntou à causa, usando uma postagem em um blog separado para explicar porque a Fundação está à procura de diferentes fontes de receita.

"Diversificação de receitas não é uma exigência, porque as nossas parcerias de busca são fortes e fornece valor aos nossos usuários, aos nossos parceiros e à Mozilla", disse Denelle. "A diversificação é uma escolha para nós. Mas assim como a diversidade é fundamental para a Web saudável, a diversidade de receitas é fundamental para um projeto saudável."

Financiamento da Fundação

A Mozilla realmente tem pouca diversidade em seu fluxo de receita: 88% em 2012, o último ano para o qual a organização divulgou informações financeiras, resultou de um acordo com o Google que requer o uso da ferramenta de buscas da gigante pela Mozilla como padrão para a maioria dos usuários do Firefox.

O Google pagou para a Fundação cerca de 274 milhões de dólares em 2012, ano em que foi registrado lucro total de 311 milhões de dólares.

O acordo Google-Mozilla teve sua última prorrogação em dezembro de 2011, quando um novo contrato de três anos foi assinado. 

Embora Denelle tenha argumentado que as parcerias de pesquisa da Mozilla "são fortes", a tentativa da Fundação para diversificar a sua receita pode indicar que a organização sem fins lucrativos acredita que há uma chance de que o negócio do Google não seja renovado este ano - ou, se for, os aproximadamente 300 milhões de dólares fornecidos anualmente serão reduzidos.