Privacidade Digital

O essencial na compra de celulares e smartphones usados

Publicada em 17/03/2015 8:01


A compra de um celular usado requer uma série de cuidados. O Brasil tem 5 milhões de celulares bloqueados por roubo ou perda e só em São Paulo o número de celulares furtados cresceu 149,6% em 2014, em relação a 2013.

A compra de um equipamento usado significa redução de custos mas pode sujeitar o adquirente a um processo criminal por receptação, caso este não teme cuidados básicos.

Explicamos. Hoje não só os titulares, mas a própria polícia pode requerer o bloqueio de um equipamento junto à operadora. O IMEI, código único que identifica o aparelho é inserido numa lista negra e bloqueado. O celular vira um despertador.

O grande problema é que técnicos e alguns cracks disponíveis na Internet permitem ressuscitar um celular bloqueado, permitindo a clonagem de um IMEI válido ou a substituição do IMEI antigo. Pronto, o celular está ativo normalmente. Neste ponto já são duas pessoas lesadas: a que teve o equipamento furtado e a que teve um celular atual ou mesmo antigo clonado.

As operadoras ainda não têm, ou pelo menos não divulgam a possibilidade de identificação em tempo real de dois IMEIS autenticados em estações rádio base. O sistema integrado de gestão de aparelhos (SIGA), ao que parece, ainda não saiu do papel para valer. Além destes problemas, quando se compra um equipamento usado, nunca se sabe o que um bom recovery pode identificar na memória dos dispositivos, conteúdo apagado com um simples delete. E se o antigo titular mantivesse conteúdo proibido? Como saber o que este usuário fez na rede com seu antigo aparelho?

Para descobrir o IMEI do seu celular digite *#06# anote e guarde este número, mesmo em relação a equipamentos antigos. Ao comprar um equipamento usado uma importante dica é consultar o IMEI do mesmo em http://www.numberingplans.com/?page=analysis&sub=imeinr. Basta digitar o IMEI e clicar em “Analyse”. Você poderá se surpreender. Outro link recomendado é http://www.nobbi.com/imeicheck.php. Imediatamente, substitua a memória do equipamento comprado por cards novos formatados, não mantenha histórico de navegação, downloads e outro itens do antigo dono. De preferência, faça o “reset” do equipamento. E tome cuidado com os backups automáticos de comunicadores instantâneos e redes sociais do antigo dono, atrelados ao IMEI. Você ainda pode ser responsabilizado por invasão.

Não se tem garantia da eficiência absoluta das blacklists de IMEIS, até porque, como dito, ferramentas disponíveis na internet podem “esquentar” o IMEI de um celular roubado. Eu, na dúvida, não compro celular usado. Os meus antigos? Todos em uma gaveta. Inutilizá-los parece uma boa ideia. Assim, não veja mais o IMEI do seu celular como um “RG”, mas como uma senha, que precisa ser guardada e mantida em confidencialidade, sendo revelada apenas a quem deva ter acesso.

Sim, eu sei, de nada adianta estas medidas se as fabricantes ainda colam tal número nas caixinhas dos aparelhos…. Façamos a nossa parte!