Tecnologia & Comunicação

Além da resposta 42: a complexa fronteira entre informação e narrativa

Publicada em 09/01/2013 9:02

Toda informação é composta por dados, que um dia, foram extraídos de informações. Este ciclo dinâmico permite que se o ser humano reconstrua realidades a todo o momento. Entretanto, é necessário encontrar “fórmulas” para que as informações e os dados, conectados logicamente, produzam sentido, ou seja, impactem sensorialmente quem os recebe e, assim, entenda o que o emissor está querendo revelar.

Contudo, a tarefa para dar sentido aos dados não é nada fácil. Tanto que para o alguns, estamos em um momento no qual apresentar dados e informações já basta para se “entender” o que está querendo transmitir. “Os dados falam por si”, dizem. Será?

Não. Dados e informações compartimentadas não representam a realidade.

Às vezes, são constituídos de possíveis fragmentos dela e devem ser extraídos através de métodos consistentes. Porém, muitas vezes possuem bases bem duvidosas. Misturadas ao bel prazer e disponibilizadas como se fossem grãos de milho virando pipoca em panela quente, o show de dados se transforma em show de horrores, pois entender toda esta avalanche de dados que consumimos todos os dias é algo impossível até para os mais experts no assunto.

Entretanto, a melhor e mais eficiente forma de se entender um encadeamento de dados e de informações naturalmente é através da narrativa. Narrativa, desde contar histórias para crianças até explicar complexos fenômenos naturais e sintéticos, é a melhor forma de relatar acontecimentos. Os relatos se desencadeiam de forma lógica e cronológica, o que facilita a compreensão humana do que acontece ao nosso redor.

Portanto, produzir dados e informações em profusão e não encadeá-los de forma lógica, cronológica e contextualizada não servirão muito para o entendimento humano. É o que mais temos atualmente. Qualquer sistema com sensores interligado por máquinas computacionais produz grande quantidade de dados a cada milissegundo. Para que servem? Boa pergunta, na maioria das vezes.

É necessário encontrar plataformas que possam dar sentido a certo tipo de dados e informações. Uma planilha Excell pode servir para muitas coisas, mas com certeza não servirá para explicar como se faz uma boa feijoada, apesar do aplicativo suportar inserção dados e informações sobre o nosso preferido prato, mas a planilha não é melhor que um vídeo (smartphone, internet, tablet ou tv), no aspecto cognitivo, para explicar e demonstrar o processo.

Mas parece óbvio, deve estar pensando o leitor. Sim, é. Neste caso, mas em outros que a fronteira não é tão clara entre dados, informação e plataforma adequada para compreensão deles, temos dados e informações, mas não sabemos traduzir para narrativas inteligíveis ao ser humano.

Dados e informações fazem parte do mercado simbólico, ou seja, através da criatividade humana e de plataformas digitais adequadas, como a Hiper-realidade (que comentarei no próximo artigo), o ser humano expande o “mercado de ideias”, de explicações e dá sentido aos dados e informações, assim “passamos da fase” dos números sem sentido, como no final do livro e filme “O Guia do Mochileiro das Galáxias”: a resposta é 42. E daí?

  • http://www.facebook.com/marthagabriel Martha Gabriel

    Excelente texto! Parabéns!

  • http://www.facebook.com/walterlimajr Walter Teixeira Lima Junior

    Agradeço. Abs!

  • http://guilhermeludwig.com/ Guilherme Ludwig

    Por mais óbvio que possa parecer, determinar o melhor formato para uma narrativa envolve uma série de critérios, que ainda variam a cada caso. Fazer uma boa escolha exige o mínimo de trabalho e consciência do seu próprio objetivo ao emitir uma mensagem. Ótima reflexão proposta no texto, parabéns!

  • http://www.facebook.com/walterlimajr Walter Teixeira Lima Junior

    Agradeço a leitura e observações, abs!

  • José Reinaldo Silva

    Além do ciclo recursivo entre informação e dados (sem ponto fixo, como diriam os rautos da informática) acho que talvez o ponto crítico (não fixo) seja o foco deste processo (que hoje anda meio perdido): a função da própria narrrativa é informar ou gerar conhecimento? este estaria em um patamar diferenciado dos dois anteriores (ainda que sem prosselitismos, didatismos, etc.). O conhecimento é o que muda o comportamento e só pode ser gerado de forma consistente (em qualquer nível) se houver uma boa construção relacional de dados e informação. Claro a forma é muito importante, mas não é parte do objetivo final, embora torne eficiente e atraente a transferência cognitiva.
    O lamentável na profusão da web é que via de regra o foco é superficial ou inexistente, e ainda por cima completamente despojado da forma. Aí sim vale perguntar: por que tanta entropia para tão pouco resultado?

  • http://www.facebook.com/walterlimajr Walter Teixeira Lima Junior

    Caro Reinaldo, a questão levantada sobre a função da narrativa, se ela possui o objetivo de informar ou gera conhecimento é interessante, mas pertence a um lodaçal conceitual, acredito. No Dicionário de Filosofia de Mario Bunge, no verbete Conhecimento, o filósofo da ciência argumenta que o conceito, grosso modo, não existe. O que existe é informação estruturada. Já li algo parecido nos textos do Dreskte e também do Luciano Floridi, filosofo da informação. Em outras palavras, existe a figura triangular que se espalhou pela internet de forma memética, que possui a divisão entre dados, informação e conhecimento, sendo o lugar do conhecimento no topo da pirâmide. O conhecimento como algo superior. Talvez, exista a informação estruturada e relevante para tomada de decisões de forma ótima seja o caminho que gosto mais de pensar. Muito obrigado pela vossa contribuição de alta qualidade, aumentando o nível de discussão do singelo artigo. abração.

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