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Design Thinking serve para a educação?

Publicada em 22/04/2015 8:43

O Design Thinking, como um conceito, é vago. Existem inúmeras definições, algumas inclusive que se contradizem. No entanto, é seguro dizer que ele é um modo de pensar; pensamento que segue uma estrutura livre, onde ideias são coletadas a partir de uma variedade de fontes que, finalmente, orientam atividades em direção a uma solução.

Em resumo, o Design Thinking é sobre a aplicação do ciclo de design típico para novos domínios. O ciclo de design, em geral, é focado na pessoa que usa o serviço ou produto. A partir da investigação do problema, com um pensamento criativo, move-se para prototipagem, para testar e implementar alternativas ou mesmo para voltar ao início do ciclo de projeto e começar tudo novamente.

Muito importante aqui é notar que a maioria dos proponentes e usuários de Design Thinking usa sua própria versão desse ciclo, tendo relativamente mais atenção a um ou a outro estágio, ou mesmo simplificando as etapas ou alterando a linguagem usada para descrevê-los. A maioria das pessoas também desenvolve suas próprias ferramentas e sub metodologias para o ciclo. Assim como cada vinícola na França faz o seu próprio vinho, a maioria de seus proponentes tem suas próprias abordagens do Design Thinking.

A definição que achei mais apropriada para Design Think foi da Universidade de Stanford cara1: “Este processo que é chamado Design Thinking se baseia em métodos de engenharia e do design e os combina com ideias das artes, ferramentas de ciências sociais e os conhecimentos do mundo dos negócios para inovação de um processo ou criação de um produto”.

cara5E na educação….
O impacto do Design Thinking quando aplicado à educação é duplo: primeiro, ao exigir o uso de múltiplas abordagens quando se olha para um problema, o Design Thinking demonstra que se reúne perspectivas aparentemente díspares que muitas vezes podem ser a chave para encontrar soluções eficazes. Isso incentiva os alunos a ser bem versados e “letrados” em tantos assuntos quanto possível. Assim, eles começam a entender, primeiramente, que os problemas mais complexos são muitas vezes melhor resolvidos através de uma abordagem interdisciplinar.

Em segundo lugar, e talvez mais importante, o Design Thinking enfatiza que a colaboração e o uso de recursos externos são fundamentais tanto para a aprendizagem como para a resolução de problemas/processo pelo qual dá uma noção das coisas que serão valiosas para as suas vidas acadêmicas, profissionais e pessoais.

O Design Thinking ensina aos alunos que as melhores soluções são aquelas que são motivadas por empatia e centradas nos usuários dos problemas. Ao compreender a perspectiva de que uma resposta a um problema só é tão bom quando o usuário final descobre que ela é, os alunos ganham uma segunda e valiosa ferramenta contrapondo às metodologias existentes, empíricas ou baseadas em lógica, a que eles estão acostumados.

Com esta combinação, os alunos podem começar a entender a ideia de que nenhuma resposta é perfeita e que muitas vezes há muitas maneiras de enquadrar e resolver um único problema. Enquanto esta dupla perspectiva apresenta aos alunos um paradoxo bastante sofisticado, os obriga a ver que a forma mais eficaz de encontrar soluções a um determinado problema é se concentrar no público ou no usuário final que o enfrentam e ter esta perspectiva para inspirar a abordagem.

Como nada se cria e tudo se recicla, isso parece muito com a mistura dos anos 80, onde existia o analista de O&M que analisada e “vivia” os fluxos dos usuários e apresentava soluções, com os anos 90, onde os “casos de uso” da engenharia de software representavam as unidades de problemas que deviam ser resolvidos, adicionados a um sex appeal e ao glamour da criatividade dos profissionais de marketing e da publicidade (às vezes há alguma vantagem em ser velho. Já experimentamos muitas coisas na vida e vivemos muitas ondas e modas). A vantagem hoje é que você pode “experimentar” as várias soluções, minimizando riscos, para encontrar a que melhor se adapta ao problema.

Captura de Tela 2015-04-22 às 8.29.06 AMQuando Design Thinking não é aplicável…..
No entanto, parece que o Design Thinking não é aplicável a todos os setores, como somos levados a acreditar e, em particular, no ensino fundamental. O Design Thinking requer uma amplitude de conhecimento e experiências em várias disciplinas, que não está presente na maior parte dos estudantes desse nível, dado o estágio de seu desenvolvimento e educação cognitiva.

Ela exige que se pense em um problema de várias perspectivas, mesmo improváveis e não convencionais, que levam a uma coleção de ideias que acabarão por produzir uma solução. Esse tipo de alunos tem realmente base para se envolver no Design Thinking? Muitos acreditam que isso não é só inviável, mas desnecessário e limitante.

Ao invés de gastar tempo com um processo de ensino estruturado o tempo poderia ser mais bem gasto ensinando e facilitando o acesso a uma série de temas. O Design Thinking está ancorado na crença que é necessário um conhecimento maior das ciências humanas e do relacionamento social, coisa que nessa idade ainda não está sedimentada, para uma boa abordagem na solução de um problema.

Ao invés de dar aos alunos mais estrutura eles podem se beneficiar de menos e de ensinos mais desafiadores. Um exemplo disso é o STEM sigla para Science, Technology, Engineering e Mathematics onde uma metodologia de ensino usando-se Kits especializados gera motivação para o aprendizado em várias áreas das ciências exatas. Ou a boa forma da discussão de problemas reais, como a falta d’água, para a conscientização social necessária para todas as crianças.

joinhaE terminando….

O Design Thinking resolve todos os tipos de problemas? É a panaceia universal para a melhoria das empresas? A resposta é um enorme NÃO!

Existem dois tipos de problemas: os analíticos e os criativos. Nos analíticos os envolvidos tem uma boa concordância de qual é o problema existente, existem dados relevantes que determinam causa e efeito e onde se pode usar, com sucesso, uma solução do tipo linear. Nos criativos os stakeholders não concordam qual é o problema existente e menos ainda qual é a solução para ele. Podem até existir muitos dados, mas nenhum padrão aparente existe, o fluxo é complexo e esses dados não apontam claramente sobre a causa e o efeito.

A solução não é visível. Assim ela deve ser obtida na base da experimentação ou da tentativa e erro. O guia para a solução passa por entender as quatro fases do Desigin thinking do problema: What is, What If, What Wows e What Works ou seja: O que é, e se, que ideia e o que funciona.

Esta tabela do curso de Design Thinking oferecido na Coursera pela Universidade da Virginia ilustra bem onde aplicar e onde não aplicar essa metodologia.

Captura de Tela 2015-04-22 às 8.20.39 AM

  • FFSB

    :-) Obrigado por compartilhar suas impressões sobre DT. Gostei particularmente da tabela ao final do texto. :-D

  • Thiago Ponte

    Há 15 anos, mesmo trabalhando na área de TI apostei na graduação em Design para fortalecer a visão humana no âmbito pessoal e profissional. É recompensador constatar que o tal “design thinking” se apresenta de forma estruturada e irrevogável como alternativa à “síndrome de Gabriela”, de sempre fazermos as coisas do mesmo jeito. Excelente reflexão!