Por que ainda precisamos de interação humana em um mundo automatizado?

Ana María Cabrales*
13/06/2018 - 17h37
Máquinas vão tomar nossos empregos? O que será do futuro do trabalho? Especialista fala sobre tema em artigo

Nos últimos anos, a conversa sobre como a automação pode mudar as operações industriais tornou-se comum. Tanto, que as perguntas que os tomadores de decisões de negócios podem estar se fazendo neste momento são: será que as máquinas tomarão nossos empregos? E o que acontecerá com a força de trabalho?

Deixando o exagero de lado, o fato é que a chegada de robôs dotados de Inteligência Artificial está ajudando a melhorar setores como os de Manufatura ou de Transporte e Logística. Esses robôs podem executar algumas ações humanas repetitivas sem perder a concentração ou cometer erros. Eles também são capazes de acessar locais e espaços de difícil alcance e realizar a contagem de estoque com maior precisão.

Se acrescentarmos a esses pontos o fato de que a McKinsey previu que 800 milhões de empregos poderão ser eliminados até 2030, não é difícil entender porque os trabalhadores se sentem ameaçados. Mas isso não passa de uma teoria. Tanto na manufatura quanto no setor de transporte e logística, é óbvio que a automação traz aumento na produtividade, mas o envolvimento das pessoas e seu trabalho será sempre necessário.

O toque pessoal na Manufatura

Com a chegada da Indústria 4.0, da captura e troca de dados por meios digitais, da Internet das Coisas, da computação em nuvem e da computação cognitiva, a automação industrial está transformando as empresas do setor para que elas atinjam novos patamares. Esse novo contexto está permitindo que os executivos tenham ampla e total visibilidade das operações e também que cada processo seja capturado na forma de dado. Essa informação - que no final é analisada por pessoas e não por máquinas - tornará a produção mais eficiente e reduzirá seus custos. Da mesma forma, a IoT pode controlar estoques de matéria-prima em tempo real, ajudando os encarregados a supervisionar e organizar inventários em tempo recorde – o que acarreta em uma produção contínua, evitando interrupções devido à falta de peças ou material.

A indústria automotiva é uma das representantes do setor que podem aproveitar os benefícios da automação para aumentar sua produção. Por exemplo: a Troy Design & Manufacturing, subsidiária de estamparia de metais da Ford Motor localizada em Detroit, Estados Unidos, precisava de um sistema automatizado de rastreabilidade para monitorar cada passo das 150 conversões diárias de veículos que acontecem em seu Centro de Modificação de Chicago. A Lowry Solutions, parceira da Zebra Technologies, implementou na empresa uma solução robusta baseada em RFID. Composta por antenas e leitores fixos de radiofrequência, a solução proporcionou um fluxo de trabalho eficiente e que gerou um novo padrão de desempenho para a TDM, graças à visibilidade precisa e à coleta de dados. Os operadores agora podem se concentrar mais em suas tarefas, já que têm menos papelada para preencher e perdem menos tempo checando funções.

Em um futuro próximo, a TDM espera ser ainda mais inovadora e ampliar o uso de RFID. Mais de 90% de suas operações já são automatizadas, supervisionadas por sua equipe, e a produtividade está alta. Para a empresa, a automação definitivamente impulsionará a melhoria do processo em cada etapa, enquanto sua equipe permanecerá essencial para responder e tomar decisões, a fim de alcançar a máxima eficiência.

O toque humano no setor de Transporte e Logística

Os benefícios no setor de Transporte e Logística também são claros. Nos depósitos, a automação por meio de computadores e scanners móveis pode garantir que o inventário esteja sempre atualizado e disponível. Imagine o desafio que essa tecnologia ajuda a resolver quando pensamos nos consumidores de hoje em dia, que querem entregas para ontem!

A verificação de inventário é uma das tarefas que se tornaram muito mais eficiente devido ao uso de computadores móveis. Equipamentos mais recentes conseguem ler e digitalizar códigos de barras a mais de 20 metros de distância, garantindo que o tempo do estoquista, bem como sua energia, sejam economizados para a realização de outras tarefas.

Já na área de logística, transportadoras (tanto as terrestres quanto as aéreas) conseguem hoje ter uma rede de distribuição e entrega de pacotes muito mais conectada e inteligente, que as permitem tomar decisões em tempo real com base em informações precisas, trazendo melhorias significativas para as operações. Ao capturar dados como densidade e capacidade de carga, essas empresas conseguem obter referências valiosas para otimizar seu desempenho e lucratividade. Durante este processo, a mente humana está sempre presente, analisando a carga total e decidindo quantos veículos são necessários e quando eles podem sair para fazer suas entregas.

Ser capaz de analisar e planejar é fundamental em nossos dias para essas companhias, que devem se adequar à chamada “economia on demand”, que é mobilizada pelo comércio eletrônico e pelas expectativas de entrega imediata. Esta é a realidade que está impulsionando a necessidade por soluções capazes de melhorar cada vez mais a velocidade, precisão e eficiência do processo de carregamento dos veículos de entrega.

O futuro

Já sabemos que a automação trará desenvolvimentos interessantes tanto para o setor de manufatura quanto para o de transporte e logística. Após a Indústria 4.0, virá a Indústria 5.0, trazendo com ela o uso da IoT para garantir operações cada vez mais eficientes e rentáveis.

Se por um lado é natural a preocupação sobre máquinas substituindo humanos, por outro existem grandes chances de que a automação gere novos empregos. Quer um exemplo? Quanto mais as empresas adotarem drones para fazer entregas de bens de consumo, mais vamos precisar de especialistas na administração desses dispositivos. A ideia da geração de novos empregos não é tão irreal quanto poderia parecer.

Da mesma forma, quanto mais elevadores automáticos de carga existirem em um depósito ou armazém, mais provável é que os antigos motoristas de empilhadeiras precisem se dedicar à supervisão de suas operações. Ou, melhor ainda, que eles estejam disponíveis para atividades mais estratégicas e para resolver situações que sejam realmente críticas para os negócios.

É claro que a automação sempre exigirá alguma forma de resposta ou interação humana para funcionar sem problemas. Isso vai fazer com que alguns papeis de hoje se mantenham e que novos sejam criados. Estamos nos aproximando do novo mundo da Inteligência Artificial, repleto de desafios, mas com espaço de sobra para que as mentes humanas sejam o centro das operações eficientes.

*Ana María Cabrales é diretora de Marketing de Verticais para Latam da Zebra Technologies