Futuro do Presente

Efeito “de volta para o futuro”: CNET lança revista impressa trimestral

Publicada em 04/11/2014 9:40

A CNET, mídia de tecnologia “nativa online” que foi criada há quase 20 anos como um portal de notícias e reviews de tecnologia digital, anunciou esta semana o lançamento de uma revista impressa, trimestral. O primeiro exemplar da revista tem o ator LL Cool J na capa e está à venda nas bancas dos EUA e Canadá por US$ 5,99. E poderá ser assinada.

A CNET foi comprada em maio de 2008 pela rede de TV americana CBS pela bagatela de US$ 1,8 bilhão e hoje é parte  da divisão CBS Interactive. O “media outlet”, como definem os americanos, tem muito mais do que um site atualmente. Tem conteúdo entregue em mídia móvel, em vídeo e em podcasts. Só faltava uma revista.

Oportunidade

O movimento da CNET sinaliza o aproveitamento esperto de uma oportunidade junto aos leitores e certamente junto ao mercado anunciante. A edição que circula esta semana tem, além dos artigos sobre comportamento digital, um guia de presentes de Natal de 24 páginas (e certamente muitos anúncios). No texto de apresentação do projeto os editores escrevem: “É o guia de compras de tecnologia mais interessante e informativo que você vai ler nesta temporada, garantido pela autoridade dos reviews da CNET”.

Relevância editorial

Essa é a “deixa” – autoridade e relevância editorial. Na minha opinião, há espaço para revistas impressas de boa qualidade quando derivadas de uma marca de mídia forte online e quando posicionadas, do ponto de vista de periodicidade, audiência e monetização, adequadamente. De novo é um exercício de entendimento de mercado e de leitores para achar o melhor ponto de entrada.

A revista passa a ser o reflexo de uma curadoria mais elaborada de material editorial publicado online ao longo de um período e enriquecida pelo tratamento da informação com a qualidade de imagens e layout que o produto impresso exige. E é exatamente o que a editora chefe da CNET Reviews, Lindsey Turrentine, destaca ao comentar que os artigos mais longos e a fotografia de qualidade “são complementares ao que existe online”.

Mas atenção, o “ministério do bom senso adverte”: isso não deve ser entendido pelos “nativos impressos renitentes” como sinal verde para continuar sua jornada na direção do iceberg.

Não, as revistas impressas semanais e mensais e os jornais não vão sobreviver ou trazer a receita necessária para manter a qualidade do conteúdo editorial se não tiverem (e olha que ainda dá tempo) uma estratégia digital clara e abrangente e um modelo de publicidade e conteúdo que permita a melhor monetização da audiência – seja por anúncios, seja pelo famoso paywall.

E se não entenderem que o que vai lhes garantir a sobrevivência é o conteúdo, não a mídia que o transporta. Essa hoje tem de ser múltipla, como é o comportamento dos leitores na hora de buscar a informação.