Circuito Deluca

Brasil é um dos 79 países, entre 189, com mais de 50% da população com acesso à Internet

Publicada em 21/09/2015 20:11

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Sabe aquela velha história do copo meio cheio e meio vazio? Pois ela se aplica muito bem aos resultados de acesso à banda larga no mundo, divulgados hoje em Genebra pela Comissão de Banda Larga pelo Desenvolvimento, da Organização da Nações Unidas, com base na edição 2015 do relatório State of  Broadband, da União Internacional de Telecomunicações.

As más notícias são as que  57% da população mundial (equivalentes a 3,2 bilhões de pessoas) ainda permanecerão sem acesso à Internet até o fim deste ano e o ritmo de crescimento da banda larga no mundo continua abaixo dos dois dígitos (desde 2012).  Foi de 8,6% em 2014 e será de 8,1% em 2015. Continuando travada assim, dificilmente os  países membros atingirão o compromisso fixado pela ONU de conectar 60% da população (segundo projeções, 4 bilhões de pessoas)  em 2020.

O grande desafio para conectar a outra metade da população mundial é gigantesco, porque estamos falando da obrigação de levar infraestrutura de telecomunicações a locais onde hoje ela praticamente inexiste, ou carece de viabilidade econômica.

Enquanto o acesso à Internet está se aproximando de níveis de saturação no mundo desenvolvido, nos países em desenvolvimento ele está acessível para apenas 35% das pessoas, em média. Segundo a UIT, há  apenas 79 países no mundo, entre os 189 participantes do estudo anual sobre banda larga,  onde mais da metade da população já está online.

A boa notícia, para os gostam de olhar o copo sempre meio cheio, é que o Brasil está no grupo dos 79 países privilegiados.

O relatório da ONU traz o melhor indicador já divulgado até hoje sobre a população brasileira com acesso à Internet: 57,6% dos brasileiros ao final de 2014.

Dados da pesquisa TIC Domicílios, divulgados na semana passada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet e tidos como oficiais, apontam 55% da população brasileira com algum tipo de acesso à Internet em 2014.

Estranhei a diferença. A UIT não usa os dados do CETIC.br? Sim. Fabio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do centro, acredita que já que os indicadores da TIC Domicílios não estavam disponíveis, a equipe da UIT tenha estimado o crescimento do Brasil com base nos indicadores históricos dos últimos cinco anos. De 2012 para cá, o país tem crescido entre 2 a 3 pontos percentuais por ano (de 46% da população com acesso em 2012, para 55% este ano). O maior impulso foi em 2011:, quando registramos crescimento de 5 pontos percentuais.

A má notícia para nós é que para conectar os outros 42,4% de brasileiros sem acesso (84 milhões de pessoas, nas contas do jornal Estado de São Paulo, primeiro a divulgar o estudo) esbarramos no mesmo problema do resto do mundo: crescer em áreas sem infraestrutura, ou de infraestrutura precária.

O Plano Nacional de Banda Larga 2.0 e o projeto Amazônia Conectada, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com o Exército Brasileiro, são algumas iniciativas que podem ajudar. Por outro lado, o fim do incentivo fiscal para smartphones pode comprometer um pouco o avanço da conexão através de dispositivos móveis.

Segundo a UIT, com relação ao acesso à internet através do aparelho celular o Brasil vem avançando de forma impressionante: 78% dos usuários de celulares têm acesso rápido, número que coloca o País na frente nações europeias como Itália, França e Alemanha. De acordo com o CETIC.br, são 76% dos usuários com acesso à internet no país, ou quase metade (47%) dos brasileiros com idade a partir de 10 anos.  

Raio x do Brasil
Uma rápida comparação entre os dados da edição 2014 e os da edição 2015 do relatório State of Broadband, revela que o Brasil melhorou no ranking da UIT. Com 57,6% da população com acesso à rede ao final de 2014, o país aparece no ranking 2015 na 68ª colocação mundial, entre 189 países. No relatório de 2014, ocupava a 74ª.

Se consideramos apenas o ranking dos países em desenvolvimento, pulamos de 31ª posição em 2014 para a 27ª no relatório este ano. Entre os países latino-americanos, perdemos para Chile, Argentina e Uruguai, nessa ordem. Mas nenhum deles têm as dimensões continentais do Brasil.

O que levou o Brasil a melhorar no relatório de 2015? O avanço no crescimento da banda larga móvel. Saltamos de 37ª posição em 2014, para a 27ª posição este ano.

Onde falhamos? No crescimento do acesso da banda larga fixa. Caímos da 73% posição em 2014 para a 76ª em 2015. E como a banda larga móvel depende da banda larga fixa (não adianta ter um sistema móvel instalado sem um backhaul adequado), é aí que temos muito o que melhorar! Muitas cidades do interior do Brasil não têm acesso por fibra ótica, só por par de cobre.

Há muito o que fazer. No relatório de 2013 ocupávamos a  62ª colocação. Muitos países em desenvolvimento começaram a andar mais rápido que nós. Não podemos pisar no freio. Temos que acelerar, para continuar competitivos.

  • http://coringa.com Hans

    Quantidade != qualidade. Além da infraestrutura há a barreira econômica. Em todos os planos de acesso o valor é alto, a qualidade da banda é ruim e o mais irritante de tudo: a tal da franquia. Qual o sentido de assinar um plano de conexão 30Mb se a franquia é de 100Gb? Em pouco mais de 8 horas de utilização da velocidade total a franquia expira.