Tecnologia & Comunicação

Astroturfing: guerra suja na internet

Publicada em 05/06/2012 16:09

Nas últimas semanas, um termo alcançou importante dimensão no cenário político nacional, sinalizando que o debate, sobre se os fluxos informativos na Web podem ser direcionados ou não, veio para ficar. O termo em voga é o Astroturfing.
A nomenclatura Astroturfing, utilizada por uma parcela ínfima de cientistas, deve cair na “boca do povo” e acirrar as discussões sobre se realmente tudo que se lê no Twitter, por exemplo, é produzido por um ser humano.
O acalorado debate sobre o uso da estratégia, nada honesta, deve-se a matéria veiculada numa grande revista semanal  de circulação nacional, que acusou um determinado partido político de utilizar robôs e militantes travestidos de usuários “comuns” na rede social Twitter para construir uma imagem negativa da publicação na rede social. O partido nega com veemência, diz que os fluxos foram espontâneos.  A revista aponta os perfis, afirmando que os mesmos foram utilizados para tal fim.
A origem do termo
Mas o que é um astroturfing? Astroturfing é um termo derivado da palavra inglesa “astroturf”, que significa grama artificial. Podemos dizer, interpretando grosseiramente, que é algo que parece, mas não é.  Criado pelo, então, senador estadunidense Lloyd Bentsen, em 1985, o termo surgiu na mente do político porque ele recebia inúmeras cartas sobre questões envolvendo o debate sobre empresas de seguro. Bensten percebeu que grande parte das cartas não era escrita pelos eleitores e, sim, pelos interessados no tema: as empresas de seguro.
No marketing,  Astroturfing é utilizado quando é necessário criar artificialmente um “buzz” com a finalidade de promover um determinado produto, serviço e políticos ou causas políticas.  Nesse campo, o político, o uso da estratégia é mais do que comum, pois o debate é sempre muito acalorado, sendo o combustível principal para propagação de informações.
A questão do anonimato na Internet, que defendo para a garantia da liberdade de expressão na Internet, favorece a criação de perfis falsos com o intuito de construir uma impressão, mas falsa, de enorme apoio a uma causa, produto ou marca.
Entretanto, o uso da estratégia que utilizam sistemas para obter e usufruir de benefícios ilícitos, coloca em risco a Web como um lugar interessante para se obter informações de forma gratuita. Não são poucas as tentativas para ditar fluxos informativos na internet, seja de cunho comercial ou político. A cada avanço tecnológico, novos sistemas são produzidos para tal fim.
Neofluxo tenta entender o fluxo informativo
Mas como saber realmente saber se existem astroturfings e como eles tentam criar fluxo na internet? Essa resposta não é simples e somente aparecerá através do uso de sistemas específicos e metodologias preparadas para tal fim. No Brasil, o projeto Neofluxo (www.neofluxo.net), apoiado pelo CNPq, possui o objetivo principal de identificar o comportamento do fluxo informacional nas redes sociais durante o processo eleitoral majoritário no Brasil, em 2010. Ele também deseja identificar os astroturfings brasileiros. Para isso, oO projeto armazenou mais de 20,2 milhões de menções aos candidatos e palavras-chave . Para isso foi elaborado um programa  capaz de rastrear participações de usuários do Twitter segundo palavras-chave, coletando-as e armazenando-as em banco de dados. Também foram gravados dados das redes sociais oficiais dos candidatos José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva, com o propósito de identificar, por intermédio desses pontos de partida, os fluxos informativos desembocados no Twitter.
Agora, o projeto está aplicando uma metodologia construída para conhecer como os astroturfings se movimentaram na teia da internet e quais foram os seus principais objetivos. Os primeiros resultados desse trabalho, que revela o uso das redes sociais pelos políticos nas eleições de 2010, estão no artigo NEOFLUXO: Jornalismo, base de dados e a construção da esfera pública interconectada (http://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/6281). Até o final de julho de 2012, os pesquisadores terão os dados que mostram como os astroturfings brasileiros agiram na eleição presidencial passada.

Nas últimas semanas, um termo alcançou importante dimensão no cenário político nacional, sinalizando que o debate, sobre se os fluxos informativos na Web podem ser direcionados ou não, veio para ficar. O termo em voga é o Astroturfing.

