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Monitor Eleitoral: a Copa está sendo decisiva para a Presidenta?

Publicada em 10/07/2014 12:55

Uma das grandes dúvidas relacionadas às eleições deste ano é o “efeito Copa do Mundo”.

Afinal, até muito pouco tempo atrás a própria realização do evento era questionada por brasileiros e estrangeiros. Obras faraônicas, gastos públicos irresponsáveis (incluindo a construção de estádios multimilionários em lugares que sequer têm times de futebol) e a falta generalizada de infraestrutura foram responsáveis por protestos como o país jamais viu em sua história recente.

Mas, no final das contas, a Copa aconteceu – e teve justamente a sua organização como um dos pontos mais elogiados tanto por brasileiros quanto pelos até então incrédulos gringos.

Isso significa que a reeleição, portanto, deve ser dada como certa? E o efeito da ainda inacreditável derrota de 7×1 para a Alemanha? Até que ponto isso conta?

Com base no Monitor Eleitoral, foi possível levantar uma análise bem direta sobre os efeitos dos jogos do Brasil na popularidade da Presidente Dilma Rousseff.

Para que se entenda, o Monitor Eleitoral é um painel online e aberto que coleta todas as menções em redes sociais feitas aos principais presidenciáveis. Com base nisso, uma equipe humana classifica uma amostra por candidato por dia sob a ótica de positivo versus negativo, viabilizando o cálculo do Índice de Saudabilidade de cada um.

Vamos, então, aos efeitos, apontados no gráfico abaixo:

Primeiras reações: surpresa
Na véspera na primeira partida, a saudabilidade de Dilma estava em pífios 2%, carregando ainda milhares de questionamentos sobre a capacidade do país em coordenar um evento deste porte. A abertura (que incluiu vaias e xingamentos condenados por boa parte da população) acabou revertendo dramaticamente o panorama: no dia depois do jogo, sua saudabilidade saltou para os 35%.

A euforia da Copa não ficou muito tempo presa à imagem da Presidenta e, na véspera do segundo jogo, ela já estava na casa do 1%. Um dia depois, o efeito se repetiu: ela foi para 27%. Houve uma pequena estabilização a partir daí: foi neste período que a maior parte da imprensa internacional e do próprio público brasileiro começou realmente a elogiar a Copa como um todo.

Isso mudou tudo – mas de uma maneira diferente do que se poderia supor.

Copa e presidência
Na véspera do terceiro jogo, o bom humor do público fez com que a saudabilidade da Dilma se mantivesse relativamente alta, na casa dos 33%. Fosse mantido o comportamento dos primeiros dois jogos, ela estaria a caminho de um céu de brigadeiro.

Só que, a despeito da vitória sobre Camarões, o “day after” viu sua saudabilidade cair 19 pontos, para 14%.

Analisando o teor das menções principalmente no Twitter e Facebook, foi nessa época que os usuários realmente começaram a descolar o sucesso da Copa do governo como um todo, que continuou sendo visto como corrupto e desorganizado em suas prioridades.

Começava aí uma nova tendência: a popularidade da Dilma crescia às vésperas dos jogos, movida basicamente pela expectativa de espetáculo da população, e despencava no dia seguinte, quando a vida parecia voltar ao normal.

No dia 9 de julho, logo depois da vexatória derrota da seleção, a saudabilidade da Presidenta chegou aos 38% – bem abaixo dos 57% em que estava poucos dias antes.

E então? A Copa ajudou ou não o governo?
Antes de mais nada, vale destacar que a Copa acabou apenas para a seleção brasileira. Mas duas conclusões podem ser tiradas:

1) O cidadão desenvolveu uma certa resistência em vincular a Copa ao governo federal. A expectativa dos jogos e o sucesso do evento até geraram avaliações mais elogiosas – mas bastava a vida voltar ao normal e temas como corrupção e falta de prioridades passavam a dominar a temática.

2) Ainda assim, é importante observar que, entre os dias 11 de junho e 9 de julho, a saudabilidade de Dilma Rousseff pulou de 2% para 38%. Houve, portanto, uma clara “impregnação de positividade”, por assim dizer, nas mentes dos eleitores.

Se esse efeito será suficiente ou não para garantir que ela seja reeleita, ainda é cedo para dizer. Há, por exemplo, a entrega da taça, que deve contar com a participação da Presidenta, e uma consequente imprevisível reação dos torcedores no Maracanã.

Mas o simples fato de que não se conseguiu colar tanto a imagem de sucesso da Copa ao governo federal certamente deve preocupar a cúpula do Partido dos Trabalhadores. Principalmente quando se leva em conta que, ao longo de todo esse período, a hashtag mais vinculada tanto a Dilma quanto aos outros candidatos continuou sendo a mesma: #ForaPT (com mais de 44 mil menções desde 11/06).