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Monitor Eleitoral: Para onde e como as eleições estão se encaminhando

Publicada em 02/10/2014 8:55

Se tem uma coisa que todos os analistas e especialistas concordam é que essa eleição presidencial tem sido a mais turbulenta e repleta de surpresas de toda a história brasileira.

Há poucos meses, um segundo turno parecia estar definido entre Dilma e Aécio, colocando em primeiro plano a velha rivalidade PTxPSDB e deixando o então candidato Eduardo Campos em um distante terceiro lugar.

De repente, sai de cena Eduardo Campos e entra Marina Silva, carregando uma força emocional comparável à de Lula e que, em dias, assumiu o segundo lugar e começou a crescer de tal forma que seus dois opositores ficaram em choque.

A campanha petista começou a ignorar Aécio e voltou suas armas para Marina, destacando cada deslize que a candidata do PSB cometia nesse inesperado crescimento, martelando em uma única tecla: a sua suposta incoerência.

Aécio concentrou-se em si mesmo – mas, sem uma rival para colocá-lo em destaque, acabou caindo de maneira constante. Até que começou a desqualificar Marina.

De repente, às vésperas do primeiro turno, tudo mudou novamente. Os tiros dos opositores na campanha de Marina começaram a surtir efeito e ela passou a cair constantemente nas pesquisas enquanto Aécio, por consequência, voltou a chamar a atenção.


O resultado disso: na Web, parte da munição eleitoral da campanha dilmista passou a mirar, novamente, o PSDB.

O que dizem as redes sociais?

O primeiro aspecto a se considerar é a volumetria de menções nas redes, ilustrada no gráfico abaixo:


Logo surge uma pergunta: o que, exatamente, aconteceu entre os dias 19 e 26 de setembro? Nesse período, a quantidade de menções feitas por usuários sobre a Presidenta Dilma Roussef deu um salto absolutamente inesperado e desproporcional.

A resposta: o discurso da candidata, em tom de campanha, na abertura da Assembleia Geral da ONU. Até hoje, mesmo considerando a existência de um debate há poucos dias, esse é o assunto mais falado sobre a ela nas redes sociais. Politicamente, o discurso incluiu uma série de auto-elogios e uma postura muito mais de candidata do que de estadista, gerando críticas e polêmica.

O resultado: as críticas chamaram a atenção para a presença do Brasil, representado pela Dilma, protagonizando um encontro oficial de estadistas na mais alta cúpula do poder mundial (algo que costuma mexer, de alguma forma, com o senso patriótico do cidadão comum); e a polêmica trouxe à tona justamente os auto-elogios, fazendo o discurso de campanha ser ecoado por milhares de cidadãos (mesmo os que tinham o objetivo velado de criticar).

Golpe de mestre: apesar de uma rejeição que sempre foi alta, Dilma ganhou com um destaque tamanho que fez suas intenções de voto subirem de maneira decisiva. De acordo com o Monitor Eleitoral (www.monitoreleitoral.com.br), que mede volumetria e polarização de menções feitas aos três candidatos, ela fechou o dia 29/09 com 163 mil menções – quatro vezes mais que a soma de seus opositores.

Basta comparar o share de menções entre os três candidatos com as pesquisas eleitorais e considerar, ao mesmo tempo, os temas mais relacionados à líder nas intenções de voto, para entender melhor o cenário:

O que esperar do segundo turno?

A primeira pergunta é: haverá segundo turno? Provavelmente sim, sendo que os gráficos de saudabilidade do Monitor Eleitoral sempre apontaram bem o comportamento de pesquisas eleitorais futuras. Isso significa que entender como o eleitor está falando sobre cada um dos candidatos pode dar uma pista clara. Veja o gráfico:

O que mais chama a atenção aqui? A queda acentuada de Marina depois da última pesquisa eleitoral, em 26/09, a de Aécio (apesar de sua manutenção na casa dos 90%) e o crescimento da petista.

De imediato, isso aponta para uma tendência de crescimento de Dilma em próximas pesquisas, o que pode complicar a vida dos seus dois opositores. Infelizmente, ainda não dá para dizer o tamanho desse crescimento ou se ele será decisivo para encerrar o pleito no primeiro turno.

Mas dá para adiantar os principais ingredientes estratégicos que todos os candidatos precisam para alcançar os seus objetivos:

1. Dilma precisa se manter no centro dos debates: sua maior arma é a presença, não a preferência.

2. Aécio precisa também precisa ser falado. Se ele conseguir se inserir no meio das discussões, puxando a polarização antiga PTxPSDB, pode ser que tenha alguma chance.

3. Marina precisa se posicionar com propostas e ações diretas, práticas e que neutralizem as acusações de incoerência que foram coladas a ela pela campanha petista.

Uma coisa é certa: dentre todos os ingredientes, o mais fácil de se conseguir é justamente o da Dilma.