Tecnologia & Comunicação

Os mitos sobre conversação e ambiente corporativo

Publicada em 31/01/2012 9:09

Recentes pesquisas informam o aumento do acesso aos sites de relacionamento no ambiente corporativo. Não vi nenhuma pesquisa até agora, independente da metodologia utilizada, indicando o contrário. Esse aumento é exponencial e irreversível, mesmo que os atuais sistemas de relacionamento cansem, pois a vontade de conversar irá para outros lugares virtuais.

Essa vontade de conversar, que é uma necessidade humana das mais importantes, alavanca um fenômeno na Web que possui dois vetores estruturais, mas de esferas diferentes: uma tecnológica e outra sociológica. O de esfera tecnológica se fundamenta na facilidade, encontrada nos dias atuais, para se conectar e acessar um espaço de conversação através de redes sociais na Web. Nunca foi tão fácil. Tão fácil, que os responsáveis por crianças devem ficar atentos, pois utilizando um pouco da metodologia de tentativa e erro, elas conseguem criar perfis em poucos minutos. Se a interface utilizar bem a linguagem icônica, esse tempo cai drasticamente.

Ao atingir esse ponto de facilidade de apropriação, ainda mais com a turbinada tecnológica proporcionada pelos aplicativos em dispositivos móveis de comunicação, revela o excelente trabalho de décadas do pessoal da Human-Computer Interface (HCI) e dos pesquisadores de sistemas inteligentes, que encontraram formas intuitivas de oferecer caminhos para encontrar, adicionar e acessar alguém nas redes sociais conectadas.

Emulando ações humanas
Esses cientistas, pouco comuns em empresas de comunicação brasileiras, formalizam em tecnologias alguns atributos do raciocínio humano como o objetivo de conectar pessoas. Certas tecnologias que estruturam os websites de Redes Sociais, silos de relacionamento, se tornaram verdadeiros “hubs” humanos.

É a tecnologia fazendo a vez de pessoas que conhecemos no nosso cotidiano, que são ótimas para conectar pessoas. Logo vão te apresentando, falando dos seus atributos, ou seja, aproximando pessoas desconhecidas, mas que possuem (sempre tem) alguma coisa em comum, um ponto de ligação.

Mas o trabalho de conectar pessoas via Web ainda não chegou ao seu patamar ótimo (jargão tecnológico), tanto que no futuro próximo um atributo a emulação de um atributo de “hubs humanos” estará nas redes sociais conectadas: o acesso via comando de voz. Com os comandos de reconhecimento de voz, não será necessário digitar mensagens, apenas bastando dizer o que deseja ser visto em texto pelos demais participantes. Ou seja, será mais natural ainda.

É nesse ponto que a tecnologia das redes sociais conectadas encontra fortemente a necessidade humana de se expressar através da conversa. Conversar é um ato cotidiano, ocorre de forma “padrão”. Desde um simples bom dia até nos debates exacerbados. É através da conversa que as informações sobre o dia-a-dia circulam e os agendamentos podem ser passados e equalizados. Essa sociabilização obtida pelo intermédio da conversa foi “abduzida” pelos sistemas computacionais ligados em redes.

Assim, a conversação está para a sociabilização como o combustível está para um foguete: é primordial. Nesse ponto, podemos entender a questão das redes sociais conectadas e as corporações. As empresas entenderam que precisam fazer parte dessa conversação e algumas desejam tornarem-se os tais “hubs” delas. Um erro estratégico.

No campo da conversação nas redes sociais conectadas, a vez da palavra não tem dono. Ou seja, o agendamento é feito pela rede, pois ela é dinâmica e funciona em baixa hierarquia. Portanto, é impossível ter o controle de como as conversas se encaminharão. Se não se tem o controle da conversa, muito menos, das consequências delas.

A intencionalidade, redes e corporações
O aumento do acesso e utilização das redes digitais conectadas no ambiente corporativo, inseriu as empresas no patamar importante da sociabilização, o da conversação. Entretanto, a entrada nesse poderoso universo da interação social conectada não garante que as informações que são obtidas ou que emergem sejam importantes para o entendimento da eficácia e eficiência dos seus processos internos ou de qual deve ser o posicionamento da marca ou produtos.

Desta maneira, participar dos processos de conversação não garante a inteligência competitiva à corporação, pois a conversação é um ato de sociabilização e não de estruturação de informações relevantes, fundamentais para sobrevivência de uma empresa na Sociedade da Informação.

As movimentações que emergem das redes sociais conectadas devem ser vista por analistas de informação com ajuda de ferramentas digitais de análise quantitativa e qualitativa de dados, que devem abastecer uma base de dados formatada (indexada, relacionada etc) de acordo com a estratégia da empresa para os próximos cinco e dez anos.

Acreditar que participar da conversação simplesmente, é a estratégia mais ousada que poderia ter, a empresa se equivoca, pois jogar conversa fora também acontece de forma digital.