Circuito Deluca

Hackathons e rodadas de empreendedorismo melhoram a prestação de serviços públicos

Publicada em 12/07/2016 9:34

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O portal Meu Município realizou este fim de semana a primeira edição do Hack Meu Município, um hackathon com o objetivo de fomentar a criação de produtos digitais que ajudem o cidadão a entender sobre recursos públicos e fazer escolhas mais conscientes nas eleições municipais de outubro.

O Hack Meu Município é o mais recente entre os muitos hackathons e maratonas empreendedoras que têm acontecido no Brasil com o objetivo de usar a tecnologia digital para modernizar a administração pública. Eles se  popularizaram entre os governos como forma democrática de pensar soluções junto à população.

O grande desafio dessas iniciativas é transformar os projetos vencedores em produtos de fato, seja pelas mãos da própria administração pública ou por intermédio de investidores.

O caminho é longo. Tanto que, na tentativa de encurtá-lo,  alguns governos estão preferindo partir logo para rodadas de empreendedorismo, nos moldes das existentes no mercado corporativo, com startups já estabelecidas.

Em maio deste ano, por exemplo, o governo do estado de São Paulo assinou convênios com seis startups (GetNinjas, iaiNet, Hand Talk, Nama, Saúde Controle e Memed) participantes do programa Pitch Gov SP. Mais estruturadas, em relação aos proptótipos resultantes do hackathons, as soluções dessas startups já estão ajudando a aperfeiçoar os serviços do AcessaSP, Poupatempo, Iamspe e do Fundo Social de Solidariedade. Entre as necessidades do alguns sesses serviços estavam:

- Na Saúde, o monitoramento de doenças e a disseminação de informações técnicas e confiáveis sobre saúde por meio de aplicativos.

Os produtos criados pela Saúde Controle e pela Memed foram os escolhidos.

Com a ferramenta de prescrições online da Memed, basta ao médico procurar no computador pelo medicamento que deseja prescrever e imprimir a receita, garantindo que seja ela seja legível e contemple medicamentos mais atuais. Todas as prescrições ficam armazenadas em um banco de dados que pode ser analisado pela Secretaria de Saúde.

Já a plataforma Saúde Controle permite que os usuários organizem seus históricos médicos em um único ambiente virtual, armazenando informações sobre cirurgias, consultas médicas, exames laboratoriais, utilização de medicamentos, entre outros. A ferramenta facilita o diagnóstico por parte do médico, que consegue acessar todas as informações em um só lugar. Além disso, envia notificações sobre agendamento de consultas e remédios.

- E no Fundo Social de Solidariedade, aproximar a população dos profissionais qualificados nas escolas profissionalizantes.

Nesse caso, o convênio com a plataforma GetNinjas permitirá que os alunos dos cursos do Programa Escola de Qualificação Profissional divulguem seus serviços na plataforma virtual de oportunidades da empresa. Após se formar, o aluno que tiver interesse, terá gratuitamente por um período de 6 meses, uma oportunidade a mais de inserção no mercado de trabalho, com o uso de uma ferramenta que ajuda na promoção e na intermediação dos serviços prestados.

Obstáculos
Segundo a a coordenadora do programa e subsecretária de Parcerias e Inovação, Karla Bertocco, a maior dificuldade  para o sucesso do Pitch Gov SP não foi atrair startups que pudessem ajudar a resolver os problemas encaminhados pelos órgãos de governo, mas encontrar um modelo jurídico que possibilitasse a contratação temporária. “O formato de licitação não cabia, já que não há desembolso de dinheiro público nessa fase, e a maioria das empresas nunca prestou serviço semelhante para governos”, comenta.

Sua fala resume aspectos comuns a muitas das iniciativas de inovação da máquina pública usando satartups: o interesse dessas empresas em ganhar escala e experiência atendendo a governos; a dificuldade das administrações públicas em legalizar as iniciativas; e, por fim, fazer tudo funcionar conforme o esperado.

Fabio Pagani, presidente da IMA (Informática de Municípios Associados S/A), que o diga. Não foram poucos os embates jurídicos no qual esteve envolvido por ter a Prefeitura de Campinas como maior acionista da IMA (desde questões trabalhistas até uso da máquina pública para fins particulares).

“Mas um dos grande obstáculos que tivemos para realizar o hackathon foi convencer as secretarias a tornarem seus dados abertos”, afirma Pagani. Sem isso seria impossível o desenvolvimento do “Torpedo da Saúde, grande vencedor do 1º concurso Hackathon Campinas, realizado pela IMA com apoio da Sensedia.

O “Torpedo da Saúde” foi o embrião para o desenvolvimento do app “Alerta Dengue”, financiado pela IMA, que faz o mapeamento das áreas com maior risco de transmissão da doença na cidade de Campinas.

O sistema busca informações em um raio de 300 metros e fica vermelho caso o local tenha mais de três casos de dengue notificados à secretaria municipal de Saúde. Abaixo de três casos, fica amarelo. E  verde, quando a zona não apresenta nenhum risco, por não haver ninguém contaminado com o vírus ali.

A grande inovação do app está no cruzamento de dados, que revela a localização exata de onde está o foco do problema, ou alguma pessoa infectada por doença de grande contágio. Para desenvolver a solução, os quatro participantes do hackathon utilizaram a base de dados governamental relacionada a diversas áreas como Educação, Saúde, Portal da Transparência e Sistema de Atendimento.

Este ano, o número de casos confirmados de dengue em Campinas caiu 96,3%em 2016, em comparação com o primeiro semestre de 2015. O prefeito acredita que entre os vários os fatores que contribuíram para essa redução significativa está o trabalho de conscientização da população, que contou com a ajuda do app.

E qual foi o resultado do Hack Meu Município?
O grupo vencedor desenhou um jogo que permite ao usuário escolher como ele administraria o orçamento da cidade se fosse prefeito e, depois, avaliar como foi distribuído o orçamento pelo prefeito atual. Dessa forma, o usuário pode comparar suas prioridades com as prioridades estabelecidas pelo atual governante. Além disso, o jogo foi preenchido com ferramentas intuitivas que auxiliam o usuário a entender os termos mais complicados utilizados durante as eleições e também no âmbito financeiro. O objetivo é explicar, de forma fácil e bastante lúdica, o papel do prefeito na organização do orçamento.

Segundo os organizadores do hackathon, 45% dos jovens se aproximaria da política se o processo fosse mais transparente, segundo pesquisa do Sonho Brasileiro da Política. Ou seja, existe uma disposição do jovem brasileiro em se envolver mais com o processo político e esse jogo vem de encontro a essa demanda.

A intenção é detalhar mais o jogo e lançar uma primeira versão a tempo das eleições outubro. Quem se habilita a investir na ideia?