Planos & Ideias

5 ideias que nos apontam para a autossuficiência pessoal

Publicada em 25/11/2014 8:52

Gosto sempre de pensar que a melhor maneira de prever o futuro é olhar para o presente e, a partir daí, retirar tudo o que não fizer sentido.

Inovar, afinal, não é criar novas necessidades: é aprimorar a forma com que as mesmas necessidades de sempre são supridas em nosso cotidiano.

Mas isso não significa que a imaginação pura seja a única ferramenta que tenhamos para trabalhar e, portanto, criar novos produtos e serviços mais adequados às demandas de tempos que ainda estão por vir. Há também uma outra de igual importância: a simples observação do que empreendedores mundo afora estão fazendo.

Afinal, nunca estamos sós na tarefa de inovar: somos apenas parte de uma super competição por novos nichos que, todos os dias, inunda o mercado com ideias e propostas. É claro que sempre haverá ideias ruins e empreendimentos que naufragarão em seus primeiros meses de vida – mas, de uma maneira geral, uma análise simples dessa somatória generalizada de iniciativas consegue apontar, com um bom grau de confiança, os rumos do mercado.

E o mercado parece caminhar em direção a uma espécie de autossuficiência individual, eliminando ao máximo qualquer tipo de dependência entre duas ou mais pessoas que possa atrapalhar, de alguma forma, o nosso sagrado cotidiano.

Exemplos não faltam, mas selecionei 5 que estão chamando bastante atenção nos últimos dias:

Autossuficiência na moda
Quando o e-commerce surgiu, o mercado da moda (bem como muitos outros) entrou em uma espécie de pânico relacionado à quebra da cadeia tradicional formada por indústrias e suas revendas. Afinal, uma venda direta ao consumidor transformaria a intermediação em coisa do passado, deixando o cliente com a comodidade de comprar sem sair de casa e quebrando a própria essência do modelo de intermediação. O medo da obsolescência do modelo tradicional se mostrou coerente e, embora as previsões mais fatalistas não tenham se realizado, muita coisa mudou nesse mercado.

O próprio conceito de venda direta, aliás, deu gás a possibilidades até então impensáveis como a customização de produtos que vão, por exemplo, de tênis personalizados da Nike a criações colaborativas de estampas da Camisetaria.

O resultado foi óbvio: quanto mais opções se dava ao consumidor, mais ele se transformava em criador da sua própria moda.

Mas e se o próprio consumidor pudesse estampar o seu estilo em peças inteiras de criação própria, que levem a sua personalidade individual como marca? Isso até poderia ser algo complexo demais para os dias de hoje – mas já há investidas nessa área que merecem atenção.

A OpenKnit, por exemplo, soma impressão 3D a facilidades da Web e transforma cada consumidor em um designer de moda. Ainda há um longo caminho a ser trilhado? Sem dúvidas. Mas passos significativos já estão sendo dados.

Autossuficiência hídrica
A crise da água no sudeste brasileiro ainda está longe de terminar – e não são poucas as iniciativas, seja de marketing ou de serviços, para criar uma consciência de sustentabilidade no consumidor.

E se as próprias pessoas pudessem produzir o volume de água que consumissem, ficando independentes do governo ao menos em uma das suas necessidades mais básicas?

Em escala, o próprio conceito ainda está longe de ser viável – mas já há algumas ideias bem interessantes que abrem caminho para todo um novo mercado. É o caso da Fontus, projeto criado por um designer industrial austríaco e finalista do prestigiado James Dyson Award. Seu produto é disruptivo: uma garrafa que transforma a umidade do ar em água potável.

Já imaginou o que algo assim pode fazer pelo meio ambiente?

meioambiente

Autossuficiência em diagnósticos médicos
Doenças não costumam marcar hora – e, às vezes, os seus sintomas podem surgir depois de um tempo longo demais para que medidas mais importantes sejam tomadas.

E se uma ferramenta de bolso, do tamanho de um iPod, já existisse e permitisse a detecção de centenas de doenças – incluindo males como pneumonia, câncer e ebola? Ainda há um longo caminho para que o rHealth chegue ao mercado, mas a mera noção de que algo assim é possível beira o revolucionário.

Autosuficiência de baterias
Quem nunca ficou sem bateria no celular ou notebook justamente naquele momento mais crítico do dia? Normalmente, aliás, a Lei de Murphy garante que esse momento ocorra quando se está longe de tomadas ou outras opções de carga.

Um novo produto, o AMPY, financiado por meio do crowdfunding, muda isso. Basicamente, trata-se de um pequeno dispositivo que capta a energia gerada por cada movimento físico que seu portador fizer, garante o seu armazenamento e a “entrega”, via USB, diretamente para seu smartphone.

O AMPY se soma a toda uma série de ideias focadas em usar o corpo humano como gerador de energia para si mesmo e para a sociedade – a própria Maratona de Paris já usou pisos especiais em um trecho e conseguiu captar energia suficiente para iluminar toda uma pequena cidade por um dia inteiro.

Imagine onde iniciativas assim podem chegar.

Autossuficiência na detecção de comida estragada
O problema com comida estragada é que a certeza da (falta de) qualidade costuma vir tarde demais. Claro: pode-se fazer uma espécie de triagem mental pelo aspecto de um restaurante ou se basear em comentários de amigos – mas dificilmente essas abordagens podem ser consideradas infalíveis.

A não ser, claro, que você tenha talheres próprios munidos de sensores que, instantaneamente, detectem problemas na qualidade da comida. Eis os Smart

Chopsticks, da gigante chinesa Baidu, que abre caminho para uma nova revolução na higiene alimentar pessoal.

Se quiser que algo seja bem feito…
Os exemplos acima são apenas cinco dentre os tantos que aparecem todos os dias para resolver um dos maiores problemas que a humanidade já teve: depender da boa vontade, competência ou capacidade técnica dos seus pares. Pare e pense: praticamente todos os nossos maiores problemas são resultado direto de erros de interpretação ou incapacidade de execução, seja técnica, cultural ou política, de outras pessoas.

A partir do momento em que se diminui a dependência de fatores humanos externos e se insere no dia a dia ferramentas que permitem essa espécie de auto suficiência, no entanto, tudo muda.

De pequenas comodidades a grandes saltos na gestão da saúde, todas essas (e muitas outras) iniciativas parecem traduzir um só pensamento: a melhor maneira de exigir que algo seja bem feito é fazendo-o você mesmo.