Planos & Ideias

Redes Sociais: Como a morte de Eduardo Campos está repercutindo nas candidaturas de Aécio e Dilma?

Publicada em 14/08/2014 17:34

A corrida parecia estar equilibrada e até mesmo estável, composta por uma chapa da situação batalhando contra, principalmente, duas chapas da oposição clamando por mudança.

Na medida em que as eleições iam ficando mais próximas, as redes sociais pareciam desenhar os contornos de um embate no segundo turno entre PT e PSDB – sendo que este já estava sendo considerado o caminho natural dos votos concedidos ao PSB no primeiro turno.

O que se discutia, na prática, era se a soma das duas oposições seria suficiente para derrubar a situação.

Até que, em uma quarta-feira qualquer, uma tragédia levou à morte o candidato Eduardo Campos – e mudou toda a configuração política da corrida eleitoral.

Primeiras repercussões
De acordo com o Monitor Eleitoral (www.monitoreleitoral.com.br), a saudabilidade (relação entre menções positivas ou neutras a um candidato versus o total de menções em redes sociais) de Dilma Rousseff e Aécio Neves se comportou da seguinte maneira nos últimos dias:


A leitura é curiosa: na data do acidente, ambos os candidatos perderam saudabilidade na medida em que ondas e mais ondas de elogios eram destinadas a Eduardo Campos, que passou a ser reverenciado como símbolo perdido da renovação política brasileira (colocando, assim, tanto Dilma quanto Aécio como representantes de uma velha e indesejada classe).

Dilma foi quem mais sofreu com isso por estar politicamente mais distanciada de Campos, caindo para 0,4%. Apenas contextualizando, isso significa que 99,6% de todas as menções a Dilma no período foram negativas – o pior patamar que ela já atingiu desde o início do processo de monitoramento.

No dia seguinte, no entanto, ambos os candidatos voltaram a crescer embalados pelo fim do choque inicial e pelas suas reações à tragédia (destacando os pronunciamentos que ambos fizeram sobre o acidente, encontrando grande respaldo nas redes sociais).

Vínculo entre oposições
Em que pese o fato de Eduardo Campos ter sido antigo aliado do Governo Dilma por alguns anos, o eleitor o percebia, nas redes, como oposição mais alinhada à chapa de Aécio do que ao PT.

Nas últimas 24 horas, por exemplo, 24,16% de todas as menções feitas a Aécio Neves carregavam o nome de Eduardo Campos; no caso de Dilma, esse número foi de apenas 19,13%.

Essa percepção, inclusive, é chave para se entender o desenrolar das redes a partir de agora. Desde o início do Monitor Eleitoral, a hashtag mais vinculada tanto a Eduardo Campos quanto a Aécio Neves foi a mesma: #ForaPT. Com cerca de duas mil menções diárias, isso gerava uma situação em que Dilma acabava tendo como principal inimiga a rejeição ao seu partido (e não as propostas de outros candidatos).

Colocando de maneira fria, a saída de um dos dois presidenciáveis que mais embalava o coro #ForaPT certamente terá um efeito positivo para a campanha Dilma.

O efeito Marina
Mas há um outro elemento que pode mudar todo o jogo novamente: Marina Silva. Vice na chapa de Campos e opção natural para substitui-lo na corrida eleitoral, ela tem um inegável apelo eleitoral fortalecido agora por toda a comoção pública.

No dia 13/08, por exemplo, ela teve 25 mil menções nas redes – algo bem acima de sua média diária.

Até as 13h do dia 14/08 esse volume de menções foi para 4,8 mil – uma queda grande, mas deixando-a ainda em um patamar bastante elevado.


É difícil dizer se Marina Silva tem apelo o suficiente para chegar ao Planalto, mas restam poucas dúvidas de que o seu nome seria forte o suficiente para, pelo menos, garantir um segundo turno embalado pela comoção nacional em torno da tragédia (e reforçando o volume de menções nas redes carregando a #ForaPT).

Seria, portanto, uma espécie de revitalização da oposição, gerando incertezas maiores para Dilma do que para Aécio.

Mas, em um eventual segundo turno entre PT e PSDB, para onde migrariam os decisivos votos de Marina Silva? Que havia uma percepção maior de alinhamento entre Eduardo Campos e Aécio Neves, pouco se discute – mas o patrimônio eleitoral da candidata cotada a assumir a liderança da chapa pessebista é bastante diferente.

Quanto a isso, no entanto, as redes sociais ainda têm pouco a dizer.

A única certeza que há, neste momento, é de que a corrida eleitoral nunca esteve tão incerta.

  • marcus vallerius

    Interessante
    o número de pernambucanos não tão distantes do foco desse assunto,
    direta ou indiretamente, de longe e de perto: Lula e Eduardo são
    pernambucanos como Marcos Freire (do PSB e autor dos livros “Distensão,
    Corrupção e AI-5″ e “Nação Oprimida”), que morreu em acidente aéreo em
    08/09/1987, sob suspeita de atentado também. Assim como a Guerra no
    Iraque de 2003, que só daqui a um século vão vasculhar e descobrir
    segredos, esse acidente (ou atentado) só terá uma desconstrução ou
    investigação de verdade, daqui a 100 anos, quando essa geração tiver
    passado e outros interesses ocuparem o lugar dos interesses atuais. Por
    isso é que não faz vinte anos, vasculharam Menghelli e descobriram que
    ele estava no Brasil. Já no golpe militar de 64 existe hoje mais clareza
    que antes, com novos atores e intervenções políticas que não sabíamos,
    como por exemplo, que a Globo, articuladora e apoiadora do Golpe em
    1965, foi fruto dos acordos com o grupo norte-americano Time-Life, e
    que o golpe estava em gestação dez anos antes de ocorrer, pois desde
    maio de 1954, quando o ministro do Trabalho de Vargas, João Goulart,
    propôs 100% de aumento no salário mínimo, começou a se sentir cheiro de
    golpe no ar. Se Eduardo Campos foi assassinado, o “cheiro” de morte
    teria surgido muito tempo antes, e acordos secretos na imprensa não é
    algo para se descartar. O avião despedaçado é só uma ponta do iceberg.
    Muitos figurões e lugares seriam interligados até chegar a um mandante
    ou vários. Por enquanto, problemas individuais do piloto e o mau tempo
    são as principais interferências, resumidas em “nave desgovernada” que
    se somará com o ranking de acidentes aéreos de 2014. Querem colocar tudo
    em uma prateleira só, de preferência com explicações banais. É a
    própria oficialização da coerência dos fatos, mas que Nelson Rodrigues
    diria: “Toda coerência é, no mínimo, suspeita”. Exemplos de outros casos
    nos permitem refletir melhor: Hitler e Göring, este último que era
    líder do Partido Nazista, assim que viram o Palácio de Reichstag em
    chamas (Fev. 1933) e encontraram um comunista dentro dele, trataram logo
    de culpá-lo e a todos os comunistas. A morte de Campos deixará, além da
    história de vida dele, os ressentimentos. Dilma falou em “apesar das
    nossas divergências”, e Aércio falou “éramos grandes amigos”. Ela
    demonstra descuido nas expressões que usa, e que, segundo o economista
    Francisco Petros: “não encarna o lulismo na sua essência”. Acredito que
    no 2º turno é que o resultado da morte de Eduardo surtirá seu primeiro e
    mais importante efeito, SE ACASO Aércio ganhar.