Data e Consumo

O relacionamento intrínseco entre Pierre Levy e os dados

Publicada em 16/06/2014 9:38

Hoje, convido a pensar sobre a nossa relação constante entre os momentos que somos mídia e os que alimentamos o ciclo midiático, ou seja, quando aquela foto tirada em momentos íntimos ou especiais se torna pública, através do compartilhamento nas redes sociais. A alta exposição do íntimo releva nosso comportamento.

Vale lembrar o movimento no Instagram baseado na hashtag #aftersex combinados com novos #selfies, ou seja, auto-retratos, significando a alta relevância dos símbolos imagéticos, como fonte para novos insights publicitários.

Agora, neste contexto, podemos aplicar a importância  do algoritmo do “medium” como explanado por Pierre Levy, onde a ubiquidade da informação, combinada com a  interconexão entre as pessoas e o conteúdo, gera novos conteúdos, instituições e técnicas de comunicação.

Podemos observar claramente esse movimento na diversidade de aplicativos criados diariamente com o intuito de quantificar, qualificar e aplicar resultados em nossas vidas diárias, desde o relacionamento à atividade física.

De acordo com Pierre Levy, o futuro reside na criação de uma ideia agregando valor, dados e categoria ao conteúdo através do seu contexto social, acompanhando o ecossistema de ideias através da cognição da reprodução e cruzamento de dados.

Dentro deste cenário podemos entender como a visão de Pierre Levy transforma os dados como fonte geradora, através de instrumentos como a democracia da análise de dados, alta expansão de uso de “Creative Commons”, neutralidade de rede, como também a relevância da inteligência coletiva sendo reflexiva e dando como retorno conhecimento dos dados que são gerados a partir do compartilhamento, além do papel do pensamento crítico para utilização do algoritmo do “medium”.

Diariamente o sistema de inteligência coletiva reflexiva se torna presente a partir de novos ecossistemas de ideias gerados em cada comunidade, local e espaço sendo exacerbado através de hologramas e demais tecnologias presentes em aplicativos utilizados para exploração, análise, síntese do ser quantificado e qualificado através dos seus dados.

Podemos concluir que, de acordo com Pierre Levy, há novos pilares sendo construídos através de movimentos de ciberdemocracia, como ferramentas de transparência do governo e atos ativistas, como também, sincronia entre a simbiose das comunidades, criando um novo ecossistema de ideias e a simbiose individual, tendo como pilar o conhecimento coletivo, através de ferramentas como cursos em plataformas de ensino à distância aberto.

  • Anderson Gonçalves

    Olá Tatiana,

    Tive o prazer de ler Cibercultura e O que é o Virtual?, obras de Pierre Lévy, que sem dúvida são de uma qualidade ímpar.
    Como é citado em seu post e embasado em Pierre, as tecnologias invadem a vida dos indivíduos, seja onde ele estiver, e a nossa relação com esse esse mundo midiático hora nos torna mídias ou meros colaboradores na adição de conteúdos ao ciberespaço.
    O que, infelizmente, muitos não tem conhecimento sobre o uso das hashtags, que virou “moda” nas redes sociais e principais aplicativos voltados para este fim, que expõem suas intimidades e perfis que deveriam ser privados ao mundo.
    As pessoas levam muito a sério a vida digital e para melhor exemplificar, faço o uso da frase “Sua existência digital, sua reputação é medida pelo que você compartilha, pelo quanto influencia os outros e pelo modo como faz a diferença no mundo.” (GIARDELLI, Gil) porém não levam tanto a sério a privacidade e mensuração da exposição no ciberespaço.