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Conheça 5 caminhos para gerar receita com a plataforma OpenSocial

Lygia de Luca, repórter do IDG Now!*
02/06/2008 - 07h00
São Paulo - A criação de aplicativos com a API do Google é lucrativa para empresas e desenvolvedores? Confira 5 métodos de monetização.

opensocial_dinheiro_88Desde que foi lançada, em novembro do ano passado, a plataforma aberta para redes sociais do Google, OpenSocial foi instalada por mais de 66 milhões de pessoas, reunindo 275 mil usuários ativos.

O OpenSocial será um conjunto de APIs (Application Programming Interfaces) desenvolvidas para os programadores criarem aplicativos para redes sociais que vão rodar em múltiplos web sites, simplificando a criação e distribuição desses programas.

A previsão é de que os brasileiros, maior audiência do Orkut (53,85%) – e única sem acesso à plataforma - poderão visualizar a nova rede social a partir deste mês.

Até agora, já foram criados cerca de 2 mil aplicativos por 20 mil desenvolvedores usando a API do OpenSocial, sendo que os brasileiros foram responsáveis pela criação de 350. Mas já é possível ter algum retorno financeiro com este trabalho?

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O mercado de plataformas em redes sociais já está configurado com clareza, graças à massa crítica de audiência e da consolidação das próprias APIs (do inglês Application Programming Interfaces) com padrões interoperáveis, segundo o presidente da AgênciaClick, Abel Reis.

“O que o OpenSocial faz é permitir o desenvolvimento de uma família de aplicativos que são capazes de alcançar as audiências de redes sociais, independente da plataforma ou ambiente, alavancando o mercado de desenvolvimento de aplicativos”, explica Reis.

Para simplificar, o executivo compara o OpenSocial às mídias gráficas. “Já que existe um padrão, posso desenvolver para qualquer portal, independente das especificações.”

Dessa forma, é criado um ‘market place’ de aplicativos - o que permitirá aos desenvolvedores ganharem dinheiro com eles. O presidente da AgênciaClick aponta que, dessa forma, é possível pensar em “construir ambientes a partir de mashups, integrando widgets ou aplicações online.”

Neste cenário, para o evangelizador mundial do Google, Patrick Chanezon, há cinco modelos de monetização viáveis para lucrar com a plataforma.

A segunda possibilidade é criar aplicativos diretamente com uma marca - que pode oferecer algum tipo de ‘jogo’. Uma gravadora, por exemplo, pode oferecer trechos das músicas de seus artistas para os usuários ouvirem e darem uma nota.

Neste caso, o desenvolvedor será pago diretamente para criar o tipo de aplicativo desejado ou, caso já tenha um produto desenvolvido, adaptá-lo para a marca contratante.

“Este é o mercado tradicional de fornecimento de serviços por demanda, e o acho pouco expressivo do ponto de vista de volume de negócios - que virá, na verdade, dos aplicativos mais bem-sucedidos com os usuários”, opina Reis.

De acordo com Reis, um “modelo pré-pronto, neste caso, ou de patrocínio, valeria mais a pena”.

O quarto modelo de receita proposto pelo evangelizador do Google é o de recomendações. “Você escolhe seus livros preferidos e coloca um link para a Amazon”, supõe Chanezon. Neste modelo, há direta união com o comércio eletrônico - o quinto meio citado pelo evangelizador como possível de se lucrar.

A lógica é que, se um usuário ler a recomendação do livro, gostar e comprar o título pelo link incluso no aplicativo, o desenvolvedor recebe uma comissão.

Reis aponta possibilidades tanto de sucesso quanto fracasso deste modelo de negócios. “Posso criar algo amplamente difundido e inteligente para que, conforme as pessoas usarem e comprarem com ele, farei dinheiro”, comenta.

O quinto e último modelo citado por Reis é o próximo proposto por Chanezon. “O aplicativo está em um ‘market place’ e eu compro, com o direito de colocar o nome e a marca”, diz o evangelizador.

“O patrocinador poderá pagar ao desenvolvedor por performance ou de forma fixa”, explica Chanezon.

Remuneração por performance
A questão é que “haverá uma oferta tão espetacular e a pulverização disso será de tal ordem que o volume de negócios gerado por este cenário pode não gerar retorno tão expressivo para o desenvolvedor”, explica Reis.

Mas qual será o jeito mais fácil de ganhar dinheiro com o OpenSocial? “Acredito que o modelo de remuneração por performance - receita por cliques - predominará no mercado de aplicativos”, opina Reis. “Isso estimulará patrocinadores a anunciarem e contratarem aplicativos, pagando pelo que já deu certo.”

Chanezon, por sua vez, não arrisca uma opinião em meio aos cenários citados por ele próprio com entusiasmo. “Não acho que podemos dizer qual modelo é mais eficiente ou fará mais sucesso, pois tudo ainda é muito novo”, pondera.

Além de desenvolvedores, Chanezon cita o site de compartilhamento de fotos RockYou.com entre as empresas que estão lucrando com o OpenSocial.

Experimentos no Brasil
O desenvolvedor brasileiro Bruno Barreto criou dois aplicativos usando o OpenSocial e usou Ad Sense. “Eu fiz para testar, mas espero ganhar dinheiro com isso”, afirma.

Barreto diz que o problema da plataforma é que “o Google já mudou muitas vezes o modelo de implantação. Estou esperando eles se decidirem. Cheguei a desenvolver um aplicativo que, quando o OpenSocial mudou de versão, parou de funcionar. Não quero perder tempo com algo que não vai ficar disponível”, reclama o desenvolvedor.

Chanezon explica que atualmente a API está em sua versão 0.7, lançada em janeiro - após a 0.6 chegar aos desenvolvedores em dezembro. Para acabar com incompatibilidades, a versão 0.8 da API - a chamada ‘final’ - será lançada no terceiro trimestre deste ano.

“A nova versão é um pequeno widget, por meio do qual todas as informações do perfil são encontradas e distribuídas às outras redes sociais, integrando os dados”, diz.

Já o desenvolvedor André Tomazetti conta que atua em um projeto junto ao 820esportes.com.br para criar ferramentas de interatividade no OpenSocial. “Será um meio de interação com a nossa equipe durante os jogos goianos”, explica. “A idéia é reforçar o nome da marca, usaremos o aplicativo em uma ação de branding.”

Tomazetti também revela ter sido procurado pela LabOne para trabalhar com a API - mas precisou recusar por não ter inglês fluente. Mais uma prova de que as empresas estão investindo neste market place.

Quando o OpenSocial ainda não existia, o início da vida dos aplicativos em redes sociais deu a Samuel Liques, em 2006, a oportunidade de fazer aplicativos para o Wallop.

“Ganhei por aplicativo. Eu estipulava um preço para cada um e ganhava por cada compra da empresa”, conta Liques.

Os desenvolvedores brasileiros interessados podem explorar o site OpenSocial Brasil, que agrega aplicativos feitos com a plataforma. E no dia 11 de junho sai o resultado do concurso do Google, que premiará com 8 mil reais o melhor aplicativo brasileiro inscrito.

* Com a colaboração do editor assistente do IDG Now!, Guilherme Felitti