A nomenclatura Astroturfing, utilizada por uma parcela ínfima de cientistas, deve cair na “boca do povo” e acirrar as discussões sobre se realmente tudo que se lê no Twitter, por exemplo, é produzido por um ser humano.

O acalorado debate sobre o uso da estratégia, nada honesta, deve-se a matéria veiculada numa grande revista semanal  de circulação nacional, que acusou um determinado partido político de utilizar robôs e militantes travestidos de usuários “comuns” na rede social Twitter para construir uma imagem negativa da publicação na rede social. O partido nega com veemência, diz que os fluxos foram espontâneos.  A revista aponta os perfis, afirmando que os mesmos foram utilizados para tal fim.

A origem do termo
Mas o que é um astroturfing? Astroturfing é um termo derivado da palavra inglesa “astroturf”, que significa grama artificial. Podemos dizer, interpretando grosseiramente, que é algo que parece, mas não é.  Criado pelo, então, senador estadunidense Lloyd Bentsen, em 1985, o termo surgiu na mente do político porque ele recebia inúmeras cartas sobre questões envolvendo o debate sobre empresas de seguro. Bensten percebeu que grande parte das cartas não era escrita pelos eleitores e, sim, pelos interessados no tema: as empresas de seguro.

No marketing,  Astroturfing é utilizado quando é necessário criar artificialmente um “buzz” com a finalidade de promover um determinado produto, serviço e políticos ou causas políticas.  Nesse campo, o político, o uso da estratégia é mais do que comum, pois o debate é sempre muito acalorado, sendo o combustível principal para propagação de informações.

A questão do anonimato na Internet, que defendo para a garantia da liberdade de expressão na Internet, favorece a criação de perfis falsos com o intuito de construir uma impressão, mas falsa, de enorme apoio a uma causa, produto ou marca.

Entretanto, o uso da estratégia que utilizam sistemas para obter e usufruir de benefícios ilícitos, coloca em risco a Web como um lugar interessante para se obter informações de forma gratuita. Não são poucas as tentativas para ditar fluxos informativos na internet, seja de cunho comercial ou político. A cada avanço tecnológico, novos sistemas são produzidos para tal fim.

Neofluxo tenta entender o fluxo informativo
Mas como saber realmente saber se existem astroturfings e como eles tentam criar fluxo na internet? Essa resposta não é simples e somente aparecerá através do uso de sistemas específicos e metodologias preparadas para tal fim. No Brasil, o projeto Neofluxo (www.neofluxo.net), apoiado pelo CNPq, possui o objetivo principal de identificar o comportamento do fluxo informacional nas redes sociais durante o processo eleitoral majoritário no Brasil, em 2010. Ele também deseja identificar os astroturfings brasileiros. Para isso, oO projeto armazenou mais de 20,2 milhões de menções aos candidatos e palavras-chave.

Para isso foi elaborado um programa  capaz de rastrear participações de usuários do Twitter segundo palavras-chave, coletando-as e armazenando-as em banco de dados. Também foram gravados dados das redes sociais oficiais dos candidatos José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva, com o propósito de identificar, por intermédio desses pontos de partida, os fluxos informativos desembocados no Twitter.

Agora, o projeto está aplicando uma metodologia construída para conhecer como os astroturfings se movimentaram na teia da internet e quais foram os seus principais objetivos. Os primeiros resultados desse trabalho, que revela o uso das redes sociais pelos políticos nas eleições de 2010, estão no artigo NEOFLUXO: Jornalismo, base de dados e a construção da esfera pública interconectada. Até o final de julho de 2012, os pesquisadores terão os dados que mostram como os astroturfings brasileiros agiram na eleição presidencial passada.

  • http://twitter.com/HeraldoLuciano Heraldo Luciano

    O mais chato de se ler um artigo em alguns sites (e algumas revistas também) é a falta de uma informação básica na minha opinião: a DATA da postagem ou publicação.
    Sem a data, somente o contexto, quando possível, pra saber se ele é atual ou se já está obsoleto.

  • Peterson Silva

    No link desta notícia tem a data… 2012/06/05…. péssimo… mas já ajuda!