Planos & Ideias

SXSW: Quando conteúdo e produto viram uma coisa só

Publicada em 08/03/2014 14:31

Não é mais segredo para quase ninguém que marketing de conteúdo é uma das maneiras mais eficazes de se criar um elo entre empresas e consumidores. Mas a questão que fica é: como?

Basta criar um blog e uma presença em mídias sociais e sair postando feito louco? Na prática – desde que o bom senso seja mantido, claro – essa “fórmula” comprovadamente funciona. O raciocínio é simples: conteúdo interessante cativa e engaja usuários que, por sua vez, criam uma maior empatia pela marca e uma maior predisposição de consumo.

Temos um exemplo aqui mesmo, dentro de casa: hoje, cerca de 30% das vendas do Clube de Autores são diretamente geradas pelo conteúdo criado no blog e nas redes sociais.

Mas mesmo esse modelo, que já pode ser considerado quase “tradicional”, ainda tem um problema: ele separa de maneira determinante conteúdo do produto. Quer ler mais? Vá aos ambientes informativos. Quer comprar? Vá à loja. Se interessou por um anúncio? Clique no banner. E os próprios usuários são responsáveis por fazer a ponte entre conteúdo e a compra.

Uma empresa apresentada aqui no South x Southwest, em Austin (Texas), deu um passo além: ela misturou, sem nenhum pudor, produto e conteúdo.

Trata-se da Thrillist, um veículo online sobre estilo de vida para homens. Veja a imagem abaixo, da página principal de seu site:


Em um primeiro olhar, parece um site como qualquer outro: com destaques levando a matérias diversas.

Mas a chave está no conteúdo em si: enquanto alguns dos destaques são de matérias convencionais, outras são anúncios travestidos de artigos, mesclando a demanda do anunciante por exposição à demanda do usuário por informação em uma única “sugestão editorial”, por assim dizer.

Veja o exemplo abaixo, acessado a partir do clique em um dos destaques editoriais (com o mesmo título da matéria):

Claro: um modelo como esses traz imediatamente uma série de questionamentos éticos. E a responsabilidade editorial? Onde se desenha a linha da isenção jornalística?

O fundador, Ben Jerer, foi muito claro na resposta: “Nós não somos o New York Times e não pretendemos curar o câncer. No final do dia, nosso conteúdo é puro entretenimento e, se o usuário está clicando e voltando, é porque aprova.”

Por trás de toda essa estratégia – que, diga-se de passagem, mais que decuplicou (multiplicou por dez) os resultados da Thrillist e de seus anunciantes – está uma mensagem simples e que deveria ser encarada de maneira no mínimo mais cuidadosa por profissionais de Marketing em todo o mundo: cada venda, hoje, é resultado de uma boa história contada.

No caso da Thrillist, literalmente.