Planos & Ideias

Eleições 2014: As redes sociais apontam as mesmas tendências das pesquisa oficiais?

Publicada em 04/09/2014 7:16

As mídias – sociais e tradicionais – têm sido enfáticas ao comprovar o alto grau de eletricidade, na falta de um termo melhor, que está dominando o cenário eleitoral brasileiro. Desde o falecimento de Eduardo Campos, o surgimento de uma nova candidatura encabeçada por Marina Silva alterou de maneira dramática a própria dinâmica da corrida rumo ao Planalto.

Veja, por exemplo, os resultados das pesquisas Datafolha feitas nos dias 18 e 29 de agosto, ambas já considerando Marina Silva:

Em uma simples leitura: Dilma e Aécio minguaram – este último de maneira bem mais expressiva – e Marina passou a assumir o posto de favorita.

Pesquisas, no entanto, são o retrato de um determinado período ilustrando intenções de voto. Tanto que, nas pesquisas divulgadas nessa quarta-feira, 3/9, Dilma já recuperou teremo e Marina parou de crescer.

Mas o que faz um cidadão declarar o seu voto? A pauta pública (e, portanto, o quanto um determinado candidato faz parte do cotidiano de discussões do cidadão) e o alinhamento entre opiniões e posições.

É aqui que entra a análise de redes sociais. viabilizada pelo Monitor Eleitoral.

Identificando a pauta pública
A pauta pública é facilmente espelhado pelas redes sociais por meio da contagem simples do volume de menções feitas a cada candidato. Quanto mais um candidato crescer, mais ele está fazendo parte da pauta pública; quanto mais ele diminuir, menos está sendo debatido (e, portanto, considerado) pelos eleitores.

De fato, Marina Silva cresceu de maneira impressionante entre os dias 18 e 29 de agosto. No dia da última pesquisa do Datafolha, aliás, 55% das menções sobre os três candidatos eram sobre ela.

Só que, depois da pesquisa, essa proporção diminuiu, chegando a 50%. Quem cresceu, nesse caso, foi Aécio Neves.


Embora ainda represente um cenário de dominação absoluta de Marina Silva, essa análise mostra uma mudança importante na pauta pública que, embora ainda timidamente, começa a destacar mais o candidato tucano.

Empatia
A quantidade de menções, claro, está longe de ser o único fator a definir uma intenção de voto: a empatia, o grau de identificação entre as propostas de um candidato e o eleitor, tem peso igualmente relevante.

E, aqui, vale apenas destacar alguns dos fatos que marcaram os últimos dias dessa corrida rumo ao Planalto:

1 – Debate entre os candidatos realizado pelo SBT, Jovem Pan, UOL e Folha (http://bit.ly/1oyF7oz)
2 – Mudanças no plano de governo de Marina Silva, retirando propostas em defesa dos homossexuais (http://bit.ly/1u167DB)
3 – Declaração de Marina Silva de que tomava decisões de acordo com a Bíblia (http://bit.ly/1nOZsGG)
4 – Entrevista da candidata Marina Silva ao Jornal da Globo ( http://glo.bo/1qyEVK3)
5 – Recusa da candidata Dilma em participar da entrevista ao Jornal da Globo, o que fez a emissora transmitir apenas as perguntas que seriam feitas a ela (http://glo.bo/1BaH5nM)

O resultado desses 5 pontos foram nítidos na análise de saudabilidade social (resultado da fórmula que divide o total de menções positivas a um candidato pelo total de menções gerais feitas a ele):

Desde que Marina começou a despontar nas pesquisas, as campanhas de Aécio e Dilma – o que inclui as suas respectivas militâncias – passaram a mirar na nova chapa do PSB. Somando isso aos pontos listados acima, ela chegou a uma saudabilidade de apenas 5% ao final de 01/09. A candidata cresceu no dia 2 – mas permaneceu significativamente abaixo de suas médias históricas.

Dilma, por sua vez, conseguiu frear a queda já no dia 1 – mas os reflexos da sua recusa em participar da entrevista na Globo a fez fechar o período com tendência de queda.

Finalmente, Aécio Neves também vem perdendo saudabilidade, tendo fechado o dia 2 em 62% (entre Marina e Dilma).

Que leitura se pode fazer? Sendo prático: a de que o cenário eleitoral não está, nem de longe, definido. Mesmo antes das pesquiss divulgadas nessa quarta-feira, 3/9, as redes sociais já mostravam apontavam uma espécie de desaceleração (ou mesmo queda) no crescimento de Marina Silva.  Por outro lado, isso não significa que ela deixe o favoritismo no futuro próximo: tudo ainda dependerá da eficácia das estratégias de todos os candidatos.

