Futuro do Presente

Vídeo sobre “likes falsos” do Facebook passa do 1 milhão de views no YouTube

Publicada em 12/02/2014 16:25

Métricas são uma benção e uma maldição para o marketing digital. A mídia online é historicamente a mais completa em rastrear e individualizar comportamentos da audiência e gerar indicadores de performance. Mas também é a mais controversa na hora de provar que eles valem realmente alguma coisa ou demonstrar sua equivalência com os indicadores do velho mundo analógico.

Nas redes sociais o problema é ainda maior. Indicadores como “likes”, “followers”, “retweets” etc. são cobiçados por empresas como rankings de audiência que deveriam, em última instância, representar numericamente a popularidade da marca junto ao público, mas sua efetividade é frequentemente questionada pelo mercado.

O apresentador de TV australiano Derek Muller, famoso pelo seu canal no YouTube chamado Veritasium, sobre ciência, resolveu chutar o balde e dissecar, de forma científica, fria e calculista, o cenário dos “fake likes” do Facebook. Na segunda-feira, 10/02, Muller publicou o vídeo “Facebook Fraud” que já tem mais de 900 mil views 1 milhão de views.

Como todo pesquisador científico, ele inicia com a hipótese de que parte da receita gerada pelo Facebook é alavancada por falsos likes, ou seja, likes que são comprados por um dólar o milheiro junto a fazendas de cliques (click farms) existentes na Ásia, Oriente Médio e países em desenvolvimento (exato, há quem venda likes e followers, embora tanto Facebook quanto Twitter se apressem em informar que fazem de tudo para impedir a prática e a condenam).

E para formar sua tese. Muller constrói a argumentação alinhando fatos colhidos por um experimento feito por ele com sua própria página no Facebook para o programa Veritasium. Muller é deliberadamente calmo e científico na análise, mostrando que uma enorme quantidade de likes não equivale a alto nível de engajamento em seu conteúdo e questiona a origem dos seus seguidores, já que um número muito alto veio, inesperadamente, de países nos quais tem muito pouca presença.

O apresentador coloca mais lenha na fogueira das questões em torno do valor da presença das marcas na rede social e o verdadeiro ROI de anunciar dentro da própria rede social para captar mais seguidores para sua página. Se o engajamento é baixo e os seguidores seguem qualquer coisa, por que anunciar, pergunta Muller.

O jornalista Simon Dumenco publicou um artigo sobre o vídeo ontem, 11/02, acompanhado de um comentário do Facebook sobre o tema: “Os likes falsos não nos ajudam. Nos últimos dois anos estivemos concentrados em garantir que nossos anúncios gerem resultados para os negócios e temos atualizado nossos anúncios para ficarem ainda mais sintonizados com objetivos das empresas. Os resultados reais que temos presenciado não seriam possíveis com likes falsos. E continuamos a melhorar nossos sistemas para remover esses likes”, diz a porta-voz do FB.

De ontem para hoje já foram 300 mil views a mais no vídeo. A discussão continua se espalhando. E o primeiro vídeo de Muller, publicado em janeiro deste ano, tem 1,2 milhão de views no YouTube. Ele se chama… “The Problem with Facebook”.