Tecnologia & Comunicação

iPad mini: quando menos é mais na apropriação tecnológica humana

Publicada em 14/02/2013 9:57

Apropriação tecnológica é uma ação humana que possui vetores que a tornam, às vezes, uma ação pessoal e intransferível. Entretanto, o uso de dispositivos tecnológicos sempre está vinculado, em primeira instância, às intenções de quem o projetou. Em miúdos, duas forças de intencionalidade se relacionam. Uma com o propósito de tentar extrair do dispositivo tecnológico as propriedades que deseja para obter vantagem pessoal ou competitiva.  Outra, na atualidade, de caráter mercadológico, quando uma empresa realiza pesquisa de desenvolvimento tecnológico de um produto a fim de comercializá-lo em alta escala e obter lucro. Para isso, os desenvolvedores precisam conhecer as necessidades tecnológicas dos potenciais usuários e entender as suas querenças de uso.

Essas duas forças convivem quando o ser humano aciona o dispositivo tecnológico para realizar uma ação. De um lado, “todas as possibilidades” de apropriação imaginadas pela empresa idealizadora do aparato e agindo sobre o dispositivo, o ser humano que deseja extrair do aparelho tudo que necessita.

Porém, não se consegue prever “todas as possibilidades” de apropriação de um artefato tecnológico pelo ser humano. Ou seja, o revisor tipográfico húngaro László Bíróao inventar a caneta esferográfica, em 1932, não imaginou que uma das utilidades dela seria coçar o ouvido (nem todos fazem isso). É evidente, que apesar deste tipo de uso, os fabricantes de canetas não irão acrescentar um feature novo ao dispositivo. Em outras palavras, um chumaço de algodão na outra extremidade da caneta.

Uma coronha de um revólver, peça de madeira ou de aço própria para o encaixe do cano da arma de fogo e para a empunhadura,talvez nunca tenha sido planejada também para servir de arma. Mas, torna-se outro tipo de arma. Diferente do que foi para ser criada: aparato tecnológico inventado para atingir de forma letal. Exemplo de uso complementar, se a arma falhar ou o usuário quiser desacordar o oponente, uma coronhada pode resolver.

Assim, essas apropriações não imaginadas estão sempre presentes em qualquer tecnologia produzida pelo homem. Há sempre um espaço não pensado pelo fabricante. É justamente nesse espaço, que outras tecnologias são criadas ou surgem através de processos de inovação.

A notíciapublicada no Forbes, “Did the iPad Mini Just Kill Off the iPad 4?“, analisa que a Apple tem o cuidado, e todas as empresas têm, em não lançar produtos ou serviços que possam canibalizar sua linha de produtos ou serviços.

Na área da gestão, “o termo canibalização é utilizado para designar a redução nas vendas de determinado produto ou serviço provocada pela comercialização, pela mesma empresa, de outro bem ou serviço que de alguma forma seja seu substituto”. A Macquarie Research revelou à Reuters que espera que as vendas dos iPad diminuam 40% nestes primeiros quarto meses do ano.

Porque o iPad Mini é o lançamento que tem chamado muita atenção, pois possui toda a estrutura tecnológica e principais features da “tecnologia-pai”, o iPad. Contudo, ocupa um espaço antes não experimentado pela Apple e que o usuário estava ávido para ter um dispositivo que ocupasse esse lugar: menor consumo de bateria e maior portabilidade.

Esses dois fatores foram agregados, sem o usuário perder em nada o que tinha no outro aparato. Apesar de o display ter diminuído de 241 cm (iPad) para 200 cm (iPad Mini), o usuário não perdeu nada. Ganhou.

  • http://twitter.com/Vitor_LA_ Vitor Araruna

    Na verdade, o usuário do iPad mini sai perdendo em capacidade de processamento (chip A5 contra chip A6X) e na qualidade da tela (que não tem a tecnologia Retina Display). As vantagens do mini estão na maior portabilidade e no preço – 170 dólares mais barato que o iPad.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002962940734 David Machado

    mas o processamento é suficiente para quem precisa de um aparelho desses. O fato é que com o avanço frenético da tecnologia, nós estamos, sem perceber, exigindo cada vez mais processamento para não usarmos em praticamente NADA. Isso resulta em 90% dos consumidores com máquinas de extremo processamento em mãos que JAMAIS serão utilizados ao seu limite. Quem tem a mente no lugar, analisa do que precisa e faz a compra de forma pontual. E outra… Usa o aparelho até quando ele não tiver mais atendendo a necessidade e não quando a propaganda o forçar a isso.

  • http://twitter.com/Vitor_LA_ Vitor Araruna

    Não é bem assim quando se fala em tecnologia (área em que deve necessariamente haver uma evolução constante). No caso específico da Apple, as diferenças de capacidade de processamento e capacidade gráfica do chip A6X para o A5 são consideráveis, embora não sejam brutais.
    Deve-se ter em mente que a vida útil efetiva de um aparelho com processador antigo é menor, já que, a cada atualização de software, exige-se mais da máquina. Tome-se como exemplo um iPad de 1ª geração: quando foi lançado, em 2010, rodando com iOS 3.0, executava tarefas e abria aplicativos com rapidez satisfatória. O mesmo aparelho, rodando o iOS 5.1 e executando os aplicativos de 2013, é uma carroça tecnológica. Lento, muito lento, e incapaz de rodar gráficos mais pesados. O mesmo ocorre com os iPhones. Meu velho iPhone 3GS, rodando o iOS 6, também é lento de doer. Parece uma peça de museu ao lado dos iPhones 4S e 5.
    Nessa lógica, não demorará muito para que o Mini, que guarda sob o capô o velho motor do iPad 2 (lançado 2 anos atrás), se torne mais uma carroça tecnológica daqui a alguns meses – especialmente quando for feita a atualização para o iOS 7. Já o iPad de 4ª geração permanecerá por pelo menos 2 anos como um aparelho efetivamente útil.

  • Natália Azevedo de Castro

    Eu sempre acho que é um problema transportar os Ipads pra cima e pra baixo! É muito grande, nem sempre cabe na bolsa e em eventos que costumo frequentar, fica gigantesco. Mesmo perdendo um pouco em funções de hardware, acho que é uma peça que cumpre um papel diferente e dá um banho na portabilidade.