Um fato, no entanto, é inegável: o jogo eleitoral neste pleito – o mais digital que já houve na história do país – parece estar sendo definido no mesmo ritmo eletrizante que caracteriza o próprio dinamismo das redes sociais: a cada dia, a cada nova declaração sendo feita e cada nova “verdade” sendo viralizada.

  • TICs em Educação

    Há várias características das chamadas “mídias sociais” que tiram a confiabilidade de qualquer análise feita com base nas mesmas! Primeiro a existência de robôs (bots) para inflar um termo (hashtags)! Ok, que os institutos de pesquisas também inflam números ao seu bel prazer!

    O segundo ponto é que, em tese, as pesquisas escolhem uma amostra aleatória enquanto nas mídias sociais você está falando com o público mais
    engajado (sic) nas eleições.

    Claro que alguns institutos, como datafolha e ibope, muitas vezes não escolhem amostras aleatórias. E o fazem de maneira intencional e leviana mesmo!

    Como já disseram alguns analistas que botaram uma lupa sobre a tal “mineração de dados das redes sociais” a tal “inteligência das multidões” muitas vezes é só a “burrice das multidões” por um motivo muito simples de se entender e fácil de se verificar nas mídias sociais: O “efeito manada”.

    Nós temos vários exemplos de como o resultado das urnas é muito distinto do resultado das “pesquisas eleitorais mal intencionadas” e, agora, os deslumbrados com análises de mídias sociais ficaram mais “surpresos” ainda…

    O universo dos votantes é bem distinto do universo dos participantes (participante =! de quem tem perfil) de mídias sociais. E com dinâmicas bem distintas! Quem viver verá :-)

  • ricardoralmeida

    Fizemos o mesmo tipo de acompanhamento em redes sociais nas eleições de 2010 – e, portanto, com um público de internauta muito menor do que o de hoje. O resultado dessa análise, inclusive publicado aqui na coluna, foi bem claro no sentido de mostrar o quanto as redes foram precisas na análise. Se quiser conferir o link, é http://idgnow.com.br/blog/planoseideias/2010/10/06/engajamento-politico-na-rede-reflete-resultado-das-urnas/

    O cenário agora é bem diferente: temos mais de 100 milhões de internautas no Brasil, dos quais mais de 80 milhões são usuários do Facebook – apenas para citar alguns poucos dados. Se 100 milhões de internautas não são uma amostra confiável – mesmo considerando que, em um cenário de 4 anos atrás, com números bem mais tímidos, tivemos uma eficácia analítica bastante precisa – não sei o que pode ser.

    Sim, de fato há militâncias altamente ativas nas redes – mas isso ocorre de todos os lados. Além disso, as análises de saudabilidade, baseadas em menções positivas e negativas feitas aos candidatos, são feitas em um processo manual que considera um total de 1.500 posts avaliados todos os dias – uma amostra muito maior, diga-se de passagem, que a de qualquer instituto de pesquisa.

    Entendo que, principalmente em cenários que apontam queda na preferência do eleitor, os partidos, chapas ou militantes do lado que está caindo costumem questionar metodologias, resultados etc. Ao menos na minha opinião, isso é algo equivocado: ao invés de se questionar pesquisas, seria muito mais efetivo entendê-las e, assim, mudar um pouco tanto o discurso quanto o próprio posicionamento perante o eleitor.

    O artigo cujo link eu postei aqui no comentário, aliás, aponta exatamente isso: como não ouvir as redes sociais acabou fazendo o Serra perder um terreno valiosíssimo em seu eleitorado.

  • TICs em Educação

    Ricardo Almeida. Eu acredito na validade de pesquisas eleitorais bem feitas, com escolha aleatória da amostra e tal! O que estou dizendo (e é fácil verificar) que nem todas as amostras do Datafolha e Ibope em todas as pesquisas são aleatórias!

    Não foram um ou dois casos… foram vários casos de grande discrepância entre o resultado das urnas e das pesquisas! Como a estatística é uma ciência bem estabelecida, só me resta inferir em má fé no tratamento dos dados!

    Sobre a análise de mídias socias eu acho que deve-se ter muito cuidado pois é relativamente fácil viciar os dados com robôs :-) E pelo que li no texto de 2010, a tese de que a análise das mídias sociais podem prever (com um certo grau de acerto) o resultado das pesquisas parece não ser conclusiva, uma vez que não ousou especular sobre o segundo turno.

    Pelo que vejo, muitos entusiastas da análise de tendências em rede sociais costumam cometer os mesmos erros primários daqueles que tem apenas uma compreensão superficial de estatística: costumam considerar correlação com causalidade e fazer inferências (erradas) com base nessa premissa.

    Quem viver verá :-)